Topo

Coluna

Ricardo Feltrin

Análise: É cedo para 'profetizar' fim da hegemonia da Globo no país

Globo/Fábio Rocha
Sérgio Reis no "Conversa com Bial", um dos programas da Globo qye vem perdendo a liderança para o SBT Imagem: Globo/Fábio Rocha
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

30/11/2018 05h22

Tenho lido alguns sites e internautas fazendo "análises" apocalípticas sobre a Globo. Para mim há muito exagero (ou desejo) desmedido nessas "profecias".

Sim, é verdade é que a emissora atravessa um período inédito de derrotas em sua programação.

Conforme a coluna antecipou ontem, em novembro a emissora vai registrar sua menor audiência mensal em três anos.

Mas , daí a antecipar o fim da hegemonia da Globo em termos de público e audiência, creio que é cedo demais.

Segundo dados da Kantar Ibope, a Globo tem na média nacional (novembro) 12,3 pontos de ibope. É mais que o dobro do SBT (5,7) e Record (5,0); cada ponto vale por 240 mil domicílios.

Verdade que três ou quatro anos atrás a distância era bem maior. Até 2015, por exemplo, era possível somar Record, SBT, Band e RedeTV e ainda assim elas davam menos audiência que a primeira colocada sozinha.

Ainda assim há muito chão pela frente antes que ela seja de fato ameaçada pela concorrência. Há algumas prováveis causas para a queda (temporária ou não) de audiência da Globo.

Começando pela mais óbvia: a implantação da TV digital no Brasil.

Até o advento do sinal digital havia uma grande diferença entre a qualidade de imagem da Globo e a das demais TVs país adentro.

Enquanto a TV carioca, sua faixa, seu equipamento e infraestrutura de ponta enviavam um sinal exuberante ao Brasil, as outras penavam com chuviscos, instabilidades e outros problemas técnicos. Isso quando o sinal chegava.

A TV digital inaugurou uma espécie de "isonomia" em termos de qualidade para a TV aberta. Então é óbvio que muitas pessoas que só tinham uma alternativa agora dispõem de outras em seus aparelhos.

Um segundo motivo para a fase difícil da Globo eu diria que é a conjunção de dois fatores:

De um lado, o bom momento que algumas atrações rivais atravessam (como o "Balanço Geral" e "Cidade Alerta", da Record, e o "The Noite" do SBT); de outro, o mau momento e certa rejeição a alguns programas da líder atualmente.

"Bem-Estar", "Jornal Hoje", "Vídeo Show", "Malhação", "É de Casa", "Conversa com Bial" e "Amor & Sexo" são alguns produtos que deixaram de ser líderes de audiência nas últimas semanas.

Um ponto a notar é que a emissora não está acomodada e está agindo para tentar mudar essa situação.

Se a Globo vai conseguir?

Ninguém pode responder a isso, mas parece que aqueles dias de glória, de megalomania, daquela emissora que não temia a nada e nem a ninguém, acabaram.

Um pouco de humildade sempre faz bem.

LEIA MAIS

Exclusivo: Globo registra o pior ibope mensal dos últimos três anos

Globo reage e muda comando de programas em crise

Colunista no Twitter, no Facebook ou no site Ooops