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Análise: Ouvido de Carlinhos Brown salva garoto no "The Voice Kids"

Reprodução/TV Globo
Carlinhos Brown, jurado do "The Voice Brasil" Imagem: Reprodução/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

10/02/2019 22h50

O último dia de "Audições às Cegas" --cujos escolhidos formaram os grupos que vão decidir o "The Voice Kids", da Globo--, teve alta qualidade nas apresentações, bons concorrentes e um momento especial, quando um jurado "salvou" um candidato em cima da hora.

O "salvador" foi o compositor e multi-instrumentista Carlinhos Brown, e o garoto "resgatado" foi o paulistano Luigi Oliveira, de 14 anos.

O menino, aparentemente, escolheu uma música não muito confortável para seu timbre de voz: "No Meu Coração Você Vai Sempre estar", uma versão nacional de "You´ll Be In My Heart" (você já ouviu com o Phil Collins). A canção faz parte de "Tarzan".

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Luigi estava visivelmente nervoso e, embora tenha agradado aos jurados com sua voz doce e potente (todos acompanharam sua apresentação atentos), não chegou a causar uma comoção.

Tudo indicava que ao final de seu 1min53s de apresentação nenhum jurado viraria a poltrona.

Mas, a dois segundos do fim, Brown virou a sua.

O menino chegou a ter um começo de desespero porque achou que ninguém o havia escolhido, Que aquilo era apenas aquele fim protocolar dos desclassificados. 

Luigi foi acalmado por Claudia Leitte: "Calma, calma, ele (Brown) virou (a poltrona), ele virou". 

O motivo foi que Brown virou a cadeira tão em cima da hora que a música terminou na sequência, quando os demais jurados também viravam as suas. 

Brown foi não só o único a perceber o nervosismo do menino, mas o "material vocal" que estava sendo bloqueado. 

"Não é nem um nervosismo, é mais uma tensão, afinal você está sendo visto por milhões de brasileiros", justificou o jurado. "Mas, é claro que você tem bagagem vocal", continuou, explicando porque decidiu apertar o botão em cima da hora.

"Nós temos que perceber isso", disse o percussionista e compositor aos colegas, sobre a necessidade de às vezes relevar o nervosismo da molecada, quando há definitivamente um talento. Está certíssimo.

Nesse caso, foi somente o que se chama de "ouvido absoluto" (que Brown certamente tem) que captou que a voz do garoto era grande, muito maior do que estava ali no palco. No entanto, estava represada pela tensão.

E esse problema é algo que nas próximas fases um músico competente como Brown certamente poderá ajudar o menino a superar.

Sabe-se lá se ele vai longe, pois terá concorrentes fortíssimos pela frente (incluindo uma menina que o antecedeu, Isabely Fernandes, de Jacareí, SP), que mostrou afinação, segurança e até certa técnica.

Mas, seria uma pena o jovem Luigi não ter mais uma chance e seguir em frente. Porque definitivamente sabe cantar. Salvo pelo gongo de Brown.

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