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Bolsonaro descumpre promessa e lança a "nova" TV Brasil

O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto - Evaristo Sa/AFP
O presidente Jair Bolsonaro em cerimônia no Palácio do Planalto Imagem: Evaristo Sa/AFP
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

10/04/2019 08h28

Cerca de dez anos depois de ser criada pelo governo Lula, a TV Brasil lança hoje sua "nova" programação sob o governo de Jair Bolsonaro (PSL).

Bolsonaro prometeu mais de uma vez durante a campanha eleitoral que "fecharia" a emissora pública criada pelo PT.

Dizia em eventos e comícios que a TV não passava de um ralo de dinheiro público, de um veículo "de esquerda", e que a extinguiria.

Pois o presidente descumpriu a promessa.

Como medida de redução de gastos, o governo até anunciou uma "fusão" entre TV Brasil e a NBR --canal oficial da Presidência da República (traço de audiência).

De fato, as equipes foram fundidas, mas, de resto, a união segue simbólica para o contribuinte, pois a NBR continua no ar.

A "fusão", na verdade, significa apenas que a TV Brasil agora poderá interromper sua programação a qualquer momento para transmitir pronunciamentos e outros conteúdos de interesse do governo, o que é uma função da NBR.

A função primordial da TV Brasil deveria ser o de uma emissora educativa, com conteúdo voltado para os interesses educacionais e de lazer do telespectador comum, e não um veículo de divulgação das obras e interesses governamentais.

Assim como a NBR, a TV Brasil também quase sempre deu quase zero de audiência, mas incrementou sua programação e seu ibope nos últimos dois anos, pós-impeachment de Dilma.

Sob comando do professor Caíque Novis, que também trabalhou na Globo, fez um "expurgo" de petistas e ampliou a programação infantil; também se distanciou do "chapa-branquismo" que caracterizou por anos seu noticiário.

Resultado: ela cresceu e hoje está entre as sete TVs (sejam abertas ou fechadas) mais vistas do país.

Seu ibope ainda não chega à média de 1 ponto no PNT (Painel Nacional de Televisão), mas ao menos já não era mais chamada jocosamente de "TV traço" --termo usado pelo o próprio Bolsonaro dizia.

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