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Ricardo Feltrin


Mesmo somadas, TVs Justiça, Câmara e Senado dão traço no ibope

O presidente do STF, Dias Toffoli, comanda sessão no plenário da Corte - DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
O presidente do STF, Dias Toffoli, comanda sessão no plenário da Corte Imagem: DIDA SAMPAIO/ESTADÃO CONTEÚDO
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

29/04/2019 00h09Atualizada em 29/04/2019 20h08

A TV Brasil sempre é alvo de críticas (inclusive por esta coluna) por ser um escoadouro de dinheiro público que praticamente não dá audiência, embora custe centenas de milhões de reais anuais.

Mas, três de suas "congêneres" públicas --TV Senado, TV Câmara e TV Justiça-- conseguem estar em situação ainda mais vergonhosa em termos de audiência: as três somadas registraram em março um miserável 0,03 ponto de ibope e 0,07 de share (a participação de cada emissora no universo de TVs ligadas).

A TV Justiça, no mês passado, conseguiu ainda a "proeza" negativa de dar 0,00 de ibope. Isso mesmo. Zerou.

Ou seja, nem sequer 0,1% dos aparelhos de TV ligados no país (tanto em sinal aberto como pago) sintonizou essas três emissoras públicas no mês passado entre 7h e 0h (o chamado horário comercial da TV).

O orçamento das três é também uma verdadeira "caixa preta". Isso sem falar em canais legislativos que proliferam nos Estados da União.

São bilhões de reais gastos anualmente, enquanto o país amarga uma grave crise econômica e de desemprego.

Por outro lado a criticada (e criticável) TV Brasil deixou de ser chamada de "TV traço" quando, a partir de 2017, teve sua programação reformulada e quase dobrou sua participação no consumo de TV no país, embora ainda seja pequeno: 0,93% de share (0,42 ponto).

Esses são dados do Painel Nacional de Televisão (PNT), mensurados pela Kantar Ibope Media nas 15 maiores regiões metropolitanas do país. Incluem o público tanto de quem assiste TV pela via aberta como a paga.

Pode-se imaginar que uma opção sensata e econômica para o país seria a fusão dessas três TVs; ou ao menos a fusão das TVs Câmara e Senado, já que ambas são legislativas e dão zero de audiência.

Infelizmente, sensatez e economia não parecem ser palavras muito em voga no Legislativo e Judiciário brasileiro.

Veja a audiência das TVs públicas:
Em março, no Brasil, em pontos e share (%)

TV Senado: 0,02 ponto e 0,03%
TV Câmara: 0,01 e 0,03%
TV Justiça: 0,00 e 0,01%
TV Escola: 0,03 e 0,06%
TV Brasil: 0,42 e 0,93%

Fonte: Dados da Kantar Ibope Media (obtidos por outras vias)

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