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Opinião: Triste o telespectador que só tem TV aberta aos domingos

Rodrigo Faro (Record) participa do "Programa Raul Gil" (SBT) - Rodrigo Belentani/SBT
Rodrigo Faro (Record) participa do "Programa Raul Gil" (SBT) Imagem: Rodrigo Belentani/SBT
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

23/06/2019 07h20

Apesar de o domingo ser um dia valioso para a publicidade, a TV aberta não tem investido quase nada nesse dia. Já falamos um pouco sobre isso no ano passado, nesta mesma coluna. Desde então, quase nada mudou.

O conteúdo dominical segue basicamente "triste" e baseado em quadros apelativos e sensacionalistas e / ou dramáticos.

Além de não ter quase nenhum jornalismo (conteúdo obrigatório para o cidadão), nesse dia os programas agora andam com uma nova "mania": exibir quadros enormes, com convidados "enrolando" no vídeo por horas a fio.

Recentemente, SBT e Record até fizeram "trocas", permitindo que seus apresentadores visitassem os concorrentes.

O resultado? Entrevistas longas, cansativas, prolixas, de puro oba-oba. O convidado sempre é fantástico, maravilhoso, talentoso e um dos maiores artistas do Brasil. Não há perguntas incômodas, interessantes ou tampouco revelações. Parece um mingau morno.

Record e SBT

Na Record, por exemplo, programas como "Domingo Show" e "Hora do Faro" se parecem cada vez mais.

Em ambos, a intenção de arrancar lágrimas do telespectador é evidente. Faro, por exemplo, com quadros como "Eu Quero Pedir Perdão" e "Reencontro". Sem falar nas eventuais matérias de gente que "superou" tragédias ou reveses na vida.

O apresentador da Record está em eterna briga pela vice-liderança de ibope com o "Programa da Eliana" aos domingos (Globo lidera a audiência sempre, com ou sem futebol).

Eliana, por outro lado, não fica atrás de ninguém no quesito "emoção", e também tem lançado mão de quadros longos e cansativos, como os de beleza, reaproximação ou promoção de casamentos.

Na semana passada, Faro derrotou a "inimiga" do SBT: deu 9,7 a 8,1 pontos na Grande São Paulo, principal praça da publicidade brasileira e onde cada ponto equivale a cerca de 73 mil domicílios.

O que se salva na TV aberta

Em termos de auditório, apesar de tudo, ainda se salvam nessa "selva" de enrolação programas como "Domingo Legal" (SBT), o "Domingão do Faustão" (Globo), o "Programa Silvio Santos" (SBT) e também o "Encrenca" (RedeTV).

Esperem. Não estou dizendo que são conteúdos fabulosos, mas, ao menos, ainda trazem alguma diversão, risadas, interação entre seus apresentadores e o público e convidados de forma mais dinâmica.

O "Domingo Legal" procura variar bastante os quadros e seu apresentador, Celso Portiolli, é um dos poucos que mantém a postura de "entertainer". Fausto Silva tem a experiência, o improviso, rodízio de quadros e a melhor equipe da TV brasileira lhe dando apoio.

Silvio, como todos sabem, é sempre uma surpresa no palco.

Já o "Encrenca", gostem ou não, achou um nicho de humor definitivamente "familiar". Basta ver o volume de interações do programa nas redes sociais: atinge um público de todas as idades

Mas, de forma geral, triste o telespectador que não tem TV paga ou streaming. Especialmente aos domingos.

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