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No domingo à noite, Globo e SBT perdem público; Record ganha

Tadeu Schimidt e Poliana Abritta no "Fantástico", da TV Globo - Montagem BOL / Divulgação / Reprodução/TV Globo
Tadeu Schimidt e Poliana Abritta no "Fantástico", da TV Globo Imagem: Montagem BOL / Divulgação / Reprodução/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

30/06/2019 12h24

Um estudo de audiência publicado na coluna de hoje mostra que, nas últimas duas décadas, com a expansão da TV paga, da internet e de novas mídias, quase todas as emissoras abertas perderam audiência --e, consequentemente, público.

Isso todos sabem: a perda ocorreu em praticamente todas as faixas horárias. Porém, um dos períodos mais afetados foi o horário nobre (18h à 0h) dos domingos.

Os dados abaixo foram compilados a partir da medição da Kantar Ibope Media desde 2000.

Como há uma variação no valor do ponto do ibope a cada ano, a coluna utilizou como comparação o chamado share.

O share é a participação de cada emissora (em %) no universo de TVs ligadas numa determinada região (no caso do estudo, a Grande São Paulo).

Segundo os dados (veja tabelas abaixo), a Globo desde o ano 2000 perdeu cerca de 35% das TVs ligadas. Já o SBT perdeu mais: 44%.

Na virada do século 20 para o 21 a Globo tinha 44,2% de share nessa faixa. Ou seja, mais de 4 em cada 10 TVs a sintonizavam. Em 2019 esse índice é de 28,8%.

A Band também perdeu cerca de 30% entre 18h e meia-noite. Só a Record apresentou crescimento nesse período, passando de um share de 7% em 2000.

Fatos a avaliar

Além do "boom" das novas mídias, desde 2000 as emissoras abertas fizeram mudanças em sua programação, mas a base dessa grade só mudou de fato na Record, com o surgimento em 2004 do "Domingo Espetacular".

A Globo já tinha e segue tendo o "Domingão do Faustão" e o "Fantástico" nessa faixa, assim como o SBT permanece com o "Programa Silvio Santos" desde então.

Vejam os números:

Share da Globo de 2000 a 2019* (até 23 de junho)
Na Grande SP

2000 - 44,2%
2001 - 40,7%
2002 - 44,4%
2003 - 49,0%
2004 - 49,2%
2005 - 44,1%
2006 - 44,3%
2007 - 41,0%
2008 - 37,4%
2009 - 35,0%
2010 - 34,5%
2011 - 31,9%
2012 - 31,9%
2013 - 30,9%
2014 - 30,1%
2015 - 29,2%
2016 - 30,1%
2017 - 31,3%
2018 - 31,4%
2019 - 28,8%

Share do SBT de 2000 a 2019* (até 23 de junho)
Na Grande SP

2000 - 31,0%
2001 - 37,6%
2002 - 34,8%
2003 - 29,0%
2004 - 25,8%
2005 - 25,8%
2006 - 21,6%
2007 - 19,8%
2008 - 21,2%
2009 - 17,5%
2010 - 16,3%
2011 - 17,1%
2012 - 17,0%
2013 - 16,0%
2014 - 16,4%
2015 - 15,4%
2016 - 16,0%
2017 - 15,6%
2018 - 17,8%
2019 - 17,5%

Share da Record de 2000 a 2019* (até 23 de junho)
Na Grande SP

2000 - 7,0%
2001 - 7,9%
2002 - 7,4%
2003 - 7,2%
2004 - 9,1%
2005 - 12,2%
2006 - 14,2%
2007 - 17,5%
2008 - 19,6%
2009 - 21,0%
2010 - 20,3%
2011 - 20,4%
2012 - 18,8%
2013 - 18,4%
2014 - 17,1%
2015 - 17,5%
2016 - 17,3%
2017 - 15,4%
2018 - 15,6%
2019 - 15,4%

Fontes: Dados consolidados de ibope (obtidos por outras fontes confirmadas)

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