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Opinião: Estreia do "Se Joga" tem trio afobado e pouco conteúdo

Érico Brás, Fernanda Gentil e Fabiana Karla, apresentadores do Se Joga - Divulgação/TV Globo
Érico Brás, Fernanda Gentil e Fabiana Karla, apresentadores do Se Joga Imagem: Divulgação/TV Globo
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

30/09/2019 15h30

Ok, já deu para entender: se continuar como foi na estreia, o "Se Joga" (Globo) se arrisca a virar uma "releitura" da última e pior fase do "Video Show": muito apresentador, pouco conteúdo, piadinhas sem graça, quadros copiados, matérias irrelevantes e a presença de globais no palco.

Foi mais ou menos com essa fórmula que o antigo vespertino da Globo afundou em audiência após mais de três décadas e transformou o quadro "A Hora da Venenosa", com Fabíola Reipert, da Record, no líder de audiência na Grande São Paulo —principal praça da publicidade brasileira.

Aliás, a "Venenosa" não tomou conhecimento da estreia da concorrente continuou líder nesta segunda-feira: No confronto direto das atrações (entre 14h20 e 15h) deu 11,0 pontos para Record contra 8,6 da Globo (e 5,8 pontos do SBT).

O problema é que o "Se Joga", do ponto de vista do formato, está ainda um degrau abaixo do "Vídeo Show". A sonoplastia foi para o mesmo nível das pegadinhas do João Kleber ou do "Programa do Ratinho".

Fofoquinhas de ontem (Giannechinni se assume bissexual); Paolla Oliveira convidada para um quadro de "invasão do celular" que mais parece uma versão piorada do que o humorista Maurício Meirelles já faz há anos na internet.

Ah, e claro, não podia faltar: repercussão de vídeos de internet. É a Globo se inspirando no "Encrenca".

O lado positivo: o quadro do humorista Paulo Vieira foi bem divertido (Paulo é "cria" da Record e de Fabio Porchat, aliás).

Por outro lado, o quadro de "adivinhação de preços" bancado pela Lojas Americanas é fraquíssimo. Gentil foi fraca também.

Os três apresentadores, Fernanda Gentil, Érico Brás e Fabiana Karla, estrearam de forma atabalhoada, quase gritando uns com os outros.

Se "atropelaram" verbalmente e em vários momentos foi absolutamente impossível entender o que estavam dizendo, tal a balbúrdia e gritaria.

Fabiana Karla falou apenas sandices, assim como Érico Brás. Fernanda Gentil no fundo parece imaginar que é a âncora central, mas na verdade não sei se é mesmo.

A coluna apurou que a última pesquisa com grupos de opinião sobre o programa foi positiva e avaliou a química dos três apresentadores como "muito boa".

Talvez seja só o nervosismo, mas a química da estreia foi no mínimo caótica. Muita espuma e, como toda espuma, oca.

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