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Globo propõe novo modelo de contrato e desagrada apresentadores

Patrícia Poeta e Zeca Camargo, do "É de Casa", da Globo, na porta de bar no Leblon, no Rio - Thiago Martins/AgNews
Patrícia Poeta e Zeca Camargo, do "É de Casa", da Globo, na porta de bar no Leblon, no Rio Imagem: Thiago Martins/AgNews
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

09/10/2019 00h09

Há algo em comum com os recentes rumores de que Patrícia Poeta e Zeca Camargo teriam sido sondados ou estão negociando com a Record.

As "conversas" de ambos com a Record vazaram poucos dias depois que a Globo informou a eles e outros apresentadores da casa que, após o fim do contrato atual, todos deverão ser recontratados por regime de CLT. Ou seja, com carteira assinada.

O anúncio já se espalhou e está causando grande desconforto, muitas queixas e irritação entre alguns apresentadores da emissora carioca.

Hoje a maioria dos apresentadores e co-apresentadores globais recebem como Pessoas Jurídicas (PJs). O problema é que eles têm certeza que, ao serem contratados em carteira, passarão a ganhar menos. O que é verdade.

A Globo não está propondo nenhum rebaixamento de ganhos, e sim que pode contratá-los pelo valor bruto que ganham atualmente como PJs.

Só que, pelo regime de CLT, eles terão descontos maiores: só de I.R. todos passarão a pagar quase o dobro do que pagam hoje: 27,5%. Como PJs eles pagam 15%.

Por outro eles não parecem se interessar pelos benefícios da carteira assinada, como 30% a mais nas férias, 13º salário e FGTS. Praticamente todos já ganham PLR ou bônus anuais.

Apesar de o custo imediato de um funcionário contratado por PJ ser menor que o de um contratato pela CLT (com carteira assinada o custo para a empresa é de quase 70% a mais), a Globo deve ter optado pela segurança jurídica.

Isso porque muita gente que é contratada como PJ, mais tarde, quando deixa a empresa, entra com ação trabalhista e tenta recuperar tudo que deveria ter recebido caso tivesse carteira assinada.

Então a Globo (e Record, entre outras) deve ter concluído: se de um jeito ou outro vou ter de pagar como se o contratado tivesse carteira assinada, então que seja assinada de uma vez por todas.

O contrato de Zeca Camargo vence no final do ano, segundo esta coluna apurou.

O de Patrícia Poeta, no entanto, só termina em 2021.

A irritação e descontentamento com a mudança da forma de contrato na Globo também já atingiu o departamento de Esportes. Lá também os profissionais deixarão de ser "pejotizados" e passarão para o registro em carteira.

A medida desagradou várias estrelas da emissora. Tino Marcos e Marcos Uchôa, entre outros, pediram licença da Globo até o próximo ano.

Só então tomarão uma decisão sobre que rumo deverão tomar: se vão renovar nos termos exigidos pela emissora ou procurar outro trabalho.

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