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Disney deu 'desconto' de US$ 50 mi para tentar vender Fox Sports

Robert Allen Iger, presidente da The Walt Disney Company -
Robert Allen Iger, presidente da The Walt Disney Company
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

14/11/2019 00h09

Nos bastidores das negociações para a fusão da Disney e Fox no Brasil, fontes ouvidas afirmam que o fracasso na venda dos canais Fox Sports —uma condição imposta pelo Cade à Disney— ocorreu mesmo depois de o conglomerado norte-americano ter reduzido suas estimativas iniciais de preço.

O problema é que a Disney já é proprietária dos canais esportivos ESPN e o Cade entendeu que a venda era necessária para que uma empresa só concentrasse tanto conteúdo (esportivo, no caso).

Nesta quarta o Cade decidiu que vai revisar a fusão no Brasil.

Entre as empresas que foram ao Cade exigir a venda dos canais Fox Sports estavam a Globo, a Warner-Sky (leia-se a megacorporação norte-americana AT&T)

Até maio, conforme esta coluna antecipou com exclusividade, a expectativa dos executivos da Disney era de vender os Fox Sports por até R$ 1 bilhão.

Na ocasião isso representaria cerca de US$ 256 milhões.

Com esse preço surgiram poucos interessados. Entre eles o serviço de streaming Dazn (pronuncia-se Dazôn). O prazo foi terminando e nada de venda concluída.

No segundo semestre, a Disney fez uma nova cartada e baixou o valor dos canais para US$ cerca de 200 milhões (atualmente cerca de R$ 800 milhões).

Mesmo assim a venda não ocorreu e o prazo acabou. A coluna apurou que esse esforço e boa vontade da Disney foi um dos motivos que levaram o Cade a até mencionar a "boa-fé" da empresa na decisão anunciada ontem pelo órgão.

No fim das contas a decisão do Cade poderá acabar no fim beneficiando a Disney, que vem se expandindo no mundo e não tem necessidade nenhuma de fazer caixa neste momento.

O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) só vai tomar uma decisão no próximo ano, mas na prática a fusão fica suspensa no Brasil até lá.

Fontes ouvidas pela coluna ontem apontam que uma das possibilidades é que o Cade permita em 2020 que a ESPN e Fox Sports fundam seu conteúdo.

A marca Fox, no entanto, provavelmente não será usada mais pela Disney no país. Internacionalmente ela deve continuar propriedade de Rupert Murdoch.

Nenhuma das empresas envolvidas comentou ou deu declarações oficiais sobre a fusão até o momento.

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