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Ricardo Feltrin


TV paga perde 10% dos assinantes e 10% do ibope em 2019

Cada vez menos gente vendo TV por assinatura: tendência - iStock/Getty
Cada vez menos gente vendo TV por assinatura: tendência Imagem: iStock/Getty
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

04/01/2020 06h03

Resumo da notícia

  • Pelo 5º ano seguido TV paga perdeu assinantes
  • TV digital, streaming e falta de dinheiro são causas
  • Operadoras reagem com promoções para segurar assinante

A TV por assinatura encerrou 2019 pela primeira vez abaixo dos 16 milhões de assinantes. Segundo os últimos dados divulgados pela Anatel, novembro terminou com 15.922.900 assinantes. Em dezembro deve ficar registrada outra queda.

É o quinto ano consecutivo de queda na base de assinantes da TV paga no Brasil, uma mídia que teve seu auge aqui no ano da Copa do Mundo no Brasil (2014), quando beirou os 20 milhões de assinantes.

Somente no ano passado as operadoras perderam 1,59 milhão de assinantes, quase 10% da base.

Coincidentemente a audiência dos canais pagos caiu no ano passado na mesma proporção que os assinantes: o ibope da TV fechada caiu cerca de 10% no ano.

Ainda assim a soma dos canais pagos, como um todo, ainda representa a segunda maior audiência do veículo TV (aberta e fechada).

Na média, os canais fechados registraram nas 24 horas do dia, em 2019, 6,1 pontos. No ano passado eram 6,8 pontos. Cada ponto nacional de ibope em 2020 equivale a cerca de 260 mil domicílios.

Motivos não faltam

Há vários motivos para a queda da base de assinantes e de audiência da TV por assinatura no Brasil. A saber

1 - Com a chegada da TV digital ninguém precisa mais assinar TV paga para receber um sinal de qualidade para ver suas novelas e programas preferidos na TV aberta. Esse foi um um público muito grande por anos: em várias localidades do país o sinal analógico era péssimo e as pessoas assinavam TV paga para receber um sinal melhor;

2 - A explosão da internet, dos serviços de streaming e das redes sociais. Muita gente simplesmente trocou o conteúdo pré-programado (da TV paga) pelo on-demand (streaming), em que você vê o que quiser na hora que bem quiser;

3 - A crise econômica. Óbvio, com pessoas ganhando cada vez menos, com a pejotização grassando, quando não o desemprego, as famílias cortam tudo que não for fundamental.

4 - Impossível não incluir no rol de causas a pirataria e a explosão na venda de aparelhos que facilitam o "furto" de sinais. Venda, inclusive, em grandes lojas.

Reação

Mas as operadoras não estão imóveis vendo seu mundo desmoronar. Vários movimentos têm ocorrido entre elas no sentido de preservar o assinante atual e atrair novos. A saber:
1 - Elas estão oferecendo promoções de vários tipos: por exemplo, um assinante liga para cancelar o pacote; se ele for convencido a ficar, pode ser que ganhe até 10 ou 20 canais novos sem aumento de custo;

2 - Redução no preço dos pacotes, com ofertas de mais canais que o normal

3 - Assinantes que só têm internet e telefone fixo, por exemplo, são convidados a pagar um acréscimo simbólico (de até R$ 10) em suas contas e com isso ganham uma assinatura com até 60 canais pagos.

Mesmo assim é uma mídia que enfrenta um momento preocupante. Assim como a TV aberta, aliás.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

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