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Análise: Mario Frias nem assumiu e já está sendo frito como Regina

Mario Frias em seu Instagram - Reprodução/Instagram
Mario Frias em seu Instagram Imagem: Reprodução/Instagram
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

07/06/2020 17h19

Conhecido como um ator e apresentador limitado e sem brilho, Mario Frias vem sendo cotado para assumir a vaga de Regina Duarte na secretaria especial da Cultura.

No entanto, ele já percebeu que apenas ficar gritando palavras de ordem do tipo "aqui é Bolsonaro" não vai facilitar ou garantir sua posse ao cargo.

Nos bastidores do ministério do Turismo e na secretaria da Cultura, os chamados membros da "ala ideológica" (os famosos "olavistas") não se convenceram nem da lealdade e nem da capacidade do ex-ator da Globo.

Sempre os olavistas

Segundo esta coluna apurou, Frias já é alvo dos "olavistas" mais empedernidos, que o acusam de querer o cargo apenas para "ressurgir" midiaticamente.

Esses maledicentes "ideológicos" acham que o ator exagera em sua "defesa" pública de Bolsonaro e acham que ele tem um comportamento bajulativo apenas para levar alguma vantagem pessoal.

A saber: "aparecer". Resumindo: Frias nem assumiu ainda e já está na frigideira em óleo fervente.

Depois da própria família Bolsonaro e do ministro da Educação, Abraham Weintraub, os "olavistas" nomeados na Cultura (submetida, pasmem, ao ministério do Turismo) são considerados os mais radicais seguidores das doutrinas do "guru" Olavo de Carvalho, radicado nos EUA.

Frias é visto por esses com desdém e extrema desconfiança. Daí a possível demora para sua nomeação. Se é que ela de fato vá acontecer.

A saída que não aconteceu

Regina Duarte, 73, anunciou estava deixando o cargo mais de duas semanas atrás, no entanto continua empossada e recebendo o salário em torno de R$ 15.500 como secretária especial da Cultura. Sem fazer nada, acrescente-se.

Durante o anúncio da partida que não houve, a atriz se auto-nomeou para chefiar a Cinemateca em São Paulo —um órgão federal gerido por uma fundação sem fins lucrativos, a Roquette Pinto.

No entanto, os 150 funcionários da Cinemateca estão sem receber salários há dois meses e o órgão já foi inclusive notificado que pode sofrer corte de energia em seus galpões. O cargo que Regina queria ne sequer existe. Teria de ser inventado.

Ao saber que não teria o cargo e que não era bem-vinda, Regina teria se enfurecido.

Dizem fontes ouvidas por esta coluna que, em vingança, ela teria sido uma das "mentoras" da proposta divulgada na semana passada com exclusividade por esta coluna: a de o governo fechar a Cinemateca por no mínimo um ano e afastar a Roquette Pinto de sua gestão.

O problema é que o contrato entre governo e fundação vai até 2021, e a direção da entidade já disse que não aceitará a rescisão e, se preciso, irá aos tribunais. Se aceitasse a rescisão do contrato a fundação teria de demitir 150 pessoas —e tampouco tem dinheiro para isso.

Frias por Regina: 6 por meia-dúzia

No meio de todo esse pandemônio e caos na Cultura, Mario Frias é visto como mais um problema.

Como alguém sem experiência, sem ideias, sem projeto, sem bagagem e, principalmente, sem a confiança e a ideologia tão cara aos "olavistas" de plantão contra a esquerda.

Esta segunda-feira (08) é considerada uma data limite para que a questão seja resolvida de vez.

Só que ela passa necessariamente pela exoneração de Regina Duarte assinada por Bolsonaro.

Nesse caso, estuda-se nos bastidores (com apoio de militares) arrumar para a atriz algum cargo DAS com salário na mesma faixa de secretária (R$ 15 mil).

Ser substituída por um ator de segundo escalão, ser rejeitada por um órgão técnico e digno como a Cinemateca, acabar nomeada para um posto qualquer apenas como consolação, tudo isso só se tornará mais um item do enorme calvário de humilhações as quais a atriz desempregada vem se submetendo e sofrendo por livre e espontânea vontade.

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