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Caríssima, TV Justiça registrou zero de ibope em maio

Luís Roberto Barroso, ministro do STF, em ação na TV Justiça - Reprodução/YouTube
Luís Roberto Barroso, ministro do STF, em ação na TV Justiça Imagem: Reprodução/YouTube
Ricardo Feltrin

Ricardo Feltrin é colunista do UOL desde 2004. Trabalhou por 21 anos no Grupo Folha, como repórter, editor e secretário de Redação, entre outros cargos.

Colunista do UOL

24/06/2020 00h18

Uma façanha triste: apesar de ser exibida obrigatoriamente na TV aberta (em sinal digital) e estar presente em todos os pacotes de operadoras de TV paga, a TV Justiça conseguiu dar zero de ponto e de share no mês de maio.

Share é a participação (em porcentagem) de uma emissora ou programa de TV no universo de TVs ligadas.

A TV Justiça, uma emissora pública, caríssima, com centenas de funcionários estáveis e com salários generosos, conseguiu dar zero tanto em pontos como em share no mês passado.

Em outras palavras, ninguém sintonizou a emissora, segundo dados consolidados de audiência mensurados pela Kantar Ibope Media, obtidos com exclusividade pela coluna.

Claro que nem só pelo ibope pode se analisar a existência e necessidade de o país ter TVs públicas (leia mais abaixo). Mas a equação entre gastos e efetividade poderiam ser melhores e maiores.

As outras TVs legislativas também não estão em melhores condições em termos de público: em maio a TV Câmara marcou 0,01 ponto de média e 0,02% de share. Exatamente a mesma "marca" (sic) que outra emissora inútil, a TV Senado.

Esta coluna já fez a sugestão racional para a redução de custos: bastaria unir as três emissoras numa só, sob uma só infra-estrutura.

O problema é o espírito corporativista de funcionários que trabalham pouco e ganham muito para qualquer comparação que seja feita com a categoria dos jornalistas, cinegrafistas ou produtores em emissoras comerciais.

As três emissoras na verdade são três caixas pretas de gastos milionários, protegidas pelo corporativismo e provavelmente interesses oportunistas.

Até a TV Brasil nada de braçadas quando comparada com esses três ralos televisivos de dinheiro: em maio marcou 0,25 ponto e 0,63% de share.

Convenhamos: nenhuma dessas TVs não faz a menor falta ao país ou à população.

Cada ponto nessa medição representa cerca de 250 mil domicílios sintonizados nas 15 maiores regiões metropolitanas do país. Todas as TVs com medições abaixo de 0,4 ponto de audiência já podem, ser consideradas "traços de audiência".

Mas zero é um número cardinal que corresponde a um conjunto vazio.

É a conquista literal do zero absoluto de público. Uma espécie de sucesso, só que num mundo paralelo —o das "autoridades" brasileiras.

Sim, tem função pública

A despeito de seu ibope irrisório, uma emissora como a TV Justiça tem valor social e educativo.

É um canal importantíssimo em tempos de dúvidas legais, julgamentos e mobilizações de causas nacionais.

Afinal e o STF quem dá a palavra final sobre a legislação que rege nossas vidas. Além disso a TV Justiça tem seu sinal franqueado para quem quiser transmiti-lo sem qualquer ônus.

No entanto, a qualidade de sua programação além das sessões deixa muito a desejar em termos de conteúdo. Pelo seu custo, poderia ser algo muito melhor.

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