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Série "Zé do Caixão" resgata origem do personagem e vida pessoal de Mojica

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

28/10/2015 18h45

Zé do Caixão, o célebre personagem criado por José Mojica Marins, garantiu seu lugar na cultura popular brasileira depois de aparecer em “À Meia-Noite Levarei Tua Alma”. Mas a história de como Mojica criou o coveiro galante que busca a mulher perfeita para gerar seu filho ainda é pouco conhecida do público – e a série “Zé do Caixão”, que estreia no canal Space no dia 13 de novembro, tem o mérito de mostrar essa origem.

O UOL já viu os dois primeiros episódios da série, que serão exibidos nesta quinta na Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, como parte de uma homenagem ao diretor. A produção tem seis ao total, cada um focado em um longa de Mojica: "Sina do Aventureiro" (1958), "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" (1963), "Esta Noite Encarnarei no Teu Cadáver" (1966), "O Despertar da Besta" (1969), "Perversão" (1978) e "24 Horas de Sexo Explícito" (1985).

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Protagonizada por Matheus Nachtergaele, a série resgata a história pessoal e profissional do cineasta, a começar pelos bastidores da Apolo, misto de produtora de cinema e escola de atores, onde as aulas eram dadas pelo próprio Mojica. Ao lado do diretor, trabalham o amigo de longa data Mário Lima (Felipe Solari) e Dirce (Maria Helena Chira), personagem fictícia que representa as mulheres que passaram pela vida dele.

A primeira parte da série é focada no western “Sina”, que foi o primeiro longa completo a ser dirigido por Mojica. Rodado em uma pequena cidade do interior, o filme acaba escandalizando os habitantes do local e expõe o relacionamento complicado de Dirce com o diretor, que, além de ser casado com outra mulher, se envolve com sua protagonista, a sensual Sarita Del Ciel (Vanessa Prieto). E, curiosamente, é durante as gravações do western que Mojica ganha a cartola que usaria como Zé, presente de um tenente que colaborou com o longa.

A falta de recursos com que Mojica tinha de lidar na época rende boas cenas para a série, tanto cômicas quanto dramáticas. Ainda sem ser reconhecido por público, o cineasta vende cotas para financiar seus filmes, faz seus alunos pagarem por seus papéis e até pinta cavalos para dar a impressão de ter mais animais durante uma sequência de perseguição – mas tem de lidar com o gosto amargo de ver que seus pais venderam as próprias alianças para ajudá-lo.

Mas é o surgimento de Zé do Caixão, sem dúvidas, o momento de maior destaque da trama. Após um pesadelo, Mojica cria seu novo roteiro - que se trata de nada menos do que “À Meia-Noite Levarei Sua Alma”. Depois de muitos testes frustrados com atores, ele recita para si um dos monólogos do longa e, munido da capa e cartola que se tornariam suas marcas registradas, surpreende seus colegas ao aparecer como Zé – em uma ótima interpretação de Nachtergaele, que encarna de forma assombrosa os trejeitos e o modo de falar de Mojica.

Dirigida por Vitor Mafra e inspirada na biografia “Maldito”, escrita por André Barcinski,”Zé do Caixão” oferece um retrato interessante do cineasta que viu seu personagem tornar-se mais conhecido do que ele próprio e sua obra, dando foco especial a seus conturbados relacionamentos e a sua obsessão pelo trabalho.

A série será exibida às sextas-feiras, às 22h30.

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