PUBLICIDADE
Topo

TV e Famosos

"Vingança é um prato que se come frio", diz vice da RedeTV! sobre "Pânico"

Marcelo de Carvalho com o quarteto do programa "Encrenca", na sede da RedeTV! - Divulgação/RedeTV!
Marcelo de Carvalho com o quarteto do programa "Encrenca", na sede da RedeTV! Imagem: Divulgação/RedeTV!

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

30/11/2015 06h00

Vice-presidente e apresentador da Rede TV!, Marcelo de Carvalho não esconde a satisfação de vencer o “Pânico” no Ibope. Ironicamente, o programa que já foi a maior a audiência da RedeTV!, e desde 2012 é apresentado pela Band, vem sofrendo derrotas sucessivas para o “Encrenca” justamente no horário no qual se consagrou na televisão.

“Como neto de italiano calabrês, minha avó dizia que a vingança é um prato que se come frio. Então, como pessoa física, estou comendo em prato frio a minha vingança. Estou muito satisfeito. Mas, como empresário não estou porque gostaria que vários canais estivessem programas fazendo sucesso, pois isso favoreceria a fragmentação da audiência que nos favorece”, disse o ex-patrão da trupe de Emílio Surita.

O empresário explica a decepção que teve com os humoristas do "Pânico". “Na televisão, todos têm o direito de sair de um canal. Artista vai e vem. Atração vai e vem. Isso é do nosso ramo. O que eu fiquei chateado, magoado, foi a maneira como eles saíram. Isso não se faz. Você não cospe no prato que comeu. Tanto o Tutinha, quanto o Emílio ganharam milhões de reais aqui, então não dá para sair falando mal”, avaliou.

Dono da Jovem Pan e idealizador do "Pânico" na TV, Antônio Augusto Amaral de Carvalho Filho, mais conhecido como Tutinha, disse para Ricardo Feltrin, após acertar a ida para a Band, que na nova casa teria "verba e estrutura decentes". No lançamento do "Saturday Night Live", em março de 2012, Carvalho já havia demonstrado sua decepção com o criador do "Pânico". "Tutinha e Emílio recebiam metade do faturamento do 'Pânico'. O restante tínhamos que dividir entre os outros humoristas e a produção. É uma mentira, uma injustiça, uma sacanagem ele dizer isso". O executivo também ficou chateado porque, em suas palavras, "foi pego de surpresa" pela saída do programa que lançou nomes como Sabrina Sato, Wellington Muniz (o Ceará) e Márvio Lúcio (o Carioca).
 
Na opinião do empresário, o público perdeu o interesse porque, na concorrência, o grupo teria se desviado do humor original e irreverente pelo qual ficou conhecido. “Acho que o ‘Pânico’ perdeu a mão. O Emílio e o Tutinha perderam o caminho... Quando estavam aqui, tinha um negócio de inovação, de estar à frente, de não apelar e não ter muita baixaria. Hoje nem os meus filhos assistem ao ‘Pânico’, e não é algo que eu imponho a eles”, afirma Carvalho, que é casado com a apresentadora Luciana Gimenez.
 
O empresário se lembrou dos vários programas de humor que foram testados pela RedeTV! após a saída do “Pânico”, inclusive a versão brasileira de “Saturday Night Live” com Rafinha Bastos, e comemorou os resultados do “Encrenca”. A disputa de audiência está acirrada, com uma pequena vantagem para a RedeTV!. No dia oito, por exemplo, o "Encrenca" teve 5,55 pontos no Ibope, contra 4,96 do concorrente. Uma semana depois, o placar foi de 4,85 para o "Encrenca" contra 4,26 para o "Pânico" e, no último domingo, o humorístico da RedeTV! bateu um novo recorde, chegando a 5,9 contra 4,73 do seu principal concorrente no horário em que os dois programas confrontaram.
 
“O público do ‘Encrenca’ é o público original do ‘Pânico’. O ‘Encrenca’ faz um programa interativo, e sem baixaria. O grande programador do ‘Encrenca’ é o público. O que está mais na moda do que WhatsApp, rede social?”, disse Carvalho, citando as formas de participação dos telespectadores, que enviam vídeos divertidos para o programa.


Guerra de audiência
Em fase de implantação no Brasil, o instituto alemão GfK recebeu os investimentos de RedeTV!, SBT e Record para se tornar uma alternativa à medição de audiência no Brasil. A Band também pretendia apoiar a empresa, mas desistiu da empreitada em agosto deste ano ao rescindir o contrato. A chegada de um concorrente ao Ibope foi elogiada por Carvalho.

“Fico chocado com a ignorância de algumas pessoas do mercado de dizerem que são contra a concorrência. Eu quero lembrar que se não existisse concorrência, no Brasil ainda só teriam Ford, Volkswagen, Fiat e General Motors de carro. E tínhamos carros que eram 30 anos mais antigos do que o restante do mundo. Se não existisse concorrência, as pessoas ainda iriam viver de alugar linha telefônica”, comparou.

Ele, que está aguardando a auditoria e validação dos números de audiência do GFK para começar a divulgá-los, disse estranhar a posição da Globo de não apoiar a criação de nova forma de medição de audiência.

“É como um camarada que fala, vou continuar com meu Ford Galaxie de 1971. Não gosta de evolução? É contra a livre-concorrência, o livre-mercado? Quer que continue como está? Qual a razão? Acho [a decisão] totalmente equivocada. Respeito, mas acho equivocada”, declarou. 

Com mais de trinta anos de televisão, Carvalho diz que a grande mudança que ele observa atualmente em relação ao início da RedeTV!, há 16 anos, é a pulverização da audiência da TV aberta. “Antes a rede Globo tinha 90% de share [número de televisores ligados] e hoje tem perto de 30%. O share está mais dividido. A outra mudança é a queda das novelas do horário nobre. Eu me lembro que ‘Roque Santeiro’ deu 90% de share, uma loucura!”, afirmou.

“É como um camarada que fala, vou continuar com meu Ford Galaxie de 1971. Não gosta de evolução? É contra a livre-concorrência, o livre-mercado? Quer que continue como está? Qual a razão? Acho [a decisão] totalmente equivocada
Marcelo de Carvalho, sobre a decisão da Globo de não investir em um concorrente do Ibope


Investimento em séries para 2016
Atento aos novos hábitos e ao sucesso de serviços de streaming como a Netflix, o empresário pretende investir em produção de séries para meados do ano que vem. Tudo, diz ele, dependerá de como a emissora vai reagir à crise da economia.

“A RedeTV! não fará novelas, acho um risco muito grande - embora agora, depois de anos de investimento, a Record tenha acertado com esse golaço que é ‘Os Dez Mandamentos’. Assisti a vários capítulos e achei uma produção fantástica, primorosa. Mas é muito difícil e muito custoso”, analisou. “A gente vê que no mundo cada vez mais há preferência por espaços mais curtos de programação. O camarada não quer ficar assistindo por seis meses a mesma coisa. Ele quer assistir a uma série que dure quinze dias ou três semanas”, completou.

O vice da RedeTV! disse que o canal já começou a fazer a triagem dos mais de 250 roteiros recebidos – alguns deles assinados, inclusive por “autores consagrados que estão sem vínculos com outras emissoras”. A emissora ainda discute se irá produzir séries de humor, de acordo com Carvalho um gênero “mais seguro”, ou de drama – esta segunda opção é preferida por ele.

“O bom de séries é que você não precisa ser 'coxinha', sai do politicamente correto. ‘Breaking Bad’, por exemplo, o herói é um tremendo vilão. É uma loucura. ‘Game of Thrones’ você não sabe se as pessoas por quem você está apaixonado irão morrer. As séries quebram essa coisa meio previsível das novelas”, explicou. 

TV e Famosos