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Na Globo, Cássia Kis faz desabafo: "O presidente é quase nosso empregado"

Do UOL, em São Paulo

13/12/2015 21h36Atualizada em 16/12/2015 15h21

Vários artistas fizeram um desabafo formal contra a classe política durante a premiação Melhores do Ano, exibida pelo "Domingão do Faustão", da Globo, neste domingo (13). Cássia Kis, Alexandre Nero e Tonico Pereira promoveram os discursos mais acalorados. Os três atores são (ou foram) colegas de elenco na novela "A Regra do Jogo".

O apresentador Fausto Silva cedeu espaço no fim da premiação para que cada um dos artistas falasse o que desejava para 2016. Cássia Kis, então, pegou o microfone, discursou em tom exaltado e cobrou uma nova postura do governo brasileiro.

"Eu quero que o governo se pergunte finalmente qual é a função dele. Para quê ele existe? Para trazer educação! Para finalmente não colocar ninguém na cadeia, punindo quem é ignorante, e é ignorante por causa do governo. Ele nos faz ignorantes e não pode mais fazer isso. Então, ele tem que se perguntar qual é a função dele? Para quê ele existe? Nós pagamos o governo, o presidente é quase o nosso empregado, é a nós que ele deve todas as obrigações dele", esbravejou a atriz, visivelmente emocionada.

Minutos depois de ouvir as palavras de Cássia Kis, Alexandre Nero resolveu se manifestar pedindo para que as pessoas deem menos opinião e tenham mais conhecimento. "Eu acho que a gente precisa de menos opiniões e mais conhecimento. Vamos atrás de conhecimento, saber das coisas", afirmou o ator, com a expressão fechada.

Nero negou que a resposta tenha sido direcionada à Cássia Kis, ao contrário do que muitos internautas especularam nas redes sociais. "Pode ter parecido, mas não foi. Eu jamais seria grosseiro assim com uma pessoa que amo e admiro tanto", disse ele, por meio do Facebook, na noite desta segunda.

Ainda durante a premiação, o ator que interpreta o bandido Romero em "A Regra do Jogo" já havia respondido a uma crítica feita por Fausto Silva em relação à crise social, política e econômica no Brasil.

O apresentador havia dito: "Esse país não pode ficar do jeito que está. O país da corrupção, o país que não tem nada de educação, não tem nada de infraestrutura, não tem assistência médica, tem uma violência absurda. Não pode ficar o país ao Deus dará, nessa bagunça que está". Alexandre Nero não se conteve e retrucou. "Só queria lembrar que não é de hoje que isso acontece. O país faz 500 anos… Vamos ter consciência, clareza e, mais do que tudo, tolerância com o diferente, com o próximo. Para que a gente possa ouvir as ideias diferentes. Porque a gente sempre repudia o que parece diferente do que a gente quer ou almeja. Vamos respeitar o próximo. Acho que isso é a coisa mais importante".

O ator Tonico Pereira também entrou na discussão, mas optou por direcionar as críticas ao Legislativo, onde, segundo ele, existe uma quadrilha. "Eu quero uma Câmara dos Deputados que, fundamentalmente, represente o povo brasileiro, porque a culpa não está só no Executivo, não. Temos uma quadrilha [no Legislativo]", disparou Tonico. "Eu quero que a Comissão de Ética não adie novamente a votação para 2017", emendou a atriz Fernanda Torres, ao se referir à votação que irá decidir pelo afastamento ou não do presidente Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de mentir sobre uma conta secreta na Suíça.

Em entrevista ao UOL, Fausto Silva elogiou a atitude dos atores que falaram da situação do país. "Programa ao vivo sempre tem isso, depende da fase do país. O país está vivendo um dilema, as pessoas têm que se posicionar. Todo mundo fica em cima do muro, uma hora o muro cai", disse o apresentador.