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"Ligações Perigosas" vai investir em sensualidade implícita, diz diretor

Carolina Farias

Colaboração para o UOL, no Rio

17/12/2015 01h33

Embates entre a malícia e a inocência, desejo e virtude, amor e vingança: é isso o que promete próxima minissérie da Globo, “Ligações Perigosas”, que estreia dia 4 de janeiro e deve insinuar mais do que mostrar a libertinagem dos anos 1920. Com um horário de exibição logo após a “Regra do Jogo”, a trama não terá tantos nus escancarados como a novela “Verdades Secretas”

"Nosso horário é diferente de 'Verdades Secretas'. Investimos em uma sensualidade implícita, que está na imaginação, vamos fazer com que os telespectadores achem que estão vendo o que não estão. Instigar é bom", explicou o diretor-geral Vinícius Coimbra a jornalistas no lançamento da minissérie, na noite desta quarta-feira (16) no Rio de Janeiro.

Com Patrícia Pillar, Selton Mello, Marjorie Estiano, Alice Wegmann, Jesuíta Barbosa, Aracy Balabanian entre outros, a minissérie de dez capítulos foi escrita por Manuela Dias, com supervisão de Duca Rachid, e é baseada na obra “Les Liaison Dangereuses", de 1782, de Chordelos de Laclos. O livro também virou filme em 1988, com Michelle Pfeiffer, John Malkovich e Glenn Close. A trama global se passará em 1928 em Vila Nova, fictícia cidade litorânea paulista.

Alice Wegmann, que viverá a virgem Cecília na trama, acredita que o sexo "sugerido" da trama tem a ver com a época em que se passa a história. "As cenas têm delicadeza. Em 1928, eles transavam de roupas. Mas as cenas são intensas e bonitas", explicou a atriz.

Patrícia Pillar, que faz a manipuladora e amoral Isabel e tem cenas em que aparece lasciva e com pouca roupa, disse não ter dificuldade em se entregar ao que o papel propõe. "Não me sinto amarrada, somos livres. O personagem nos ajuda a caminhar e visitar outros ambientes. Mas a questão da Isabel é que ela tem muitos lados, é escorregadia, foi trabalhoso para mim", afirmou a atriz, que procura personagens independentemente de elas serem boas ou más. "Gosto de humanidade. A loucura é real, crível, pode estar aqui entre nós".

Depois de anos sem atuar na televisão, Selton Mello volta na pele de Augusto, amigo de Isabel, ‘bon vivant’ e conquistador. "Era um personagem irrecusável. Minha geração foi tocada pela versão de Stephen Frears [diretor da adaptação de 1988]. Não revi o filme para não me influenciar, mas é um grande personagem. Estava de olho há um tempão na Patrícia e na Marjorie", afirmou o ator, que disse não fazer mais novelas por falta de tempo. "Minha vida é dinâmica. Faço filmes que levam quatro, seis meses. Fazer novela leva quase um ano", explicou.

Ao falar sobre o momento mais difícil de encarar seu papel, Marjorie Estiano, que vive a carola Mariana, acabou entregando o fim de sua personagem. "Ela fica enclausurada por cinco capítulos até conseguir morrer. Para mim foi desgastante", afirmou.

Nova tecnologia

A superprodução foi toda gravada e editada na tecnologia chamada 4k, com quatro vezes mais definição que o HD normal, segundo o diretor.

Tal tecnologia, explicou Coimbra, exigiu maior cuidado na produção e maquiagem. "Tudo tem que ser feito com muito capricho. O figurino não pode ser sintético. Foram usados os tecidos mais parecidos com o que se usava na época. O cenário tinha um nível de acabamento diferente".

Coimbra estima um custo 30% mais alto para a produção em 4k. "A pós-produção é mais cara, leva mais tempo para fazer o cenário, a edição leva quatro vezes mais tempo. Mas por que não fazer? Hoje 37% das televisões no mundo são 4k. Comprei uma recentemente por R$ 7 mil", afirmou o diretor.

O 4k exigiu também economia na quantidade de material gravado, o que fez com que os atores ensaiassem muito mais do que o normal, exatamente como era feito com a película cinematográfica.

Um lugar que não existe
Parte da trama foi rodada na Argentina, no litoral de Puerto Madryn, na Patagônia, porque Coimbra queria dar um ar mais europeu às imagens. "A luz bate de uma maneira diferente lá, é um litoral distante dos trópicos. A nossa intenção era dar o tom de um lugar que não existe", explicou.

Para Coimbra, o maior desafio foi fazer o elenco atingir a complexidade dos personagens do livro. "Os personagens são bem ricos e consegui com que os atores chegassem, o que demandou ensaios e entrega. Mas é um elenco muito talentoso, foi uma escolha feliz", declarou Coimbra.

A produção deve virar um filme, afirmou Coimbra, graças a essa tecnologia, porém, a data para um lançamento ainda não foi planejada.

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