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Estou resgatando o menino que via filmes do Mazzaropi, diz Walcyr Carrasco

Paulo Belote/TV Globo
O autor Walcyr Carrasco Imagem: Paulo Belote/TV Globo

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

18/01/2016 07h00

De certa forma, "Êta Mundo Bom" é uma homenagem de Walcyr Carrasco a seu pai, João, que levava o futuro escritor de novelas de sucesso quase diariamente ao cinema. Na programação, muitos filmes da chanchada brasileira, como os estrelados por Mazzaropi. Dentre eles, "Candinho" lhe pareceu uma boa inspiração para uma novela com humor ingênuo, sotaque caipira e mensagem otimista, que tem muito a ver com a forma com que o autor encara a vida.

"Acho que as pessoas precisam de otimismo. Não só o Brasil está em crise, mas o mundo inteiro passa por situações complicadas, atentados. Minha expectativa é de que o público termine de assistir ao capítulo com um sorriso de felicidade. Estou resgatando aquele menino que eu era quando via os filmes do Mazzaropi", diz.

Realizar esse desejo antigo, no entanto, exigiu algum jogo de cintura do novelista, que foi convidado pela Globo para tocar um projeto das 23h antes - "Verdades Secretas", que se tornaria uma das produções mais bem-sucedidas da TV em 2015. A dedicação à história de Angel (Camila Queiroz) não permitia que ele colocasse a trama das seis em andamento simultaneamente, mas  a vontade de voltar a trabalhar com o diretor Jorge Fernando falou mais alto, e Walcyr preferiu abdicar das férias para ter no ar a novela que imaginou.

"Começamos a produção sem nenhum capítulo escrito. Só uma relação de confiança que permite isso. Não sei como conseguimos", afirma.

Alguns atores de "Verdades" estão de volta no novo trabalho, como Rainer Cadete, Guilhermina Guinle, Flávio Tolezani e Camila Queiroz. Esta última chegou a deixou o escritor com uma ponta de dúvida, já que sua atuação como Angel foi bastante marcante. "Foi acontecendo. A Camila fez teste e estáuma caipirinha fantástica", avalia.

João Cotta/TV Globo
Candinho (Sérgio Guizé) com seu inseparável burro Policarpo em "Eta Mundo Bom!" Imagem: João Cotta/TV Globo

Na trama, ambientada nos anos 40 e centrada no eterno otimista Candinho (Sergio Guizé),  não faltam dramas fortes envolvendo mulheres, como é o caso de Maria (Bianca Bin), expulsa de casa pelo pai quando a família descobre que ela está grávida.

"Hoje em dia a gente é muito liberal, mas quando a gente olha para o presente e não percebe que a relação homem-mulher mudou e não mudou. A mulher ganhou emprego, mas continua chegando em casa e tem que cuidar do filho. É rara a divisão de tarefas domésticas. A mulher continua sendo oprimida, tendo salários mais baixos", analisa.

De volta à faixa das seis, que o consagrou com sucessos como "Alma Gêmea" e "O Cravo e a Rosa", Walcyr diz que tem carinho pelo horário.

"Gosto de desafios. Escrevo livros infantis, teatro erótico, gosto de mudar. É muito legal reinventar a própria vida", afirma ele, que não gosta de classificar a boa fase (que inclui ainda "Amor à Vida"). "Eu não olho para a vida achando que algo é especialmente bom ou especialmente ruim. Estou feliz de trabalhar naquilo que eu realmente gosto, que é escrever", diz.

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