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Vilã em reality dos EUA, goiana diz que só mocinhos ganham prêmio no Brasil

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

29/01/2016 07h00

Se estivesse no Brasil, a goiana Abi Maria Gomes, de 35 anos, certamente estaria faturando com presenças VIPs e aparições diárias nos sites de fofoca. A moradora dos Estados Unidos há 15 anos, no entanto, trabalha como corretora de imóveis no país mesmo tendo ganhado fama como uma das maiores vilãs do reality show "Survivor", atração que deu origem ao brasileiro "No Limite", atualmente reexibido pelo Canal Viva.

Abi participou de duas edições do programa, em 2012 e 2015, e chegou perto de ganhar o prêmio de U$ 1 milhão nas duas ocasiões. "Tanto nas Filipinas quanto no Camboja eu aguentei até o 37º dia. O ganhador é escolhido depois de 39 dias de confinamento", conta Abi em entrevista ao UOL.

Divulgação/ABC
Entre os maiores perrengues que passou no "Survivor", Abi destaca ter comido nariz de porco e lesmas Imagem: Divulgação/ABC
Fã de novelas e realities brasileiros, Abi diz que acha "engraçado" como o público brasileiro tem dificuldade de gostar dos vilões que surgem no "BBB" e outros programas. "Nos Estados Unidos ser vilão é tão bom. Aqui, o público entende muito que o reality é como um jogo de xadrez, um jogo de cartas, e que você faz as coisas que faz porque quer ganhar. Outra diferença é que no 'Survivor' não é o público que escolhe o vencedor. São os próprios competidores", explica.

Depois de comer nariz de porco e lesma para sobreviver, Abi diz que toparia participar de um reality parecido com o "Survivor" no Brasil. Para ela, no entanto, as TVs brasileiras ainda não dominaram o conceito do programa, o que, em sua opinião, explica o fato de o "No Limite" ter tido só quatro edições.

"No Brasil, a produção interfere muito, não deixa o barraco rolar. Eu estaria aberta a ir para um 'No Limite', mas só se os participantes decidissem o jogo. Fica um formato mais gostoso, mais parecido com novela, e em novela, o público ama a vilã. As pessoas amam a Odeth Roitmann até hoje. Se é o público que vota, as pessoas sempre dão [o prêmio] para o mocinho, aquele que passou mais dificuldade. Não deixam quem joga ganhar e isso me deixa aborrecida", opina.

Apesar de não viver como ex-"Survivor", Abi conta que tem muitos fãs e é reconhecida nas ruas da Califórnia. Além de corretora de imóveis, ela administra uma marca de bebida à base de açaí no país e ainda guarda o dinheiro que ganhou pela participação no reality. Se fora do programa, as pessoas são receptivas, no confinamento Abi tem algumas ressalvas.

"Acabei passando por situações difíceis no 'Survivor' por causa da minha personalidade e por ser brasileira, latina também. Os competidores são de todos os lugares do país. Tem muita gente que vem do sul dos Estados Unidos, do centro, e eles ainda estão aprendendo aceitar imigrantes. Essa discussão está rolando até hoje, principalmente com as eleições vindo", afirma ela que vem ao Brasil com frequência, mas não pretende retornar. "Amo meu país, amo minha cultura, mas a situação financeira é muito difícil", completa.

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