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Falabella diz que politicamente correto não cabe no humor: "É censura"

Roberto Filho/Brazil News
2.mar.2016- Miguel Falabella na coletiva de "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos" no Rio Imagem: Roberto Filho/Brazil News

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

03/03/2016 17h53

Aos 59 anos, Miguel Falabella testa seus limites do dia a dia. Diretor da comédia musical "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", que estreia nesta sexta-feira (4) no Teatro Oi Casagrande, no Rio, ele bem que tenta disfarçar sua impaciência, como fez enquanto esperava o início da coletiva de imprensa da peça, na quarta-feira, e foi perguntado se tinha disponibilidade para agendar uma entrevista para o dia seguinte.

"Ninguém lê mais jornal hoje em dia. Só três pessoas devem ler. Avisa que morri, fui enterrado. Estou cansado, meu tempo nesse Paquistão já passou", disse o artista, com um sorriso no rosto, que ironicamente jogava Paciência ao esperar o início de um número do musical. "Estou com uma dor neste braço, terei que procurar um médico. A  idade é terrível", resmunga.

Sem papas na língua, ele diz que o politicamente correto não se encaixa na comédia e critica a censura do país na arte, como aconteceu com ele na série "Sexo & As Negas" , que foi acusada de racismo nas redes sociais.

"Acho que a comédia não admite esse tipo de classificação. Acho que é burro tentar colocar a comédia dentro do politicamente correto, isso é coisa de gente ignorante. Inteligente é ter uma discussão saudável.  Eu não tenho mais saúde para esse Paquistão. O politicamente correto acaba com o humor para quem se permite, eu não me permito, nunca me permiti. Isso é uma censura horrorosa.  O que eu passei nos 'Sexo & As Negas" é indescritível. Só neste fim de mundo mesmo, num lugar ignorante. A gente vive num país ignorante, Isso é muito triste", desabafa.

Além do teatro, Falabella está com dois projetos na televisão: a série "Brasil a Bordo" e uma outra, ainda sem nome definido, que seria protagonizada por Marília Pêra.

"'Brasil a Bordo' não tem data de exibição, nem de gravação. Vou entregar o texto, fazer a minha parte. A série que eu estava fazendo para a Marília Pêra eu não quero desistir, quero fazer com a Adriana Esteves, mas é mais para frente", explica.

Além do próprio Miguel, Arlete Salles, Ney Latorraca,  Luís Gustavo e Dani Calabresa estão no elenco de "Brasil a Bordo", que de acordo com o colunista do UOL, Flávio Ricco, só de teve estrear em 2017.

"É uma família, dona de uma companhia área, a Piorar Linhas Aéreas, que está quebrada e o juiz deixa que eles operem para pagar as dívidas trabalhistas. O slogan deles é 'Prefere ir de ônibus?'", explica.

"'Pé na Cova' ficará na história da televisão brasileira"

Reprodução/Instagram
Falabella om Marília Pêra, Camila Turim e Frank Borges nos bastidores das gravações da quarta temporada de "Pé na Cova" Imagem: Reprodução/Instagram


O sucesso de "Pé na Cova", em sua última temporada este ano, é comemorado com empolgação por Falabella, que acredita que o programa ficará marcado na memória do público.

"Graças a Deus acabou tudo. Foi lindo. Acho que o 'Pé na Cova' ficará na história da televisão brasileira.  É um programa que conseguiu ser popular, ser poético, filosófico, humano. É absolutamente verdadeiro na sua popularidade, de ir chegando no coração das pessoas.  Gosto muito do programa, acho que foi um acerto do início. E olha que eu sofri boicote no começo, sofri bullying. A babá foi muito cortada na primeira temporada porque achavam que era um absurdo ter uma mulher desdentada, louca, gritando piranha. Mas isso é o Brasil. O Brasil é uma velha louca desdentada gritando piranha. Desculpe. É só andar na rua e ver" , dispara o autor e intérprete de Ruço.

"Os americanos que têm medo dessas coisas.  A gente tira de letra. Gosto muito do 'Pé na Cova'.  Acho que o programa deixou a marca dele", conclui.

Amigo pessoal da saudosa Marília Pêra, de Arlete Salles e Marisa Orth, protagonista de peça "Mulheres à Beira de um Ataque de Nervos", Falabella explica o que mais o encanta nas mulheres e o deixa com mais vontade de explorar o universo feminino em seu projetos.

"Acho que as mulheres verbalizam mais que os homens. Para quem vive da palavra, elas são fundamentais. Os homens embutem, as mulheres falam. Desde que eu era pequeno que as minhas tias costumavam e eu ficava embaixo da mesa ouvindo o que elas estavam falando. Aquilo já era teatro", relembra.

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