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"Estamos vivendo um momento muito delicado", afirma Otávio Augusto

André Durão/UOL
Otávio Augusto após ensaio do espetáculo "A Tropa", em cartaz no CCBB, no Rio Imagem: André Durão/UOL

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

21/03/2016 07h45

Os anos de chumbo não trazem as melhores lembranças ao ator Otávio Augusto, que viu amigos serem torturados e alguns de seus trabalhos retalhados pelas tesouradas da censura. Ainda assim, a possibilidade de provocar uma reflexão sobre o período foi um dos fatores que o trouxe de volta aos palcos, depois de sete anos, na pele de um ex-militar em "A Tropa".

"A peça retrata épocas que vivi, nos anos 60, 70. O personagem é da época do militarismo no Brasil, e tudo isso tudo me traz recordações horríveis. Ao mesmo tempo é uma maneira de se tocar nisso. Estamos vivendo um momento muito delicado", analisa o ator de 71 anos.

No espetáculo, em cartaz no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio, Otávio é um patriarca que se encontra hospitalizado, e o encontro com os quatro filhos traz à tona muitas revelações familiares. Entre um drama pessoal e outro, as conversas também fazem algumas referências a questões econômicas e sociais de que o noticiário tanto trata.

Elisa Mendes/Divulgação
Os atores Alexandre Menezes, Otávio Augusto e Edu Fernandes em cena da peça "A Tropa" Imagem: Elisa Mendes/Divulgação
Prestes a viver um político "desses que estão por aí" na novela das 21h que vai substituir "Velho Chico", Otávio não se furta a comentar o atual cenário político brasileiro, tão dinâmico que fica até difícil acompanhar. Acredita numa tentativa de um certo parlamentarismo com a nomeação de Lula para a Casa Civil, diz que teme pelo que pode acontecer com o juiz Sergio Moro e faz piada sobre uma eventual saída para a crise. "A saída é pegar um avião (risos)".

"A gente está vivendo a mesma coisa há quantos anos, de gerações em gerações? Se sai a Dilma, quem assume é o Temer, que também não é flor que se cheire. Ou o Cunha, ou o Renan. Que saída a gente tem? Todos eles têm 500 mil processos em cima. Vivemos uma capitania hereditária, onde cada família é dona de seu estado", afirma. "O problema é tomar cuidado porque o que vem de salvador da pátria não está no gibi. Esses bispos, essa turma toda vai querer se infiltrar. É um momento delicado por causa disso".

O teatro penou para driblar a censura, diz Otávio. Na época da ditadura, as arbitrariedades eram tantas que Otávio viu até a palavra brigadeiro, citada no contexto de uma festa, ser cortada sem maiores explicações. O caso aconteceu na peça "Amanhã, Amélia, de Manhã", encenada no Rio na década de 70.

Depois de experiências no cinema e na dublagem, Otávio teve sua primeira experiência nos palcos em 1966, um ano depois de ingressar no Teatro Oficina, com "Os Inimigos", de Máximo Gorki. Nesses mais de 50 anos de carreira, o ator questiona se não pecou por não ter batalhado por um papel de protagonista na televisão.

Divulgação
Flávio Silvino, Guilherme Leme, Ney Latorraca, Patrícia Travassos e Otávio Augusto em cena da novela "Vamp" Imagem: Divulgação

"Acho que fui meio idiota nisso, nunca peitei, nunca me liguei muito nisso. Talvez tenha sido um erro meu. Mas considero cada personagem como protagonista", afirma ele, que conquistou papéis de repercussão como o vampiro Matosão, de "Vamp", que este ano completa 25 anos.

"Até hoje é sucesso. Era uma loucura, as crianças se ligaram muito. Fui a várias festas infantis com decoração de vampiro, achei maravilhoso. Foi uma ousadia do Antonio Calmon (autor da novela) tratar de um tema assim", lembra. 

Otávio diz que a carreira nunca foi guiada pela vaidade. "Então estou sempre numa boa. Já há alguns anos procuro trabalhar com grupos jovens, para dar uma reciclada, saber o que está se pensando. Enquanto estiver em pé tem que caminhar", afirma.

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