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Eles se arriscam em cenas e não aparecem; qual é o barato de ser dublê?

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

24/03/2016 07h00

Eles se arriscam em atropelamentos, capotagens e caindo de prédios nas cenas mais perigosas das novelas. Pena que estão sempre disfarçados e nunca são reconhecidos pelo grande público. Vida de dublê não é fácil. O UOL conversou com alguns deles para saber, entre outras curiosidades, qual é a recompensa que eles têm.

"O trabalho do dublê é não aparecer, o profissional sabe disso. A satisfação está em ver a cena bem executada", explica o dublê Dirceu Souza, de 36 anos.

Em cenas mais complexas, eles podem viver desde o galã Cauã Reymond e até se caracterizar de mulher e virar uma personagem interpretada por Claudia Raia ou Betty Faria.

O paulista Agnaldo Bueno tem 44 anos, 20 deles na área. Ele conta que ao longo desse período trocou seu escritório de despachante para a vida sem rotina de um dublê, e hoje ele tem sua própria empresa, a No Limits Dublê. Com o número de mulheres reduzido na área, Bueno diz que já precisou usar vestido, salto alto, peruca e até unhas postiças em cena.

Reprodução/Facebook/Dirceu Dublês
Claudia Raia observa o dublê Dirceu Souza caracterizado como sua personagem Samantha para cena de "Alto Astral" Imagem: Reprodução/Facebook/Dirceu Dublês


"Já fiz personagens da Malu Mader, Bárbara Paz, Betty Faria. Essa da Betty era uma cena que ela fugia de uns cachorros, coloquei até vestido. Em 'A Casa das Sete Mulheres' também fui dublê de várias personagens. Por força do trabalho, além da técnica, você acaba aprendendo a parte da interpretação também", revela.

A dublê Monique Wenceslau é uma das que trabalham para fazer essa diferença de gênero diminiur. Mergulhadora profissional, ela tem se especializado em cenas mais complexas, como de atropelamento, queda de altura e corpo em chamas. Ela já foi dublê de Bruna Marquezine, Silvia Pfeifer, Maria Casadevall, Claudia Raia, Susana Ribeiro e atualmente tem feito cenas para a personagem de Lília Cabral na novela "Liberdade, Liberdade", que estreia em abril na Globo.

"O medo sempre existe, tem risco de morte. O dublê tem liberdade de dizer que não está confiante de fazer determinada cena, mas até hoje nunca amarelei. Essas cenas sempre são gravadas no final, com um clima de pressão de toda a equipe. Pelo fato de ser mulher, sinto que a pressão é ainda maior", explica.

Arquivo pessoal
A dublê Monique Venceslau grava cena de atropelamento em "Geração Brasil" Imagem: Arquivo pessoal


Recentemente, Cauã Reymond dividiu os méritos de Juliano de "A Regra do Jogo" com o seu dublê, Dirceu Souza, ao publicar uma foto deles no Instagram. Com 20 anos de profissão, há 12 ele substitui Cauã Reymond em cenas mais arriscadas.

"O Cauã é tranquilo, ele facilita muito meu trabalho. Por ter sido atleta, muitas vezes eu só oriento como deve ser feita a cena", explica Dirceu, que também tem sua empresa de dublês e atua como coodernador de ação, orientando atores e dublês a executarem determinadas cenas.

Reprodução/Facebook/Dirceu Dublês
Dirceu Souza é dublê de Cauã Reymond há 12 anos Imagem: Reprodução/Facebook/Dirceu Dublês


Além de Cauã, outros atores costumam dispensar dublês em cenas mais simples: Oscar Magrini, Bruno Gagliasso, Malvino Salvador, Juliano Cazarré, Rodrigo Santoro e Murilo Benício são alguns. Entre as atrizes, Carolina Dieckmann, Mariana Ximenes e Luana Piovani são as mais dispostas. A atitude desses atores não costuma deixar os diretores felizes, afinal eles precisam do elenco inteiro até o fim de uma trama.

Mesmo com muita técnica, ferimentos e arranhões são inevitáveis aos profissionais. "Já sofri alguns acidentes. A mais séria foi uma queda de um cavalo em 'A Casa das Sete Mulheres', quando acabei quebrando um braço. Nem toda a cena te dá o luxo de usar equipamento de segurança, então arranhões e escoriações fazem parte da vida de um dublê", diz Agnaldo.

A lesão mais grave de Dirceu foi uma fratura na cabeça do rádio, osso do antebraço. "Fora isso, nunca tive nada mais grave, mas hematomas e arranhões sempre acontecem", diz.

Divulgação/No Limits
Agnaldo Bueno realiza cena de capotagem Imagem: Divulgação/No Limits
 Quanto vale o show  
Os empresários explicam que o cachê varia muito de acordo com cada cena e a periculosidade dela. "O valor varia muito, pode ir de uma diária simples de R$ 800 a uma capotagem de carro ou queda de altura, de R$ 25 mil, R$ 30 mil. É difícil precisar um valor, é necessário avaliar o grau de dificuldade", explica Agnaldo, que tem dois netos e torce para os herdeiros continuem seu legado.


"Hoje em dia se filma 300% mais que há 20 anos. É preciso investir na profissão. Quando decidi ser dublê, fiz cursos de pilotagem, me especializei. Vi a profissão como uma fonte de renda."

Em geral, as pessoas que procuram a profissão são atletas e têm bom condicionamento físico. "Os dublês que chamo são profissionais de alguma modalidade esportiva. Tem gente de luta, de mergulho e aos poucos vou ensinando outras técnicas", conta Dirceu.

Mas afinal com tantos riscos, o que leva uma pessoa a querer virar dublê? "Uma pessoa se torna dublê pelo gosto por coisas diferentes, de proporcionar coisas diferentes todos os dias, você sai da mesmice", acredita Agnaldo, que desde jovem pratica paraquedismo.


 

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