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"Estou começando de novo", diz Daiana Garbin após deixar Globo

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

20/04/2016 13h24

Daiana Garbin tinha apenas 5 anos quando teve o primeiro problema com o corpo: na aula de balé sentia-se mais gorda que as outras meninas. Durante a adolescência, a questão da autoimagem continuou sendo um sofrimento e na vida adulta ela já deixou de sair de casa por conta do transtorno. Hoje, aos 34 anos, depois de um ano de terapia, diz que lida melhor com o que vê no espelho, mas sabe que muita gente tem dificuldade de aceitar o próprio corpo e decidiu transformar a própria experiência em inspiração para o canal "EuVejo com Daiana Garbin" no YouTube, seu novo projeto profissional após a despedida do jornalismo da Globo.

"Espero que a gente possa abrir uma discussão. Por que tem que ser magra? O importante, com qualquer tipo de corpo, é se amar. Esse é um assunto com o qual lido a vida inteira. E só pensei em transformar num produto no ano passado, quando tirei licença e fui fazer um curso de cinema em Nova York, quando aprendi a mexer na câmera. Nunca conseguiria falar o que eu falei com um cinegrafista junto. Foi a primeira vez que falei sem ser para alguém da família", conta.

Atualmente, a jornalista mantém uma relação saudável com o corpo (seu peso varia entre 64 e 65kg, mas ela gostaria de pesar 55kg). Faz ginástica de três a quatro vezes por semana, permite que o cardápio tenha massas e doces no fim de semana, e parou de tomar remédios para emagrecer há quatro anos. Ela, que já deixou de ir a festas por não se sentir confortável com o corpo, e já cansou de se esconder em vestidos pretos e roupas de manga, pretende usar trechos dos diários que mantinha nos momentos de crise como pauta para o programa. 

Divulgação
Daiana Garbin produz, filma e edita sozinha os vídeos de seu canal no YouTube Imagem: Divulgação

Temas como anorexia, bulimia e vigorexia serão discutidos com a ajuda de especialistas e também com depoimentos dos espectadores. Daiana conta que, por conta do tema delicado, tem certo receio de reações negativas. "Tenho medo de ser julgada pelas pessoas, de isso ser visto como futilidade. Mas durante meu tratamento descobri que é um transtorno de fato e não excesso de vaidade. Meu sonho era falar sobre isso, tenho certeza de que muitas pessoas vão se identificar. Já recebi o primeiro email, e o fato de ser de um homem me surpreendeu muito", conta.

Ansiedade é a palavra que define a nova fase da jornalista, que diz nem conseguir dormir direito. Acostumada ao apoio de uma grande equipe de TV, ela agora filma, edita, produz, faz tudo sozinha. E garante que o canal de vídeos é o primeiro passo do projeto, que deve incluir um blog em breve. "Está sendo muito novo, parece quando eu trabalhava na RBS TV (afiliada da TV Globo), conheço o processo, comecei minha carreira assim. Estou me sentindo uma adolescente que está começando de novo. Se você me perguntar se não fiquei com medo de largar um emprego certo e arriscar, tive muito. Mas é um projeto do coração, vou poder ajudar as pessoas", garante ela, que não tem nenhum tipo de patrocínio.

Nas redes sociais, a mulher de Tiago Leifert sente o carinho do público que a acompanhava nas reportagens do "SPTV" e do "Bem Estar". Mas ela diz que não formatou o projeto pensando em apresentá-lo a algum canal de TV. Na verdade, ela já mirava num outro público. "Meu sobrinho de 12 anos nunca me viu na televisão, ele é de uma geração que só usa o computador. Meu sonho é que crianças e adolescentes não passem pelo que eu passei. Não vou fazer reportagem, vou contar histórias. Conversar é o meu objetivo", diz.

Depoimento de Daiana no primeiro vídeo:

"Tenho 34 anos e desde os 5 eu odeio meu corpo. Eu me olho no espelho todos os dias, me sinto gorda, queria ser magra, já fiz as maiores loucuras que vocês podem imaginar para emagrecer, porque queria ser magra, seca, igual àquelas modelos, palitinhos. Porque acho aquilo lindo, não sei de onde vem que o magro é bonito e para ser bonito e feliz tem que ser magra. Isso me persegue, e não estou sozinha. isso é uma tortura, um sofrimento que a gente só guarda em nosso coração"

"Eu pensei que era fútil, uma adolescente mimada. Achei que ia passar, só que isso não aconteceu. Tenho muita vergonha de dizer que eu já fiz lipo três vezes e continuo me achando gorda. Continua sendo uma batalha todos os dias. Vocês nunca vão me ver de braço de fora porque odeio o meu braço, ele é gordo. Odeio sair em foto"

"Já tomei todos os remédios para emagrecer. Já tentei ter bulimia, tentei vomitar depois de comer e não consegui. Já tentei ser anoréxica. Li num blog que toda vez que sentisse fome eu enfiasse colocar a cabeça perto do lixo, porque eu ia ter nojo e não ia comer. Mas não adiantou. Parece engraçado, mas vocês não entendem o tamanho do sofrimento"

 

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