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Para amigos e familiares, Magnani será lembrado por bom humor e carinho

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

28/04/2016 15h12

Discreto e às vezes pouco lembrado pelo seu nome entre o público, Umberto Magnani ficará na memória das pessoas próximas a ele pelo seu bom humor. Enquanto se despediam do ator no teatro de Arena, em São Paulo, nesta quinta-feira (28), amigos e familiares destacaram o temperamento brincalhão e afetivo de Umberto.

"Ele era uma pessoa muito engraçada, só falava bobagem", disse ao UOL Irene Ravache. "A última vez que vi o Umberto foi lá no Projac, com cigarrinho na mão. Falei 'ainda no cigarrinho?' E nós demos risada".

Amigo de longa data de Magnani, o ator Genezio de Barros contou ao UOL que os dois costumavam se divertir muito juntos - e que ele inclusive frequentava a casa da família do artista, em Santa Cruz do Rio Pardo. "A gente tinha uma aproximação grande. Descíamos o Rio Santa Cruz de boia. Ele era um menino no corpo de um adulto, gostava de brincar, fazer sacanagem".

Barros ainda falou que Magnani finalmente vivia um papel à sua altura, como o padre Romão de "Velho Chico". "Finalmente haviam dado um papel decente, à altura do talento dele. Mas ele cumpriu a missão. Foi rápido, não ficou sofrendo".

Imagem: Léo Franco/AgNews
Taumaturgo Ferreira lembra do amigo piadista. "Se Magnani fosse comentar a morte dele, ele ia falar: 'bom, se até o Prince e o David Bowie morreram, só me resta fazer o mesmo, tchau' Imagem: Imagem: Léo Franco/AgNews
Amigo de Magnani desde 1981, quando atuaram juntos na peça "Lua de Cetim", Taumaturgo Ferreira disse que nunca ouviu o ator fazer uma reclamação. "Nunca vi o Magnani reclamar de nada. Nunca vi ele ter uma atitude de impaciência, arrogância. Era sempre alegre, sempre irreverente, amado por todos. Acho que ele cumpriu a missão dele com bastante alegria, bastante leveza. Falei pro Betinho [Beto Magnani, filho de Umberto] e ele até deu risada, que se o Magnani fosse comentar a morte dele, ele ia falar: 'bom, se até o Prince e o David Bowie morreram, só me resta fazer o mesmo, tchau'".

Ferreira, cujo último trabalho com Magnani foi na novela "Ribeirão do Tempo", ainda contou que o amigo gostava de pregar peças - e ele próprio acabou colaborando com uma. "Eu ia voltar do Xingu e começar a ensaiar uma peça. Estava tudo acertado. Aí eu combinei com ele, ele veio pra São Paulo. Ele encontrou os produtores e falou que eu não ia fazer a peça, que a peça não estava a minha altura, que ele tinha me aconselhado a não fazer, que o diretor era péssimo, que o autor era péssimo. Pregou a maior peça nos caras. Depois agente falou a verdade. Mas essa era uma delas, ele estava sempre aprontando."

O afeto e o bom humor do ator também estão entre as lembranças da atriz Sandra Coverloni, que atuou com ele na série inédita "A Grande Viagem", que será exibida pela TV Brasil. Na produção, Magnani é um senhor com Alzheimer, pai da personagem de Sandra.

"Era a coisa mais fofa", contou a atriz. "Foi uma delícia, ele foi o pai mais fofinho que já tive na ficção. Ele tem os olhos mais doces. Cara acolhedor, deixava todo mundo à vontade. Não tinha ninguém que falava 'ah, o Umberto'..."

Segundo Sandra, os dois brincavam bastante no set de filmagens. "Teve uma cena que era nós dois sentadinhos, na cama. Aí antes a gente ficava: 'tranqueira', 'boba', 'tonto'. Aí a gente gravava, bonitinho, e depois começava de novo, a gente ficava brincando. Vai fazer muita falta".

O ator-mirim Antônio Haddad Aguerre, 10, foi o único a lembrar que Magnani também ficava bravo, apesar do jeito engraçado. Os dois trabalharam juntos entre 2014 e 2015, na peça "Elza e Fred". "Ele me ensinou tudo sobre teatro. Era brincalhão demais. Mas eu também adorava quando ele ficava bravo. Ele era mais risonho do que bravo".

Leopoldo Pacheco, que esteve na primeira fase de "Velho Chico", lembrou da boa convivência que teve com o amigo durante dois meses de filmagens no Nordeste. "O Magnani tem um humor muito particular, ele é uma pessoa muito humana, muito digna, muito amorosa, aquela alma que você pode não desgrudar mais. Tenho essa pessoa fraterna que ele é. O mundo está tão difícil, tão despedaçado. E ele era um eixo nesse lugar, de saber que você pode ser feliz, que, apesar de tudo, viver vale a pena".

Amauri Nehn/Brazil News
Rodrigo Lombardi vai ao velório de Umberto Magnani com o filho, Rafael Imagem: Amauri Nehn/Brazil News


Rodrigo Lombardi, que também contracenou com Magnani na primeira fase de "Velho Chico", lembrou o amor que o colega tinha pelo teatro. "Cara sensacional, de extremo bom humor, altivo, sorridente. Todo mundo queria estar perto dele, era um sábio. Sabia tudo de teatro, estava sempre assistindo tudo, eu sempre encontrava com ele no teatro. Sempre que a gente se encontrava, a gente falava dos problemas do teatro, da virtude do teatro. É uma pena, mas nos cabe aceitar o fim dessa peça".

Irmão do ator, Gil Magnani destacou que ele sempre era os centros das atenções. "Umberto era sempre alegre, estava sempre contando piada, apoiando, prestigiando. Ele aumentava um fato para fazer as pessoas rirem. No teatro, na TV, ele era o centro das atenções. Ele era bondoso, muito bondoso, e acolhedor, acolhia todo mundo. Ele sempre mantinha a família unida".

Beto, filho do ator, contou que, como pai, Magnani também prezava pelo bom humor. "Ele sempre foi esse cara solícito, gente boa, engajado, sempre bem-humorado. Aqui, ele estaria contando piadas".

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