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"Jô me ensinou a me expressar melhor", conta Alex, o garçom do talk-show

6.mar.2016 - Garçom do Jô há 25 anos, Alex entrou por fatalidade no programa - Ramon Vasconcelos /Globo - Ramon Vasconcelos /Globo
6.mar.2016 - Garçom do Jô há 25 anos, Alex entrou por fatalidade no programa
Imagem: Ramon Vasconcelos /Globo

Matias Salse

Do UOL, em São Paulo

16/05/2016 08h00

Ele pode não ter um papel de destaque no "Programa do Jô", mas com certeza é uma das figuras mais carismáticas da televisão brasileira. Garçom do Jô há 25 anos, Luís Alexander Rubio Bernales, mais conhecido com Alex, ganhou espaço no programa pela sua discrição. Quanto mais sua timidez saltava aos olhos dos telespectadores, mais o apresentador se interessava em colocá-lo em frente às câmeras.

"O Jô, no começo, aproveitava minha timidez. Minha reação era espontânea e ele achava muito engraçado. Nada era combinado. Eu era muito tímido, era uma ostra, totalmente fechado. O Jô me ensinou a me expressar melhor. Hoje em dia estou um pouco cara de pau e rio muito com as brincadeiras que ele faz comigo", conta o chileno em entrevista ao UOL.

O chileno Alex trabalha com Jô Soares desde 1991 - Ramon Vasconcelos /Globo - Ramon Vasconcelos /Globo
O chileno Alex acompanha Jô Soares desde 1991
Imagem: Ramon Vasconcelos /Globo
Com 52 anos e morando no Brasil desde 1985, Alex deixou o Chile devido à ditadura do general Augusto Pinochet. Seis anos depois, uma fatalidade o levou à equipe de Jô Soares. Ele "herdou" o lugar do seu primo, que ocupava o posto de garçom do apresentador e morreu em 1991.

"Foi uma coincidência muito triste. Fiquei profundamente chocado com a morte dele porque eu o adorava, era uma pessoa muito especial. Na época, a produção soube que eu também era garçom e me chamou. Foi um pouco estranho, porque foi uma época muito triste para mim. Mas aceitei o desafio, e o Jô me aceitou também. Isso foi o mais importante", conta.

Mesmo não sendo amigo íntimo de Jô, Alex criou uma relação com o apresentador que vai além do convívio entre patrão e funcionário. "Nossa relação é profissional, mas é lógico que tem amizade, tem um carinho. Sempre falo para ele que eu o amo por tudo que ele representa na minha vida. Ele só tem me ajudado, diretamente e indiretamente. Nesse sentido, acho que ele é um dos meus melhores amigos", elogia o chileno.

Morador do bairro do Ipiranga, na capital paulista, o garçom vive há 28 anos com uma chilena que conheceu no Brasil e diz que só costuma ir a festas quando é para trabalhar. "Minha rotina é pacata. Tenho poucos amigos, mas verdadeiros. Gosto do campo, de contemplar, de aprender observando. Às terças e quartas-feiras trabalho com o Jô e nos outros dias trabalho em eventos e festas particulares", revela.

Com o fim do "Programa do Jô", que exibe sua última temporada neste ano, Alex, 52 anos, ainda não tem planos para 2017, mas tem um desejo: quer continuar trabalhando com Jô. Segundo o colunista Flávio Ricco, o apresentador pode levar o seu talk show para o GNT.

"A gente está fazendo a última temporada da melhor forma possível, com mais afinco e mais vontade, como se fosse a primeira vez – talvez até melhor. Eu não costumo fazer muitos planos para o futuro, sempre confio muito em Deus. Quando chegar o momento, vou saber tomar o meu caminho. Mas se eu tiver a oportunidade de continuar trabalhando com ele [o Jô], por que não? Eu adoraria", diz.

Mesmo com o futuro incerto, Alex não pretende voltar para a sua terra natal. Adaptado à vida no Brasil, ele acredita que seria difícil se acostumar a morar no Chile novamente.

"Estou me fazendo essa pergunta agora, porque minha mãe tem me pedido para voltar. Estou acostumado ao Brasil e ao povo brasileiro, que eu amo do jeito que ele é. O meu povo é muito diferente, pela região, pelo clima, a gente é mais acostumado a viver em lugares fechados, e as pessoas também são mais fechadas. Eu gosto mais daqui. Depois de 30 anos, acho que não iria me acostumar ao frio do Chile e aos terremotos", conclui.

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