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Após serial killer, James Purefoy buscou papel com "amor no coração" na TV

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

28/05/2016 07h00

Três anos intensos interpretando um serial killer em "The Following" foram o suficiente para que James Purefoy buscasse um próximo personagem na TV, digamos, mais leve. Quando as filmagens da série terminaram, o ator de 51 anos já estava de malas prontas para voltar à Inglaterra quando, graças à indicação do amigo Michael Kenneth Williams, acabou ganhando um dos protagonistas de "Hap and Leonard", exibida no Brasil pelo Sundance Channel.

"Eu queria algo bem diferente. Se você passa sua vida na pele de alguém tão niilista e sombrio como Joe Carroll, você quer ir para a luz. Aquele é um lugar muito sombrio. Queria viver alguém que tivesse um pouco de bondade e amor na coração", conta o ator, em entrevista ao UOL por telefone.
 
"Michael me deu o papel, na verdade. Eu o conheço há anos, somos amigos. Trabalhamos juntos [na série 'The Philantropist', em 2009] e queríamos voltar a fazer outra coisa juntos. Ele me chamou e disse: 'Vou ser Leonard nessa história sobre dois melhores amigos no Texas'. Ele me mandou o roteiro e me apaixonei pelo personagem de cara", lembra.
 
A atração, criada por Jim Mickle e Nick Damici a partir dos livros de Joe R. Lansdale, conta a história de Hap Collins, antigo ativista que passou um tempo preso por ter se recusado a lutar na Guerra do Vietnã, e Leonard Pine, um veterano negro e gay assumido, que foi rejeitado pela família. Depois de perder o emprego numa plantação de rosas, os dois recebem a tentadora proposta de ganhar uma bolada se entrarem no plano de Trudy (Christina Hendricks). 
 
"Todo mundo que cresceu numa área industrial ou de agricultura, não importa se é no Texas, em Ontário ou na Austrália, entende um homem como Hap. O sonho americano não aconteceu para ele, que já passou dos 40 anos e não ficou rico, embora trabalhe muito", analisa Purefoy, nascido em Somerset, na Inglaterra, onde diz ter conhecido pessoas com histórias parecidas com o personagem.
 
Ex de Hap, Trudy faz um jogo de sedução com ele antes de apresentar a dupla a outros parceiros do plano: Howard (Bill Sage), Chub (Jeff Pope) e Paco (Neil Sandilands). E fica claro que o envolvimento entre os dois ainda envolve sentimentos adormecidos.
 
"É claro que ele a ama, olhe para ela, pelo amor de Deus! Ela tem uma incrível semelhança com Christina Hendricks, de 'Mad Men' (risos). Ela é aquela mulher muitos homens têm na sua vida: apaixonaram-se quando jovens e tiveram seus corações partidos pela primeira vez. E, de alguma maneira estranha, seu coração sempre pertencerá a ela. Trudy o traiu e voltou à vida dele. É a segunda chance que ela tem de não traí-lo", conta.
 
Joe Carroll (James Purefoy) na série "The Following" - Reprodução - Reprodução
Purefoy como o serial killer Joe Carroll na série "The Following"
Imagem: Reprodução
 
Abandonar seu característico sotaque britânico para viver o texano foi o menor dos desafios para o ator, que encarou até um tornado durante as filmagens em Louisiana. "De repente, o céu ficou verde, ventava muito e choveu como nunca tinha visto. Era nosso primeiro dia, então não queríamos parar, mas tivemos que ir embora. É uma região cheia de jacarés, aranhas, heras venenosas, muita coisa que pode te machucar. Tem que ter muito cuidado quando se grava num pântano. Eu, que vim da Inglaterra, não estava acostumado", brinca.
 
Assim como nos romances, a trama da série é ambientada nos anos 80, fator que contribui para a dramaturgia, acredita Purefoy. "O bom é que nessa época não havia internet. Os celulares destruíram muitas histórias. Se você precisa descobrir alguma coisa sobre qualquer assunto, só precisa procurar no Google. Em 'Hap and Leonard', você precisa achar uma cabine telefônica, não pode tirar um celular do bolso. Tem que se esforçar mais para se safar dos problemas", analisa.
 
Envolvido atualmente nas filmagens de "Churchill", o ator diz que a série de seis episódios funciona bem como um longo filme, mas diz que gostaria de fazer uma segunda temporada. "Ainda temos muitas histórias para contar. Agora que as pessoas conhecem os personagens, podemos ir muito mais longe e mostrar como eles se comportam em determinadas situações. As pessoas amam a série", conta.

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