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"Não podemos deixar de abordar", diz autor sobre estupro em "Escrava Mãe"

Edu Moraes/Rede Record
No primeiro capítulo de "Escrava Mãe", Luena (Nayara Justino) dando à luz Juliana (Gabriela Moreyra), a protagonista da história Imagem: Edu Moraes/Rede Record

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

31/05/2016 07h00

Há mais de um ano, quando “Escrava Mãe” foi encomendada pela direção da Record, o autor Gustavo Reiz resolveu “tomar a liberdade” de criar uma personagem feminista que pudesse “dialogar com os tempos atuais” e funcionasse como uma “voz de consciência no meio do contexto tão limitador em que as mulheres viviam”.

Inspirada na historiadora francesa Olympe de Gouges, a moderna Filipa (Milena Toscana), uma mulher que luta para ter os mesmos direitos que os homens, será um bem-vindo contraponto aos dramas pesados reservados para as figuras femininas. Já no primeiro capítulo da novela, que estreia nesta terça-feira (31), a escrava angolana Luena (Nayara Justino) será estuprada pelo traficante Osório (Jayme Periard) a bordo de um navio negreiro.

“Não queremos chocar o telespectador, mas não podemos deixar de abordar algo que era tão comum”, explica Reiz em entrevista ao UOL. O crime resultará no nascimento de Juliana (Gabriela Moreyra), a mocinha da novela. “Juliana descobrir que é filha de uma violência faz com que ela se torne uma mocinha combativa, inconformada, determinada a fugir daquele horror que era considerado normal, levantando questões profundas e importantes sobre o tema”, continua o autor.

A cultura do estupro

Divulgação/Record/Edu Moraes
Nayara Justino interpreta a escrava angolana Luena em "Escrava Mãe" Imagem: Divulgação/Record/Edu Moraes
Em meio à repercussão do caso de uma adolescente estuprada por mais de 30 homens no Rio de Janeiro, Reiz diz considerar essencial que a violência sexual contra mulheres seja abordada na ficção, principalmente em uma obra de embasamento histórico, como é “Escrava Mãe”.

Livremente inspirada no livro de Bernardo Guimarães, “Escrava Mãe” conta a história anterior aos acontecimentos narrados em “Escrava Isaura”. As duas obras têm em comum o fato das protagonistas, escravas, serem objeto de obsessão de homens poderosos.

“A novela aborda questões mais que relevantes e que jamais devem ser esquecidas. A violência está entre elas, assim como o preconceito. Episódios revoltantes acontecem com frequência, é importante que sejam largamente debatidos. Muito do que somos hoje tem a ver com o nosso passado, com a construção do nosso povo”, diz.

O dramaturgo disse acreditar na existência de uma cultura do estupro, tema levantado por movimentos feministas logo depois do início das investigações sobre o caso da adolescente violentada.

“Por mais que seja algo assustador, vergonhoso e retrógrado, tendo a acreditar que sim [existe uma cultura de estupro]. Mas tenho receio quando isso é usado como justificativa. Ter a consciência é fundamental, mas nada ameniza um caso como o que testemunhamos no Rio de Janeiro e outros que acontecem sem que tenhamos conhecimento. Se existe essa tão repugnante cultura, que nos mobilizemos para mudar, para combater, cobrar punições. É assim que mudanças acontecem”, afirma Reiz.

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