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"Nós, mulheres, conquistamos cada vez mais espaço", diz Cissa Guimarães

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

09/06/2016 08h00

Entre gestos, sorrisos e brilho no olhar, Cissa Guimarães fala com orgulho de seu trabalho e de sua história. Apesar dos dramas da vida, ela deixa claro que é forte, positiva e renova as energias soltando boas gargalhadas. Mulher independente e mãe de três filhos, a atriz recebeu a reportagem do UOL na última sexta-feira (3) e relembrou que veio de uma geração da década de 70, que sugou um pouco do movimento feminista da década de 60 e que isso interferiu diretamente em sua formação.

AgNews
Cissa Guimarães cuida do corpo mas não é radical Imagem: AgNews
"Minha adolescência era paz e amor, e a gente já estava com uma liberdade sexual, uma liberdade de amores. Nunca casei. Vim de uma família careta, tradicional e avisei: 'Não vou casar, não acredito'. Eu digo que casei três vezes, mas não assinei papel nenhum. Nós, mulheres, conquistamos cada vez mais espaço, mas acho que ainda falta muito", opina ela, que admira a busca por liberdade das mulheres atualmente, mas acha que elas não precisam perder a feminilidade para ir à luta. "Acho que a fêmea é a fêmea. O grande barato da gente é ir pra rua, gritar, mas a feminilidade eu acho bonito em qualquer lugar".

Aos 17 anos, Cissa decidiu sair de casa e foi atrás de sua felicidade, mesmo contra a vontade dos seus pais, e foi morar com o ator Paulo César Pereio. "Saí sem pedir um tostão, sabia que eu estava causando uma dor, porque eles queriam que eu casasse, que eu me formasse. E eu queria fazer teatro, estava apaixonada por um ator louco, queria ficar com ele. Passei muito perrengue, mas e aí? Talvez se eu casasse com um rapazinho que minha mãe e meu pai queriam eu também passasse por muito perrengue", lembra ela, que diz ser bem diferente de Beatriz, a personagem da peça "Doidas e Santas", que estreou em 2010 e voltou para curtíssima temporada no Rio de Janeiro.

Nos palcos, ela vive uma psicanalista que leva um casamento de quase 30 anos e só se dá conta de que é infeliz quando lhe perguntam quando foi a última vez que deu uma gargalhada, ela não se recorda. "Uma hora a gente se toca. As mulheres estão demorando cada vez menos para se tocar e ir atrás da sua felicidade. Acho que a gente está aqui pra ser feliz, é o único motivo", conta Cissa, que teve três maridos. Com Pereio, ela teve os filhos João Velho e Tomás Velho. O caçula, Rafael Mascarenhas, morto em um atropelamento em 2010, é fruto do casamento com o saxofonista Raul Mascarenhas. Ela também foi casada com o médico João Baptista Figueira de Mello.

Aos 59 anos, Cissa Guimarães está procurando um novo amor. Ela admite que já se relacionou com homens machistas, mas o namoro não emplacou porque "homem machão tem um certo medo de mulher independente". Com o tempo, ela diz que ficou mais exigente e aprendeu a selecionar melhor. Agora ela busca um parceiro carinhoso, bem-humorado e gentil. "Gosto de um homem bacana, que me mande flores, que puxe uma cadeira. Eu quero ser tratada assim, como também quero tratar bem esse homem, ser bem feminina pra ele, quero estar linda pra ele", diz.

Divulgação
Cissa Guimarães, Giuseppe Oristânio e Josie Antello em "Doidas e Santas" Imagem: Divulgação
Na comédia romântica "Doidas Santas", Cissa contracena com o ator Giuseppe Oristânio, que faz Orlando, marido de Beatriz e um típico machista grosseirão. "Quando comecei essa peça eu falei: 'não quero falar mal de homem, porque adoro homem, é uma coisa que eu preciso, necessito e adoro'", conta Cissa às gargalhadas.

Além de Oristânio, e peça tem a atriz Josie Antello, que garante momentos hilários ao interpretar a irmã, a mãe e a filha adolescente de Beatriz.

"Não é uma peça que veio para mudar o panorama do teatro, é uma peça que toca o coração das pessoas. Acho que arte pra mim é isso, com intensidades diferentes. Não precisa mudar sua vida, mas se você sai do teatro pensando, pra mim já valeu", diz.


Doidas e Santas
Quando:
até 2 de julho. Quintas e sextas, às 19h30, aos sábados às 19h
Onde: Teatro Sesi Centro - Av. Graça Aranha, 1, Centro, Rio de Janeiro
Quanto: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia-entrada)
Classificação: 16 anos
Mais informações: (21) 2563-4163 ou cultura.arte@firjan.org.br

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