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Winona Ryder estrela série e diz que os 40 a libertaram dos papéis de jovem

Divulgação/Netflix
Winona Ryder é a protagonista da séria "Stranger Things", da Netflix Imagem: Divulgação/Netflix

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Los Angeles

29/06/2016 07h00Atualizada em 25/07/2016 16h55

Ela foi a musa de Drácula e de Edward Mãos de Tesoura e estrela de diversas grandes produções do cinema nos anos 1990, mas seu último grande papel foi em 1999, com “Garota Interrompida”, filme que revelou Angelina Jolie.

De lá para cá, no entanto, Winona Ryder parece ter sofrido da mesma “maldição” que sua personagem em “Cisne Negro”: a bailarina decadente que tem que ceder seu lugar sob os holofotes para as novas estrelas — impossível não imaginar o paralelo que o diretor Darren Aronofski fez entre ela e Natalie Portman, a protagonista do filme.

Tivesse Portman sido estrela nos anos 1980 e 1990, e Winona nos anos 1990 e 2000, a inversão de papéis talvez tivesse sido a mesma. Devido a seu tipo físico, ambas as atrizes sempre interpretaram personagens mais jovens que elas, bastante sensíveis e, em alguns casos, à beira da loucura.

Agora, Winona está de volta como estrela da nova série de terror/suspense da Netflix “Stranger Things” — criada pelos irmãos Mark e Ross Duffer e lançada no dia 15 de julho. Esta é sua primeira série de TV como protagonista.

Durante uma entrevista por telefone feita na semana passada, a atriz falou de como fazer 40 anos foi libertador em termos de escolha de papéis.

“Eu tive muita sorte. Desde que cheguei aos 40, foi meio que libertador para mim. Finalmente consegui um papel de acordo com minha idade. Por alguma razão, durante meus 30 eu tinha dificuldade em fazer esse tipo de papel porque as pessoas sempre associaram meu trabalho a papéis que fiz quando era muito jovem. E, vocês sabem, conforme você envelhece, quer fazer coisas diferentes e não ficar se repetindo”, analisa.

No entanto, sua personagem Joyce não é necessariamente algo que fuja totalmente ao repertório de Winona.

Divulgação
Personagem de Winona fica obcecada por encontrar o filho desaparecido Imagem: Divulgação
Mãe de um garoto que fora abduzido por criaturas desconhecidas, ela fica obcecada por encontrar o garoto e vai se descolando da realidade.

Passada no ano de 1982 e ambientada em uma pequena cidade do interior americano, “Stranger Things” tem em sua direção de arte e em seu estilo de narrativa um tanto “noir” semelhanças com “Twin Peaks”, da David Lynch — série cuja ressurreição já está em curso pelo canal Showtime.

Obviamente que a população da cidade passa a ver com estranheza o comportamento de Joyce — assim como sua Mina, em “Drácula de Bram Stoker” ou sua Susanna em “Garota Interrompida”. E mesmo Winona Ryder, a atriz, já deu motivos para ter sua sanidade posta em xeque, especialmente quando veio a público sua cleptomania ou, ainda, durante esta entrevista, quando a reportagem perguntou a ela qual a relevância dos anos 1980 para a história contada em “Stranger Things”. Ela começa a falar sobre teorias conspiratórias.

“Definitivamente há algo de muito diferente naquele tempo. Obviamente, eu hesito em usar a palavra ‘inocente’, porque havia coisas terríveis acontecendo no mundo [nos anos 1980], como o apartheid, a corrupção no governo Reagan etc. E esta série tem um elemento muito importante que são as teorias conspiratórias, nas quais eu acredito piamente”, diz a atriz.

Embora pareça um pouco descompensada ao misturar diversas ideias numa mesma narrativa e de repetir constantemente a muleta linguística “you know” a cada frase (o equivalente ao “tipo assim” no português), a construção de sua personagem não é ilógica.

O que acontece com minha personagem é o pior pesadelo de qualquer pai. Fiquei pensando nisto depois dos atentados de Orlando. Chorei o dia todo. Não saber onde está seu filho e não tê-lo por perto é inimaginável
Winona Ryder

Muito ao contrário, Joyce é uma mãe solteira de dois filhos que trabalha como um condenada em dois empregos para dar conta das demandas do lar. Quando seu filho desaparece, ela passa a ser consumida pela culpa, pois não estava em casa no momento em que ele mais precisava de sua ajuda. E neste ponto seu papel tem tudo para conquistar as inúmeras mães coragem do mundo que passam por esse mesmo drama, mas sem criaturas sobrenaturais, claro…

“Essencialmente o que acontece com minha personagem é o pior pesadelo de qualquer pai. Fiquei pensando nisto depois dos atentados de Orlando. Chorei o dia todo. Não saber onde está seu filho e não tê-lo por perto é inimaginável. Por isso fui questionar minha mãe. Falei pra ela: ‘Mãe, chegou num ponto da história em que ela começa a acreditar que pode se comunicar com o filho através de luzes e todo mundo acha que ela perdeu o juízo. Mas aí minha mãe me disse: ‘Ah, não, eu acreditaria em qualquer coisa numa situação dessas. Eu teria que acreditar, aliás’”.

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