Novelas

"O amor que existe é lindo", diz Ricardo Pereira sobre Tolentino e André

João Cotta/Globo
André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira) em cena de "Liberdade, Liberdade" Imagem: João Cotta/Globo

Do UOL, no Rio

05/07/2016 15h48

André (Caio Blat) tem vivido momentos de conflitos para aceitar sua sexualidade em "Liberdade, Liberdade". O sentimento dele por Tolentino (Ricardo Pereira) e seu jeito delicado têm feito seu posto de sucessor da família ser questionado, já que todos desconfiam dele por isso.

No capítulo previsto para ir ao ar no dia 12, Tolentino reassume o posto de Coronel, mas é humilhado por Rubião (Mateus Solano) e bebe para esquecer seus problemas. A única coisa que tem feito sentido em sua vida é a grande amizade com André, que na verdade é um sentimento mais forte que ele. Os dois não resistem e se entregam então à paixão.

A história deles não se resume a um beijo.

Ricardo Pereira, sobre Tolentino e André

"A história deles não se resume a um beijo. O que eles sentem um pelo outro pode ser visto ao longo da trama, um sentimento que vem sendo explorado dentro do que se podia viver perante a sociedade naquela época, dentro do que ensinaram para eles que é certo ou errado. Esse crescente da relação é visível. O amor que existe ali é lindo e traz muito do que a novela defende: a luta contra o preconceito, contra a intolerância e pela igualdade entre todas as pessoas”, comenta Ricardo Pereira.

João Cotta/Globo
O diretor artístico Vinicius Coimbra ensaia cena com André (Caio Blat) e Tolentino (Ricardo Pereira), de "Liberdade, Liberdade" Imagem: João Cotta/Globo
 Mais do que amizade, o que André e Tolentino sentem um pelo outro é um amor, maior do que o corpo pode controlar, um amor que existe já condenado pois na época esse tipo de relação, chamada sodomia, é um crime passível de morte.

"A proposta de desenvolvimento da história entre os dois é de discutir o preconceito, de debater a intolerância, e isso terá um fechamento surpreendente. Trazemos a história de duas pessoas que têm sentimentos, mas não podem vivê-los, pois este é um período em que as relações do mesmo gênero eram proibidas por lei", explica o autor Mário Teixeira.

A cena deve ir além da relação homossexual destes dois personagens. Ela deve refletir o drama de cada pessoa que sofre algum tipo de repressão ou condenação social, seja por sexo, cor, religião ou qualquer outra forma de segregação.

Vinícius Coimbra, diretor da novela.

O autor conta que Tolentino e André são dois homens solitários, que vivem seus próprios, e diferentes, conflitos. Com o tempo, a atração começa a existir, mas os dois resistem muito a ceder ao que sentem um pelo outro, até que o amor entre eles fala mais alto.


Após Tolentino sofrer mais uma humilhação do Intendente, André cuida do amigo e ouve uma declaração: "Tenho um só amigo. Você, André. Que é sensível. Capaz de entender os mistérios da vida. As voltas que o mundo dá. As surpresas que a vida nos reserva".

O capitão lembra que o próprio André falou que todos têm uma segunda natureza. Em seguida, os braços dos dois se entrelaçam, eles trocam olhares profundos e se entregam ao sentimento contido.

"A cena, creio eu, deve ir além do desejo represado, da relação homossexual destes dois personagens. Ela deve refletir o drama de cada pessoa que sofre algum tipo de repressão ou condenação social, seja por sexo, cor, religião ou qualquer outra forma de segregação", esclarece Vinícius Coimbra, diretor artístico da novela.

Caio Blat está feliz por estar representando essa história. "Contribui num sentimento geral da novela de tratar de diversas formas de preconceito, de discriminação. Eu acho que esta é uma novela madura, as pessoas percebem que são temas contemporâneos que estão sendo tratados com um pano de fundo histórico. Tenho muito orgulho de estar representando esse personagem que é comovente, lindo", afirma o ator.

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