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Elenco de "Supermax" aprendeu a reagir a perna amputada e estrangulamentos

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

19/07/2016 07h10

Ainda são poucos os detalhes conhecidos de "Supermax", mas é certo que a série, prevista para estrear em outubro, na Globo, é desafiadora não apenas para o público. Roteiristas, diretores e atores precisaram descobrir novos processos de trabalho para dar vida ao reality show da ficção que confina sete homens e cinco mulheres num presídio de segurança máxima no meio da Amazônia. Apostando numa mistura de gêneros como suspense, terror e thriller policial, a atração, criada pelo diretor José Alvarenga Jr. e pelos roteiristas Marçal Aquino e Fernando Bonassi, exigiu um mergulho do elenco, encabeçado por Mariana Ximenes, Cleo Pires e Erom Cordeiro, em emoções pouco exploradas na televisão brasileira.

"Estamos falando de um estilo e de um gênero de filmagem que a gente nunca teve. Como é que um ator interpreta sua perna sendo amputada a sangue frio? Ou encontra uma aberração na cela? Essa vivência os atores brasileiros não têm como buscar internamente. A nossa linha de dramaturgia é mais o drama, que vem do melodrama. É importante que eles soubessem viver essas emoções, a de ser jogado na parede e ser estrangulado, por exemplo", explica o diretor.

Atores americanos nascem nesse universo, têm essa referência. A gente teve que aprender.

Diretor José Alvarenga Jr.

Antes das gravações, o elenco fez uma preparação específica com o argentino Eduardo Milewicz e ainda teve duas semanas de trabalho intensivo com o cineasta José Eduardo Belmonte, que dirige quatro dos 12 episódios. Só depois é que começaram as gravações propriamente ditas - que duraram cerca de cinco meses e já foram totalmente encerradas. "Havia a necessidade de trabalhar esses medos, que não são comuns. Então os atores se esforçaram muito para entrar nesse ambiente. Essa é uma dificuldade que surge sempre que se cria um gênero. Atores americanos nascem nesse universo, têm essa referência. A gente teve que aprender", compara Alvarenga.

Caiuá Franco/Globo
Mariana Ximenes é Bruna na série Imagem: Caiuá Franco/Globo

O próprio Belmonte, realizador de filmes como "Alemão" e "Se Nada Mais Der Certo", classifica a experiência como uma das mais transformadoras de sua carreira. "Quando li os roteiros, me deu um misto de alegria e pânico. É muito difícil, é um texto que exige muito do diretor. Mas acho que quando você é confrontado é que amadurece. E nunca fui tão confrontado", afirma.

Coube a ele conduzir algumas das cenas mais violentas da série, que, pelo material já divulgado, promete ir mais fundo nessa seara do que outros produtos da TV aberta. "Foi um grande desafio, eram cenas muito complexas. Mas tivemos bons coreógrafos de luta acompanhando a equipe, storyboard em algumas sequências, a gente via referências. Foi preciso um grande planejamento", lembra.

Segundo Alvarenga, no entanto, não houve nenhuma interferência na emissora para pegar mais leve no conteúdo. "A gente não abriu mão de nada. Tudo que foi escrito vai para o ar. Em nenhum momento, tivemos algum sinal contrário por parte da Globo. Tivemos carta-branca", garante.

Promessa de inovação na narrativa

Segundo o trio de criadores, a narrativa também será inovadora, valorizando gêneros diferentes a cada episódio, e sem a reiteração comum nas novelas, por exemplo. "Provocamos perguntas que talvez só sejam respondidas no episódio 5. O público terá que ser muito atento, vai ter que correr atrás. Ninguém fica recontando a história", afirma Alvarenga, que teve a ideia inicial depois de ver a primeira temporada de "True Detective". "Fiquei impressionado com aquela coisa satânica, pagã, que se passava no sul dos Estados Unidos. Achei que essa correspondência a gente não tinha aqui", diz.

O público terá que ser muito atento, vai ter que correr atrás. Ninguém fica recontando a história.

Bem diferente de novelas, explica José Alvarenga Jr.

Renato Rocha Miranda/Globo
Erom Cordeiro é Sérgio, um dos sete homens confinados num presídio na série Imagem: Renato Rocha Miranda/Globo

A partir daí, o desejo de escrever uma história com 12 protagonistas deu origem ao mote principal: reunir os personagens num reality show que premia o vencedor com R$ 2 milhões.

"Acho reality a grande forma da televisão nos últimos 30 anos. Nada foi inventado com tanta curiosidade e inteligência. Quem está dentro a gente discute, eu faria outras escolhas. Mas imagina todos os candidatos à prefeitura convivendo dois meses numa casa? É fascinante. Mas o reality como forma narrativa é genial, o conflito vaza", opina Bonassi, cercado por uma equipe de roteiristas formada por nomes fortes do cinema e da literatura fantástica e do horror: Bráulio Mantovani, Carolina Kotscho, Dennison Ramalho, Juliana Rojas, Raphael Draccon e Raphael Montes. 

Atualmente em fase de finalização, a série, recheada de elementos sobrenaturais, conta com uma parte importante de pós-produção. "Nesse tipo de trabalho, se a criatura for ridícula, patética, não adianta nada", afirma Bonassi.

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