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Debora Bloch terá filha assassinada e sede por vingança em "Justiça"

Estevam Avellar/TV Globo
Elisa (Débora Bloch) não se conforma com a pena do assassino da filha em "Justiça" Imagem: Estevam Avellar/TV Globo

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

20/07/2016 03h09

Foi só outro dia que Débora Bloch se deu conta de que está vivendo na ficção um drama que acompanhou bem de perto. Na minissérie "Justiça", que estreia em agosto, a atriz é Elisa, uma professora de Direito com sede de justiça pelo assassinato da filha, Isabela (Marina Ruy Barbosa). Na vida real, é uma mãe capaz de entender esse sentimento, mas não de defender sua atitude.

"É um personagem trágico, difícil. O maior medo de toda mãe é perder um filho. Há pouco tempo minha faxineira perdeu um filho assassinado. Ele foi tomar um banho de cachoeira numa área da favela que pertencia à outra facção e acharam que ele estava invadindo. Não houve justiça para ela. É muito duro ver isso acontecer a uma pessoa próxima", afirma a mãe de Julia e Hugo.

Na trama de Manuela Dias, Isabela é morta pelo namorado, Vicente (Jesuíta Barbosa), que se arrepende do crime e busca o perdão da sogra. Mas Elisa não se conforma com o fato de ele ter ficado preso apenas sete anos e planeja vingança - o que exigiu da atriz algumas aulas de tiro. O namorado da professora, Heitor (Cássio Gabus Mendes), ainda tenta trazê-la de volta à razão, mas ela se mostra obstinada.

Não dá para defender a Elisa, as pessoas não podem fazer justiça com as próprias mãos. Isso seria o fim da civilização, uma volta à barbárie.

"A série trata de um assunto que a gente vive muito no nosso cotidiano, a impunidade, o confronto entre o que a lei decide e o que é justo. Não dá para defender a Elisa, as pessoas não podem fazer justiça com as próprias mãos. Isso seria o fim da civilização, uma volta à barbárie. Precisamos de regras. Mas eu entendo essa dor, essa revolta. Ela se agarra a isso, é o que a faz continuar levantando todos os dias", analisa.

Ao tentar se imaginar no lugar da personagem, Débora acredita que, para ela, seria impossível perdoar. "Mas a gente nunca sabe. O ser humano é complexo e a realidade é mais surpreendente do que a gente imagina. A Manuela me mandou um vídeo com um depoimento real de um homem condenado à prisão perpétua por ter matado mãe e filha. Ele diz que a mãe e avó das vítimas não reagiram com ódio. Ela é uma mulher iluminada, mas considero uma exceção", afirma.

Fazer tantas cenas tensas deixa Débora mexida. A sensação no fim do dia, ela conta, é a de ter levado uma surra. "Você tem que estar o tempo todo concentrada, é um sentimento de uma dor muito profunda. Não tem como ficar brincando, leve, ou na hora do 'ação', não acontece. Não é um botão que você liga e desliga", diz ela, que usa alternativas como uma massagem ou fazer tricô para desanuviar.

Estar nos palcos com um personagem mais leve, na peça "Os Realistas", em cartaz no Teatro Maison de France, no Rio, também a ajuda a ter um respiro. Porque descanso não é bem a palavra.

"Não é fácil. Tinha jurado que nunca mais faria isso, porque você acaba trabalhando de domingo a domingo. Reestreei a peça numa sexta no Rio e gravei sábado e domingo, às 8h, e depois tinha a peça à noite. É duro, mas são trabalhos que eu queria muito fazer. Quando chego ao teatro dá uma alegria, o personagem tem um pouco de humor, reencontro aquela turma... E a minissérie tem sido muito diferente dos meus trabalhos na TV. Tem sido muito estimulante", conta.

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