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Com novo programa na TV, Ceará lembra timidez e voz fina para imitação

Edu Viana/Divulgação Multishow
Ceará levará sua personagem Gabi Herpes a seu novo programa do "Multishow", que estreia nesta segunda (25) Imagem: Edu Viana/Divulgação Multishow

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

24/07/2016 07h30

Wellington Muniz é tímido. Nascido na capital do Ceará – daí vem o apelido pelo qual ficou famoso –, o humorista que há 27 anos gosta de fazer imitações, seja em shows, na rádio ou na televisão, não se considera um cara extrovertido. Ele, que estreia nesta segunda-feira (25) seu novo programa no Multishow, “Ceará Fora da Casinha”, diz que ainda hoje a timidez o persegue.

“Eu tento disfarçar às vezes, mas é uma coisa que me persegue. Isso eu puxei da minha mãe, porque ela é muito tímida. Em casa, a minha filha puxou a Mirella [Santos, sua mulher] em ser cara de pau. Mas muitos artistas são assim. Já me falaram que o Ney Matogrosso é tímido, mas quando pisa no palco é um monstro”, diz ele em entrevista ao UOL.

O que era um obstáculo na infância foi superado. Na nova atração, ele promete voltar para as ruas, lembrando os velhos tempos de “Pânico”, e deixar a espontaneidade tomar conta. O “Ceará Fora da Casinha” estreia com 20 episódios gravados, divididos por temas, em que o humorista vai explorar novos personagens, esquetes e entrevistas de Gaby Herpes com personalidades como Palmirinha, Carlos Bertolazzi, Andréa de Nóbrega, Supla, entre outros.

UOL: Qual o sentido do título "Fora da Casinha"?
Ceará: Tem o roteiro que é muito bem elaborado, mas eu saio do roteiro e fico mais fora do normal. Com mais irreverência. Acho que isso, também, justifica o nome. Às vezes, você vai ficando mais comedido, se policiando mais. Eu falei, não, eu tenho que fazer o que sempre fiz desde o início da minha carreira – que é mostrar o que as pessoas não esperam em situações que saiam do roteiro.

Diferentemente de como era no "A Grande Farsa", que você apresentou no ano passado?

Reprodução/Instagram/oceara
Ceará fará novos personagens, entre eles, o stylist Jorgi Venchy Imagem: Reprodução/Instagram/oceara
Essa foi uma grande responsabilidade porque os holofotes estavam todos virados para mim por eu ter ficado 18 anos num grupo e ter saído dele para assumir um programa com a cara limpa. No "A Grande Farsa", teve um lado muito bom porque criei 20 tipos autorais, e pude mostrar para o Brasil um lado que muitas pessoas não sabiam.

Desta vez, no “Fora da Casinha”, vou estar perto do público, fazendo entrevistas nas ruas. O Jorgi Vench é um personagem novo. É um personal stylist que surgiu no ano passado no “A Grande Farsa”, mas numa cena muito curta de 30 segundos. O Multishow gostou e começamos a explorar mais. Ele aparece em vários episódios do programa. E tem também a Gaby Herpes, que a cada episódio entrevista uma personalidade.

Não sabia usar minha voz. Eu insistia para fazer voz adulta. Não comecei imitando desenho animado, mas político – queria imitar o Lula, Fernando Collor de Melo, Paulo Maluf... Acho que isso machucou a minha garganta
Wellington Muniz, o Ceará

Ela é muito caricata. Como você faz para não roubar o brilho do entrevistado?
O entrevistado que é o artista. Quero que ele apareça. Para mim, não interessa quando o entrevistado não se solta e é monossilábico. Eu vou fazer de tudo para ele se soltar e a entrevista ficar divertida.

A estrela do programa não vai ser o Ceará?
Não vai ser e nunca foi. Esse ego e essa vaidade não me pertencem.

Tem uma cena bem bacana do Mumuzinho, em que ele imita a Alcione e eu faço um dueto com ele. Eu estou de Gabi e do nada vou para Bethânia. Não tem regra para mim. Sou igual criança, falo o que eu vou fazer e faço. Não tem coisa certa. O errado pode ser o certo e o certo pode ser o errado. A gente faz humor, mas de alguma forma tira alguma coisa dos entrevistados.

Você se sente mais confortável de cara limpa ou interpretando um personagem?
Tanto faz de cara limpa como um personagem. Sou um cara que gosta de me comunicar com as pessoas. Sou um apresentador humorista e um humorista apresentador. Não tem uma lógica. Gosto de estar perto das pessoas. Vim aqui para isso, divertir os outros. 

Nem me considero um imitador, mas um cara humorista que usa a voz como ferramenta para criar tipos, personagens.

Quando você percebeu que tinha talento para ser imitador?
Na verdade eu não tinha [esse talento]. Eu era uma criança muito tímida, me prejudicava na escola. Não conseguia me comunicar e socializar com a classe. Não tinha muitas amizades. Tenho essa timidez, mas quando estou trabalhando consigo disfarçar um pouco. Aos 14 anos comecei a me soltar mais, a jogar bola, a fazer as festas de teatro, a apresentar os eventos... Aos 16 anos, comecei a me interessar pelas imitações.

Eu ficava admirado quando via nos programas de TV o cara mudando a voz, imitando, cantando... Não tinha nenhuma vocação para ser humorista e imitador. Eu acho que busquei, busquei, busquei e tive tanta porta na cara, ouvi tantos 'nãos', que isso me fortaleceu. Só consegui trabalhar em rádio porque insisti demais.

Pensou em desistir?
Várias vezes. Acho que todo artista pensa em desistir. Nunca tive nenhum problema de depressão, ou de tristeza, mas você pensa... Eu me sinto privilegiado! Teve uma época que vivia de graça, ou seja, trabalhava e não ganhava muito. O meu primeiro show solo, de cara limpa, foi numa sexta-feira 13. Chovia e meu pagamento na época foi uma pizza grande com refrigerante de dois litros. Agora vou voltar a fazer shows para estar mais perto do público. Foi assim que eu comecei. Quero dar esse presente para mim e para o público.

Você acha que a imitação era uma fuga da sua timidez?
O personagem é um escudo, uma muleta de certa forma. De peruca, com a indumentária, você se defende. O meu pai sempre foi um cara muito cômico. E quando criança o admirava. Ele é um cara que até hoje se comunica bem. Ele chegava, juntava a roda, contava histórias, piadas... Acho que puxei esse lado dele. Eu falava que queria ser igual ao meu pai, não ter timidez.

Lembro que quando era criança, ia à banca e comprava aquelas revistas de piadas para tentar decorar e contar para o meu pai. Eu tinha um respeito muito grande por ele que se ele olhasse para mim e eu já ficava com medo.

Eu chegava para contar piada, ele olhava para mim e eu tremia. Não tinha coragem! Ficava pensando, será que ele vai gostar, não vai achar sem graça? Hoje ele fica todo orgulhoso de saber que faço humor e que deu certo. 

Algo em especial te fez querer ser imitador?
Eu tinha tudo para não ser um cara que imita. Quando era criança eu tinha a voz muito fina, não sei se era porque eu era introvertido, tímido. Tinha a voz meio que para dentro. Na época, eu sofri muito para começar como imitador. Eu tive problema nas cordas vocais aos 16, 17 anos. Tive um nódulo que eu curei com tratamento fonoaudiologia. Não sabia usar minha voz. Eu insistia para fazer voz adulta. Não comecei imitando desenho animado, mas político – queria imitar o Lula, Fernando Collor de Melo, Paulo Maluf... Acho que isso machucou a minha garganta.

Também gostava muito de cantar. Imitava a cantora Simony, Chico Buarque. Eu ficava admirado com os grandes imitadores do Brasil e falava: "Eu quero ser isso".

Uma coisa é a imitação e outra é fazer um personagem. A imitação o cara está preocupado só em imitar a pessoa. Pode fazer a voz perfeita, melhor do que eu, mas não pega emprestado a alma da pessoa. Eu sempre tento pegar emprestado o jeito da personalidade, a alma.

Como surgiu a imitação do Silvio?
Quando criança, eu tentava imitar o Silvio. Eu tinha 13 anos, estava mudando de voz, e ficava uma porcaria. Não conseguia. Começou como uma imitação e depois que entrei na televisão passou a ser um personagem. Uma caricatura – e precisa tomar cuidado porque se exagera na tinta, acaba borrando e passando do ponto.

Na televisão, eu me preocupei em ter o microfone igual, fazer os trejeitos, em ter uma roupa parecida, uma peruca igual. Eu lembro que no "Pânico" ficava vendo o Silvio no horário dele, que era mais cedo, para usar o mesmo figurino dele. Eu falava para o figurinista: "Ele está usando terno azul com risca de giz. Vamos usar igual".

Tinha essa preocupação, de não só agradar o Silvio, mas também deixar uma mensagem subliminar. Alguém iria notar que eu estava me inspirando naquele figurino que o Silvio usava naquele dia.

Edu Viana/Divulgação Multishow
Wellington Muniz interpreta o personagem Silvio no "Ceará Fora da Casinha" Imagem: Edu Viana/Divulgação Multishow
 
Por que deu tão certo a imitação do Silvio? É uma pessoa todo mundo imita...
Tem muita gente que o imita perfeitamente! Acredito que foi essa bênção que o Silvio deu para mim.

Estive no "Máquina da Fama", da Patrícia Abravanel, e entrei de Silvio Santos sem ela saber. Eu acho que é isso, de ter essa liberdade de poder ir ao SBT e imitar o Silvio. Lá dizem que ninguém pode imitar o Silvio e ele me deu esse presente. Só tenho a agradecer. Acho que deu certo por isso: o público gostou e o Silvio recebe bem. Quando fui ao “Tomara que Caia”, no passado, na Globo, falei com ele por telefone. Ele disse que não viu no dia, mas assistiu no “Vídeo Show” e gostou. Ele foi muito educado comigo.

Tem ideia de quantos personagens já fez?
Não tenho porque eu não me preocupo com isso. Eu admiro muito o Chico Anysio porque ele era e continua sendo genial. Ele fazia com um timbre de voz até 20 personagens. Às vezes, faço um personagem com um tipo de voz e se modular vai sair outro personagem. Já imitei tanta gente que nunca parei para pensar nisso.

O que te faz deixar de imitar alguém?
Se eu perder a admiração ou se a pessoa partir desta para melhor. Ou também quando passa o tempo. Acho que tem o tempo de tudo. Para imitar, é melhor que a pessoa esteja na mídia para haver o efeito de comparação. Quando a pessoa parte desta para melhor, vira mais uma homenagem.

A identificação do público com seus personagens é importante?
É muito importante. Eu sou popular, né? São as minhas raízes. O que eu fico mais feliz é que consigo transitar entre as classes. Eu vou na casa de um amigo meu e adoro o porteiro do prédio dele. É o seu Roberto, já decorei o nome. Ele fala rápido: "Ó, seu Ceará, você está agora no Multishow". Eu acho engraçado para caramba. Eu adoro conversar. Ele fala tão rápido, que uma vez ele falou 161 e eu entendi 61. Fui até o sexto andar e bati na porta do apartamento errado. Esse porteiro é um personagem.

Ceará Fora da Casinha
Estreia: 25 de julho, segunda-feira, às 23h
Exibição: segunda a sexta, às 23h
Horário alternativos: terças e quartas às 13h30, quintas às 15h, sextas às 16h, sábados às 15h30 e domingos a partir das 21h30 
 

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