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Após 30 anos de Globo, Fontes vive apresentador ligado ao crime na TV paga

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

04/08/2016 00h01

Depois de quase 30 anos na Globo, Guilherme Fontes retornará à TV em um formato ainda inédito na sua carreira: uma série em um canal da TV paga. No caso, o drama “A Lei”, que estreará em 2017 no canal Space trazendo o ator de 49 anos como o protagonista Silas, apresentador de um programa policial que tem ligações escusas com o crime organizado de Belém do Pará.

Ambicioso e pouco escrupuloso, Silas consegue ascender profissionalmente por meio de métodos questionáveis – e usa suas conexões com o crime a seu favor. “Digamos que ele está em uma linha muito tênue, entre o que se pode e o que não se deve fazer”, adiantou Fontes ao UOL.

A trama não é estranha à vida real, que teve casos como o de Wallace Souza, deputado amazonense acusado de encomendar mortes de traficantes e usá-las para alavancar a audiência de seu programa, mas o ator disse não ter se inspirado diretamente em situações verídicas.

“Todos os personagens que têm alguma origem eventual ou que pareçam estar relacionados com a vida real, eu procuro sair dessa linha”, afirmou. “Eu gosto de criar o personagem do zero, a partir do roteiro, e qualquer semelhança com a vida real terá sido mera coincidência. Estudei os personagens mais interessantes, tanto no acting do apresentador quanto nos seus desvios. Wallace é só um deles, existem outros que chegaram mais longe, alguns foram descobertos, outros não. É outro caminho. É uma obra de ficção”.

Divulgação
Silas de "A Lei" será um anti-herói, de acordo com Guilherme Fontes Imagem: Divulgação

O público também não deve esperar referências diretas a apresentadores notórios do gênero, como José Luiz Datena e Marcelo Rezende: “Não, absolutamente, longe disso. É um ser ímpar. É um ser particular, o Silas”.

Vindo de uma família pobre do Pará, o apresentador ainda mostrará outras faces na trama, incluindo uma ligação forte com o irmão Edinho, interpretado por Adriano Garib, e o relacionamento com a filha viciada em drogas – ficando mais próximo de um anti-herói como o Frank Underwood de “House of Cards” do que de um vilão tradicional. “Ele precisa cativar, ainda que os meios e os comportamentos não sejam os mais aprovados. Eu acho que fica no meio. A ideia é essa. Um vilão querido é sempre bom. Para o ator, é sempre um prato cheio”, disse Fontes, ressaltando que hoje há uma proliferação desse tipo de personagem. “Dá até saudade dos bonzinhos”, brincou.

"Padrão Globo"

Acostumado ao alto padrão de produção da Globo, onde trabalhou em produções como “Mulheres de Areia”, “A Viagem” e, mais recentemente, “Boogie Oogie” (2014), Fontes acredita que “A Lei” não ficou devendo nada aos produtos da emissora carioca: “Poder participar e já estar participando desse admirável mundo novo das series é maravilhoso. Fui tratado a nível de primeiro mundo. Como sempre trabalhei numa empresa que nunca se negou ou fugiu da raia no que diz respeito a investimentos, estou me sentindo muito bem. Não vi ninguém reclamando de falta de condições e isso para mim é primordial”.

A transição da emissora líder absoluta em audiência para um canal pago, com público mais restrito, também não preocupou o ator. “Alguns anos atrás quando comecei a produzir, a levantar minha produtora, eu já dizia isso. Quer dizer, para que 50 milhões da TV aberta se eu posso ter 5 milhões na TV a cabo? Hoje, a gente pode falar 15 milhões na TV a cabo [de acordo com a Associação Brasileira de TV Paga, há 18,9 milhões de assinantes do serviço no País]. É um número grande também, então acho que o público é tão bom quanto, tão interessante quanto e até mais fácil de ser compreendido”.

"A Lei" estreará no primeiro semestre do ano que vem. Também estão no elenco Mel Lisboa, Paulo Miklos, Ravel Cabral e André Ramiro. 

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