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Cineasta cria "Chaves" brasileiro com aprovação do filho de Roberto Bolaños

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

08/08/2016 18h52

Clássico da TV mexicana, "Chaves" é exibido no Brasil desde 1984 pelo SBT, sempre com reprises. Um cineasta mineiro, porém, teve a ideia de recriar a vila onde Chaves e seus amigos moram em um curta-metragem inédito, chamado "Moleque", publicado nesta semana no YouTube.

A "vila do Chaves" brasileira fica em uma comunidade de Santa Efigênia, bairro de Belo Horizonte (MG). Dirigido por Marcos Pena, fã de "Chaves", "Moleque" mostra a chegada do garoto órfão ao cortiço e tem praticamente todos os personagens da série de TV, mas com nomes diferentes.

Chaves, no curta-metragem, é Moleque porque significa "Chavo" em espanhol (a série mexicana se chama "El Chavo", mas o nome do garoto nunca foi revelado por seu criador, Roberto Gómez Bolaños). Quico virou "Fred" (adaptação de Frederico, nome original do personagem). Chiquinha, também chamada de Francisquinha, é Fran no filme.

Entre outras mudanças, Dona Florinda virou Flora e Seu Madruga, um dos personagens mais queridos pelos brasileiros, é Soneca. "Quando adaptaram Don Ramón [nome original de Seu Madruga] na dublagem brasileira, os dubladores achavam que ele tinha cara de sonolento. Adaptei para Soneca, mas ele se apresenta como Ramón", afirma Marcos Pena.

Filme não tem 'sem querer querendo'

Montagem/Reprodução/Televisa/Filipe Tavares/Divulgação
Leônidas José interpeta Moleque na adaptação brasileira de "Chaves" Imagem: Montagem/Reprodução/Televisa/Filipe Tavares/Divulgação
Formado em Cinema, Marcos Pena trabalhava como editor na TV Alterosa, afiliada do SBT em Minas Gerais, quando foi convencido a voltar a fazer filmes. O diretor de 36 anos teve a ideia de adaptar uma de suas paixões, "Chaves".

Em "Moleque", Chaves, Quico e Chiquinha são interpretados por crianças de verdade, ao contrário da série, em que adultos fizeram os papéis infantis. "A maior dificuldade foi adaptar essa história para a realidade brasileira, tirar a caricatura teatral da série, com adultos interpretando crianças, e transportar para uma vila real, com crianças de verdade", explica.

Enquanto Soneca é muito parecido com o Seu Madruga da TV, Sr. Barriga é completamente diferente do ator mexicano Edgar Vivar. No curta, o cobrador (sem nome) é negro, não usa terno e ostenta correntes de ouro. Segundo Pena, ele foi inspirado em um mineiro que alugava casas em uma vila de Belo Horizonte.

Outros personagens, como Professor Girafales, Dona Clotilde, Nhonho e Jaiminho, o Carteiro, aparecem discretamente. O diretor quer produzir mais episódios assim que obtiver patrocínio.

Na vila de "Moleque", Soneca mora no 72, como Seu Madruga, porém a casa está toda pichada. O figurino de "Chaves" foi adaptado para o curta (Moleque usa uma touca em vez de um chapéu", por exemplo), e bordões como "foi sem querer querendo" foram praticamente abolidos.

"Duas coisas que eu não queria: adulto batendo em criança e não queria escrachar com bordões para não ficar muito copiado. Queria basicamente 'Chaves' como pano de fundo", justifica.

"Moleque" foi aprovado pelo filho de "Chaves"

Montagem/Reprodução/Televisa/Filipe Tavares/Divulgação
Elenco de "Moleque", adaptação brasileira de "Chaves" Imagem: Montagem/Reprodução/Televisa/Filipe Tavares/Divulgação
Produzido em parceria com a Guerrilha Filmes, "Moleque" custou R$ 65 mil, com recursos da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Para escrever o roteiro, em 2014, o diretor escolheu cenas de episódios marcantes, como "A Sociedade" (1978), em que Seu Madruga vende churros, e a história mais antiga em exibição atualmente, "Remédio Duro de Engolir" (1972).

"Li até teoria de conspiração de Chaves, mas é muita viagem. Tentei pegar os melhores episódios e mixar. Além disso, me lembrei de um episódio que mostra como Chaves chegou à vila, descalço, e Seu Madruga deu um par de botas para ele", conta Pena.

O curta foi selecionado para festivais na Espanha, Argentina, Índia, Malta e Estados Unidos. Em breve, irá para a Bolívia. Também foi exibido em São Paulo e Pernambuco, porém o cineasta lamenta a falta de espaço em eventos brasileiros: "A temática infantil não é muito vista em festivais. Pessoal gosta mais de filmes 'cabeça' e não curte filmes para crianças".

Pena sonha exibir seu filme no SBT. Em um de seus contatos com a direção da emissora, foi sugerido a Pena enviar o curta a Roberto Gómez Fernández, filho de Bolaños e responsável por "Chaves" após a morte do pai, em novembro de 2014. Para surpresa do cineasta, o mexicano assistiu ao filme e aprovou o conteúdo.

"Ele disse: 'Gostei e está liberado'. Não preciso nem pedir direitos, porque curta-metragem não tem vínculo comercial. Falou: 'Pode rodar onde você quiser, porque não é o Chaves, e sim uma adaptação', comemora.

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