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Para Jesuíta Barbosa, tragédia em "Justiça" discute machismo e desarmamento

Estevam Avellar/Globo
Jesuíta Barbosa é Vicente na minissérie "Justiça" Imagem: Estevam Avellar/Globo

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

18/08/2016 07h05

Um jovem possessivo, uma traição e uma arma. Assim como na vida real, a soma desses elementos detona uma história trágica em “Justiça”, minissérie da Globo que estreia em agosto, alternando quatro tramas que discutem questões éticas e morais. No núcleo de Elisa (Débora Bloch), seu combustível diário é a vingança contra o genro, Vicente (Jesuíta Barbosa), que atirou na namorada ao flagrá-la num revival com o ex.

“Vicente é um jovem que tem força, energia, mas leva isso para um lugar muito perigoso: ele anda armado. A série tem um pouco dessa discussão, o perigo que é a gente não conseguir fazer com que aconteça o desarmamento”, analisa Jesuíta.

Para o ator, o chamado “crime passional” revela, na verdade, vários preconceitos. “Ele é um cara que é machista e se defende como macho alfa, acha que a mulher não pode estar não sei onde, essa coisa da posse que acontece geralmente”, analisa o pernambucano de 24 anos.

Ele é um cara que é machista e se defende como macho alfa, acha que a mulher não pode estar não sei onde, essa coisa da posse.

Quando a minissérie escrita por Manuela Dias começa, Vicente está saindo da cadeia, depois de cumprir sete anos de prisão pelo crime. Em liberdade, o rapaz demonstra arrependimento e anseia pelo perdão da sogra, que passou os últimos anos planejando e se preparando para fazer justiça com as próprias mãos.

“A energia do personagem tem que estar nesses dois lados: ele cometeu um crime, precisa pagar e nunca vai ser perdoado por isso; e, ao mesmo tempo, quer trabalhar, tirar energia de dentro dele e recomeçar a vida. Ele vai pedir perdão pelo resto da vida e não vai alcançar. É uma espécie de chaga que ele fica cutucando, ele não se perdoa”, diz.

Em Recife, a equipe comandada pelo diretor geral da minissérie José Luiz Villamarim, gravou cenas da nova vida de Vicente. Agora casado com Regina (Camila Márdila), prima de um ex-colega de prisão, e pai da pequena Isabela (Fabiana Ferreira), o rapaz se depara com uma realidade bem diferente. Antes da cadeia e da falência do pai, Euclydes (Luiz Carlos Vasconcellos), que perde tudo após ser vítima de um golpe de seu sócio, ele levava uma vida de playboy.

“A gente gravou num prédio condenado, quase caindo. É um edifício antigo, que era pra ser um hotel de luxo, e hoje em dia é uma grande favela vertical. Tem um grande lixão, as pessoas jogam lixo da janela, tem muito rato. Foi para essa realidade que o Zé quis participar, e isso foi extremamente necessário. A gente entendeu o sentido da história”, analisa.

Reprodução/TV Globo
Vicente (Jesuíta Barbosa) atira na namorada, Isabela (Marina Ruy Barbosa) Imagem: Reprodução/TV Globo

A cena mais difícil de gravar até agora foi justamente a do tiro que muda para sempre a vida dos personagens. “Toda a equipe ficou muito desgastada, durou o dia inteiro. É uma cena muito bonita, quase uma Pietà, a mãe com a filha nos braços. Foi difícil de ver e de participar”, lembra ele, que diz tentar “se defender” para não deixar o set tão exausto.

“Tem dias e dias. Esse cara no pós-cadeia é uma figura que já é um pouco mais tranquila, tem uma energia decantada, uma fala mais regular. Antigamente era um cara extremamente excitado. Mas nas cenas em que saio muito desgastado é sinal de que o trabalho foi feito com êxito”.

Estevam Avellar/Globo
Elisa (Debora Bloch) e Vicente (Jesuita Barbosa) terão uma reaproximarão surpreendente após o crime Imagem: Estevam Avellar/Globo

Pai pela primeira vez na ficção (“Ou seja, estou envelhecendo”, brinca), Jesuíta diz que Vicente se coloca no lugar de Elisa por também ter uma filha, que batizou com o nome da vítima. Mas a aproximação dos dois acaba indo por outro caminho. “Quando ele encontra a mãe da namorada, começa uma história completamente surpreendente, que eu não conseguiria dizer que aceito ou é normal. Eles não se percebem mais como sogra e genro, essas duas energias começam a se fundir e viram outra coisa”, diz.

Nome que despontou no cinema, em longas como “Tatuagem” e “Praia do Futuro”, Jesuíta vem se firmando na TV em trabalhos de duração curta, como as minisséries “Amores Roubados” e “Ligações Perigosas” e o remake de “O Rebu”. Fazer uma novela mais longa, no entanto, é uma possibilidade que o encanta, ainda mais se for para um personagem cômico ou que lhe exija uma composição fora do comum.

“Tenho aprendido muito na televisão, aqui você encontra gente de todas as áreas. E quero conseguir criar desde o início. Acho necessário nos projetos de TV os atores ficarem engajados com a equipe. É importante conversar, ter reuniões, para a gente se colocar também. Assim cada vez mais a gente vai melhorando”, diz ele, que gravou recentemente as inéditas “Fim do Mundo”, para o Canal Brasil, e “Nada Será Como Antes”, para a Globo.

O assédio que vem junto com a fama, no entanto, continua tranquilo, ele garante. “Não faço disso um caso. Esse negócio de fama é um bicho bem grande que pode te comer a qualquer momento, prefiro deixar longe de mim. Se alguém vem falar comigo, eu abraço, digo: ‘Muito obrigado’. É ótimo quando falam de uma cena, é muito bom esse retorno. Vou querer sempre. Minha rotina não mudou nem vai mudar”, afirma.

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