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"Pouca coisa me encanta na TV hoje", diz Laura Cardoso, 88 anos

Estevam Avellar/TV Globo
Para Laura Cardoso, a TV avançou apenas tecnologiamente Imagem: Estevam Avellar/TV Globo

Marcela Ribeiro

Do UOL, no Rio

31/08/2016 07h00

Aos 88 anos e com mais de 60 deles vividos na televisão, Laura Cardoso tem carta branca para opinar com sabedoria sobre a programação das emissoras. A atriz, que acaba de estrear em "Sol Nascente" para viver Dona Sinhá, avó do vilão César (Rafael Cardoso), não se agrada muito com o que vê na tela atualmente.

"Pouca coisa me encanta na TV hoje. Sou perfeccionista, sou exigente. Acho que a TV perdeu, ela não avançou. Talvez ela tenha avançado tecnologicamente. No sentido humano, acho que ela regrediu", contou a atriz ao UOL, na última quinta-feira (25) no Rio de Janeiro.

A veterana conta que não aprecia o excesso de violência e tragédia explorado na dramaturgia. "A vida já é dura, difícil, acho que tem que amenizar. Tem que mostrar a violência só em certos horários", opina.

Bazilio Calazans/TV Globo
Laura Cardoso em cena de "A Viagem" Imagem: Bazilio Calazans/TV Globo


Laura reconhece que existem atores novatos dedicados e talentosos, mas percebe que boa parte só está na profissão pela fama. "O público sabe diferenciar quem está na profissão para sair na revista e quem está por amor e seriedade. Fiz rádio, TV, circo, teatro. Eu amo a minha profissão", diz ela, que traz em sua trajetória mais de 50 novelas, entre elas "Brilhante" (1981), "Mulheres de Areia" (1993), "A Viagem" (1994), "Caminho das Índias" (2009) e "Gabriela" (2012).

A atriz explica que atuar deve ser uma profissão exercida com seriedade. "Você tem que se dedicar de corpo e alma se você quer ser um ator de verdade. Hoje em dia todo mundo quer ser ator. Não estudam, não sabem ler. O ator precisa de estudo, de escola", completa ela, que garante que não pretende parar de trabalhar nunca.
 
Bem resolvida com a aparência, Laura diz que respeita as pessoas que decidem fazer plástica, conta que nunca mexeu em seu rosto e corpo e carrega com orgulho suas marcas do tempo.

"Eu amo meu trabalho, minha profissão, já fui lindinha, gostosinha, mas a vida caminha, você tem que aceitar a transformação. Acho muita burrice querer mudar o exterior e o interior como é que fica?", diz ela, que ainda completa: "Amo minha cara, minhas rugas, todo o meu ser. Vou morrer assim".

"Mulheres de Areia": "Nunca foi uma mãe vilã"

Divulgação/Viva
Laura Cardoso como Isaura, mãe de Ruth e Raquel (Gloria Pires) em "Mulheres de Areia" (1993) Imagem: Divulgação/Viva


Além de "Sol Nascente", Laura pode ser vista no ar na reprise de "Mulheres de Areia", no canal Viva. Quando tem tempo, ela tenta se assistir e tem sempre uma visão crítica sobre sua atuação.

"Gosto muito da trama e gosto de me assistir para me corrigir. Tenho uma autocrítica terrível. Eu sempre acho que poderia ter sido melhor", conta.

A atriz defende Isaura, a mãe das gêmeas Ruth e Raquel, interpretadas por Gloria Pires. Para boa parte do público, a personagem tinha um lado misterioso, já que sempre protegia a filha má e não dava muita atenção para a mocinha Ruth.

"A personagem nunca foi uma mãe vilã. Ela amava aquela filha e a outra também. Só que aquela precisava mais dela, estava desencaminhada. A outra era mais certinha", explica.

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