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Em época de eleições, os artistas devem se posicionar e declarar seu voto?

Do UOL, em São Paulo e no Rio

02/10/2016 08h00

Crise política, impeachment, novo governo, eleições municipais. Em um cenário como o que o Brasil está vivendo nos últimos meses, cabe aos artistas se posicionar politicamente, abrir o voto e fazer campanha para seus candidatos?

Às vésperas das eleições, o UOL perguntou a famosos o que eles pensam sobre o assunto e como eles se posicionam quando o assunto é política. Confira:
 

Os artistas devem se posicionar na política?

  • Reprodução/Globo

    Acho que o único palanque que o artista deve subir é pelas diretas, como já aconteceu. Fora isso, você apoiando um candidato é corresponsável pelo trabalho que ele faz depois. Realmente não conheço, não sei de algum candidato que eu sinta vontade de apoiar por essa ou por outra razão. O comprometimento do artista é outro, ele se compromete com a política mas não na base do palanque ou para aparecer, a função do artista muito mais de crítica do que outra coisa

    Jô Soares, apresentador
  • Rafael Cusato e Marcos Ribas/Brazil News

    Não me posiciono em mais nada, nem se minha mãe se candidatar eu faço campanha para ela. Não temos que nos meter com política, eu me envolvo como cidadã, não como artista. Mas queria dizer que acho mulher na política uma maravilha

    Claudia Raia, atriz
  • Artur Meninea/Globo

    Eu acho ótimo que as pessoas se manifestem. Temos que encontrar nossos caminhos por nós mesmos. Não me manifesto, acho que temos um poder de persuasão às vezes um pouco grande e podemos errar. É uma responsabilidade muito grande um artista que tem um certo poder de persuasão errar. É muito chato. Acho que as pessoas têm que procurar os seus caminhos e encontrar, e trabalhar com a maior honestidade possível, com a maior limpeza de caráter, reconhecendo seus erros. Não quero dizer para ninguém como alguém deve votar. Nunca disse e não vou dizer até o fim da minha vida

    Tarcísio Meira, ator
  • Junior Guimarães/UOL

    Sou suspeito para falar, porque eu não gosto de política. Nunca gostei, nunca me envolvi e nunca me manifestei contra isso ou contra aquilo. Eu acho que as pessoas públicas evitam entrar em discussões políticas porque não querem ter seus nomes envolvidos em polêmicas ou virarem alvos de patrulhamentos. Tudo isso é muito chato, aborrece e eu vejo como uma questão de se preservar. Sinceramente, eu não sei se alguns famosos evitam por causa de patrocínio ou por pressão do empresário para não ter problemas com cachês. Eu fico na minha porque não gosto de política

    Mariano, da dupla Munhoz & Mariano
  • Lucas Lima/UOL

    Política no Brasil é um assunto delicado, um campo minado. E não deveria ser, né? Nós sabemos que o artista é um formador de opinião. Isso traz uma responsabilidade muito grande e por isso há uma preocupação na hora de expor seus pensamentos, suas opiniões. Eu penso muito sobre essa questão. Tenho minha opinião sobre a política, sim, mas não gosto de expor. Nunca sofri pressão de empresário ou patrocinador. O brasileiro é tão otimista com relação a tudo, menos com a política, e isso explica também o fato de as pessoas não gostarem, pelo menos a maioria que eu conheço

    Naldo Benny, cantor
  • Alex Carvalho/TV Globo

    Não falo sobre política. Não falo mesmo!

    Kayky Brito, ator
  • Reprodução/Twitter

    Você tem os dois lados, o bom e o ruim. Quando você levanta bandeira, pode se dar mal. Quando o político faz alguma coisa errada e isso sobra para quem? A sociedade associou a imagem dele com um partido ou político. Acho que isso é uma coisa pessoal, o voto é secreto. Se um dia eu fizer é porque conheço a pessoa, mas mesmo assim posso decepcionar. O cara fala e às vezes sofre retaliação, como aconteceu com o Chico Buarque

    Wellington Muniz (Ceará), ator e humorista
  • Manuela Scarpa/Photo Rio News

    Acho que a gente tem medo de se decepcionar. Os políticos hoje em dia são delicados. Acho que todo mundo tem um esqueleto no armário, mas os políticos tem vários. Sou uma mulher que acredita na mudança, sou amiga do João Dória [candidato à prefeitura de São Paulo] e torço muito por ele. Estou levantando uma bandeira, a do Dória

    Adriane Galisteu, apresentadora
  • Manuela Scarpa/Brazil News

    A classe artística é realmente engajada, mas nessa questão política fica um pouco a desejar. Eu sou um cidadão que presa muito pela ecologia e meio ambiente, minha posição partidária é a favor disso e por candidatos que se posicionem abraçando essa causa. Sou do Rio de Janeiro e confesso que ainda não decidi o meu voto, mas esse será o fator determinante visto que a gente teve uma excelente oportunidade de despoluir a Baia de Guanabara e as baias de Jacarepaguá, então estou bem ligado nisso. Assim como o respeito ao próximo, respeito pelo meio ambiente é fundamental

    Marcos Pitombo, ator
  • Divulgação

    Felizmente, nós estamos vivendo um momento em que nós readquirimos a liberdade de dizer o que nós pensamos. Um momento de democracia em que o cidadão é livre, a comunicação é livre, sua opinião e sua convicção política são livres. Isso é maravilhoso. Você pode fazer qualquer tipo de espetáculo e não terá nenhum problema de censura como tivemos durante a ditadura militar. Nossas peças eram proibidas, nossos atores eram obrigados a se exilar. Eu mesmo me exilei na Bolívia com o Guarnieri. Eu pertenci ao Partido Comunista e o membro do comitê estadual nos dizia assim: 'Não discuta a obra do seu colega politicamente'. Eu escrevo teatro. Minhas peças têm um cunho crítico, às vezes político. Todos conhecem a minha posição, mas elas nascem exatamente da convicção que eu tenho, independentemente de uma discussão sobre a minha obra. Sou um democrata. As pessoas podem declarar seu voto, sem dúvida nenhuma. Nós pertencemos à Globo e temos um contrato que solicita que nós não participemos politicamente para que a personagem que você faça seja identificado do ponto de vista político. Alguns atores exageraram na sua expressão política. Não é correto

    Juca de Oliveira, ator
  • Luciano Vicioni/Tv Globo

    Os artistas estão sendo chamados a se manifestar. A situação do país é muito grave do ponto de vista ético, moral. Os artistas têm se posicionado porque faz parte da natureza do artista se posicionar. É fundamental ter uma opinião e fazer com que essa opinião seja um balizador para que outras opiniões surjam. Acho muito delicado, ao mesmo tempo, porque de forma nenhuma essa manifestação pode ser uma tentativa de convencer alguém de alguma coisa. É muito mais para mim uma necessidade de estabelecer balizas de parâmetro do comportamento ético, democrático, dialético, do que simplesmente tentar convencer as pessoas a votarem aqui ou ali. Muito mais interessante do que saber em quem uma pessoa notória vota é refletir sobre o que ela tem a dizer. É um pouco do papel que está sendo desempenhado agora. Mas é um momento muito delicado, em que as convicções estão muito enrijecidas, e desconfio muito das convicções

    Thiago Lacerda, ator
  • AgNews

    É bem complicado se posicionar tão firmemente e levantar bandeira para algum candidato. Eu não faço isso. Acompanho de perto a política brasileira, sou a favor de que tudo venha à tona. Estou muito contente com o nosso juiz Sergio Moro. Mas é muito difícil por a mão no fogo por alguém. Eu acho uma loucura quem faz isso. Respeito, mas não tenho vontade de defender ninguém, de lutar por nenhum desses que estão aí

    Reynaldo Gianecchini, ator
  • Thiago Duran/AgNews

    Acho que eu, como qualquer pessoa, tenho o direito de me expressar, de dizer o que estou pensando sobre qualquer momento que a gente esteja passando na nossa sociedade. Se amanhã alguma pessoa não quiser trabalhar comigo porque penso à esquerda, provavelmente não me interessa trabalhar com essa pessoa porque ela exclui alguém que pense diferente dela. A sociedade se desenvolve com o encontro de diferenças, o diálogo. O tempo, de certa forma, está cobrando as pessoas sobre o que estão pensando. Não é uma questão de que lado você está, acho isso perigoso, mas o que você está pensando. Não é porque de uma hora para outra as pessoas acordaram interessadas em saber, é porque as coisas estão acontecendo e mudando. Acredito que estamos vivendo um momento de quebra. É natural que as pessoas tenham interesse de saber o que aquele cara que você vê no teatro, no cinema ou na televisão está pensando. Acho que ficar quieto também é se posicionar, é uma responsabilidade que está assumindo.

    Humberto Carrão, ator
  • Globo/João Cotta

    Não levanto bandeira para nenhum político, mas fico atento a tudo. Se posicionar depende de cada um. A realidade brasileira é tão complexa com essa divisão maniqueísta entre esquerda e direita. Precisamos compreender muito a realidade brasileira, avaliar tudo, ler a respeito. E votar bem com discernimento e botar no limbo esses canalhas todos que estamos vendo por aí. E que escolhemos os melhores, se é que é possível. Mas ainda tenho esperanças, não sou desanimado com o Brasil

    José Mayer, ator

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