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Público pediu e "Sol Nascente" terá mais "ação e testosterona", diz autora

Reprodução/GShow
Os protagonisas de "Sol Nascente": Mario (Bruno Gagliasso) e Alice (Giovanna Antonelli) Imagem: Reprodução/GShow

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

27/10/2016 07h30

Prestes a completar dois meses no ar, com alguns imprevistos e críticas nas costas, “Sol Nascente” vai acelerar o ritmo. “A novela vinha num clima mais de estrogênio, de construção das relações. Tinha uma atmosfera mais suave, o que já estava planejado, mas a gente viu que estava na hora de dar a virada. Agora vai ser uma novela com ação, com testosterona”, conta a autora Suzana Pires, que escreve em parceria com Walther Negrão e Julio Fischer, em entrevista ao UOL.

A decisão de dar mais fôlego à trama das seis da TV Globo veio depois que os autores fizeram um grupo de discussão com espectadoras (60% do público de “Sol Nascente” é feminino). “Geralmente quando tem que fazer mudanças bruscas é porque alguma coisa foi rejeitada. A rejeição é a crise de uma novela, mas nós não tivemos rejeição. A gente teve uma pesquisa que apontou o que tínhamos que fazer: aperta isso, mexe aquilo e vamos seguir o bonde. Foi uma calibragem de pneus. Não teve o pânico até porque estamos bem de audiência”, explica.

Em sua segunda novela como roteirista – Suzana também foi colaboradora de Negrão em “Flor do Caribe” –, a atriz compara o trabalho de um novelista ao de decolar um avião. Ela ainda diz que respeita as críticas que a novela tem recebido e afirma que tudo, até mesmo a escalação do ator Luís Melo para viver um descendente de japonês, fará sentido para o público em algum momento. Confira a entrevista:   

Leo Faria/Divulgação
A atriz Suzana Pires, coautora da novela "Sol Nascente" Imagem: Leo Faria/Divulgação
UOL TV e Famosos - Recentemente "Sol Nascente" fez um grupo de discussão para ouvir a opinião dos espectadores sobre a novela. Quais pontos foram apontados?
Suzana Pires Elas falaram muito sobre o ritmo da novela, que podia acelerar, e nós concordamos. Mas elas identificaram uma coisa que era muito a nossa preocupação. Não é que tinha um ritmo lento, nós plantamos os personagens e as tramas para que quando apertássemos o ritmo, ninguém agisse sem ter um porquê muito sólido. Quando nós identificamos na pesquisa que os espectadores sabiam o porquê de cada personagem agir em detalhes, a gente falou: “Cara, a hora é essa”. A hora de apertar o ritmo é essa. Só que você não mexe no ritmo de uma novela atabalhoadamente. Você tem que mexer no ritmo sabendo que o público entendeu o que você quis mostrar com aquele personagem.

Você acha que o público está entendendo a história?  
Eu sou apaixonada por público, sou uma mulher do teatro, viajo de 15 em 15 dias para estar com o público que é o que me alimenta. Ouvir tudo aquilo que elas estavam falando foi de uma felicidade imensa para mim. Os detalhes foram entendidos na sua complexidade. Elas sabem o desafio de cada personagem. Elas falaram assim: ‘O desafio do Mário (Bruno Gagliasso) é ter a maturidade e o desafio da Alice (Giovanna Antonelli) é ela parar de ser racional e se deixar levar pelo coração’. Fiquei toda arrepiada. Eu já tinha participado de outros grupos, mas sempre a novela que estou fazendo no momento é a que emociona. O que eu posso dizer é que a gente apertou o ritmo, mas com a certeza de que o público tinha compreendido exatamente a história de cada um.

Que tipo de novela vai ser “Sol Nascente” daqui para frente?
Acho que é uma novela de aventura e romance. A novela vinha num clima mais de estrogênio, de construção das relações. Tinha uma atmosfera mais suave, o que já estava planejado, mas a gente viu que estava na hora de dar a virada. Agora vai ser uma novela com ação, com testosterona e com romances. Os homens querendo as mulheres, mas as mulheres tendo muita opinião, sabendo o que elas querem. Os triângulos não são triângulos em que a mocinha é bobinha. A gente não tem mocinha, a gente tem mulher. O César (Rafael Cardoso) vai ter que suar muito para enganar a Alice.

O casal protagonista de “Sol Nascente” já foi criticado por não ter muita química na tela. A relação deles vai mudar? 
A partir do momento que Alice admite o que está no coração dela em relação ao Mário, ela muda. É outra coisa. Ela passa a ser regida por outras coisas sem perder seus valores orientais, porque ela foi criada assim, mas digamos que ela vai estar com um valor de caiçara maior. Eu estou vibrando com a Alice assim, porque ela vai em direção à mãe, que ela perdeu muito cedo, e vai começar a resolver esse assunto. E aí a gente tem uma Giovanna Antonelli, que é uma baita de uma atriz, que sabe fazer trajetória de personagem junto com um autor como ninguém. A gente conversa pelo menos duas vezes por semana e ela vai fazendo as nuances. Depois o público vai ver ela amarrando, porque está amarrado no texto.

Antes mesmo da estreia, “Sol Nascente” foi criticada por ter escalado o ator Luís Melo para viver um descendente de japonês. Como vocês contornaram a polêmica?
Acho muito louco alguém afirmar que a gente colocou o Tanaka (Luís Melo) como neto de americanos só por um arranjo. Ou que a Giovanna Antonelli é filha adotiva dele, porque ela é filha de uma caiçara com um cara que não quis assumi-la, também como um remendo. Não é remendo, e a história vai mostrar isso. Isso se amarra inclusive pela Sinhá (Laura Cardoso) e eu não vou mais dizer nada. Mas eu não posso ligar para o jornalista ou para o público e falar: ‘Amigo, pelo amor de Deus, você não está entendendo, a gente tem um planejamento gigante’.

Então, a gente escolheu focar no trabalho e tudo bem. Luís Melo é um dos melhores atores do mundo. Ele é nível Dustin Hoffman. O trabalho que ele está fazendo é deslumbrante. A gente não tem problema com o Tanaka, e o público não tem problema com o Tanaka. A gente vai seguir contando essa história e ela é toda amarrada. Tem um porquê de as coisas serem assim. E isso é também uma característica da dramaturgia do Negrão, é o traço dele. “Flor do Caribe”, por exemplo, não teve nenhuma polêmica, mas tinha a trama e tinha uma outra trama por baixo, que é sempre nos atores mais velhos, no passado. A gente gosta de contar histórias assim. Muitos autores contam histórias assim, em três níveis de trama. E é só isso que eu posso contar.

Cesar Alves/TV Globo
Afastada por problemas de saúde, Laura Cardoso deve voltar para "Sol Nascente" em breve como Dona Sinhá, avó de Cesar (Rafael Cardoso) Imagem: Cesar Alves/TV Globo
Você é atriz há 25 anos, roteirista de teatro há 15, mas só mais recentemente assumiu seu lado novelista. Qual a parte mais difícil de escrever uma novela?
Não dá para fazer novela sendo atriz de novela, mas dá fazendo peça a cada quinze dias, que é o que estou fazendo, sabendo planejar. (A atriz está em cartaz no Rio de Janeiro com o espetáculo "De Perto Ela Não é Normal"). Eu demorei uns 15 anos para aceitar e só agora estou chegando num lugar de equilíbrio. Botar uma novela no ar é como levantar um voo, se acontecer de qualquer peça desse super avião não dar certo, nós temos que refazer o elo. Tivemos o AVC do Negrão e agora a doença da dona Laura, mas isso tudo a gente precisa lidar e saber tocar a novela com os problemas que ela apresenta.

O trabalho da Laura Cardoso como a vilã dona Sinhá é um dos destaques positivos de “Sol Nascente”, mas a atriz está afastada por problemas de saúde. Ela vai voltar?
Ela volta, a gente teve que fazer algumas adaptações nos capítulos, mas ela não chega a sair de cena. Ela dá ordem pelo telefone. Claro que a gente não tem a presença da Laura esses dias, mas tem ela agindo, tem o César agindo por ela. Foi um susto muito mais pela saúde dela, por a gente não querer que ela fique doente, do que pelo que a gente teve que reorganizar. A gente conseguiu manter o espírito Sinhá na novela. Foi duro, quase não dormi, mas estamos conseguindo.

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