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"Sempre esperei por um papel como esse", diz vilão de "Escrava Mãe"

Divulgação/Record/Edu Moraes
Jayme Periard é o vilão Osório Imagem: Divulgação/Record/Edu Moraes

Gisele Alquas

Do UOL, em São Paulo

27/10/2016 10h02

Destaque como o carrasco impiedoso Osório em “Escrava Mãe”, da Record, que faz da vida dos escravos um inferno, Jayme Periard diz que, apesar das maldades extremas do personagem, sempre sonhou em ganhar um papel deste nível que causasse impacto em uma trama. Osório mostrou a que veio logo no primeiro capítulo da novela, no qual estuprou a escrava Luena (Nayara Justino), traficada do Congo para o Brasil. Luena deu à luz Juliana (Gabriela Moreyra), protagonista da trama, que ainda não descobriu que o homem que tanto lhe faz mal é seu pai.

“É um personagem que espero há muito tempo, que eu tinha uma vontade imensa de interpretar e o desenvolvimento é excepcional. Às vezes você tem um bom papel no início da novela, mas depois ele não se sustenta”, afirma o ator, que também está no ar na reprise de “A Gata Comeu”, no Viva.

Periard conta que não se inspirou em ninguém para compor Osório e que o sucesso do personagem --que já chegou a ser ser um dos assuntos mais comentados do Twitter-- é também graças ao texto do autor Gustavo Reiz e da direção de Ivan Zettel. “Pude fazer uma criação detalhada de corpo, de voz. E o texto foi fundamental, sem nenhuma intepretação que se sobreponha. É uma trama boa”, conclui Periard. 

Reprodução/TV Record
Ator diz que cenas em que Osório aprisiona e bate em Esméria (Lidi Lisboa) foram muito difíceis de gravar Imagem: Reprodução/TV Record

Para dar mais veracidade à interpretação, o ator ficou durante nove meses morando em Paulínia, no interior de São Paulo, onde a novela foi gravada, em 2015. “Eu poderia voltar para o Rio, mas quis ficar lá direto, foi uma experiência riquíssima e muito prazerosa”, conta. Na época, a reportagem acompanhou as gravações e a caracterização de Osório para a primeira fase, em que aparecia mais jovem e com mais cabelo. Ele chegava a ficar na sala de maquiagem em média 40 minutos.

A maioria das cenas de Osório são pesadas, ressalta Periard. Mas a que mais o abalou foi a que o negociador espanca a escrava Esméria, interpretada por Lidi Lisboa. “É uma se sequência que eu a aprisiono, a levo para ser vendida e a esmurro. Foi uma mistura de sentimentos ruins que foram expostos. O ato físico chega a ser menor do que as falas dele, porque o Osório a humilha demais, a coloca em uma condição desumana”, conta ele, que se orgulha da parceria com Lidi.

Divulgação
Periard com Mayara Magri como o casal Tito e Babi de "A Gata Comeu" (1985) Imagem: Divulgação
Estreia no ar

Com 31 anos de carreira e 29 novelas no currículo, Jayme Periard estreou com papel de destaque em “A Gata Comeu”, exibida originalmente em 1985, na Globo. Ele era Tito, que fazia par romântico com Babi, personagem de Maiara Magri. Antes, o ator fez uma pequena participação em “Guerra dos Sexos", de 1983.

“Que alegria ver essa novela novamente. Em dois anos, o Viva já reprisou novelas importantes que atuei como “A Viagem” e “Despedida de Solteiro”. ‘A Gata Comeu’ foi um sucesso incrível, uma novela que foi feita com muita simplicidade, com uma história muito bacana. Fui muito bem acolhido pelos atores e o Herval (Rossano, diretor da trama) foi meu mestre. Sinto muita saudades daquela época”, contou, emocionado.

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