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Ator relaciona violência de "Westworld" a uma possível presidência de Trump

William (Jimmi Simpson, à direita) é um dos poucos visitantes "bonzinhos" no mundo de "Westworld" - Divulgação/HBO
William (Jimmi Simpson, à direita) é um dos poucos visitantes "bonzinhos" no mundo de "Westworld" Imagem: Divulgação/HBO

Beatriz Amendola

Do UOL, em São Paulo

30/10/2016 07h30

O parque temático que dá nome à série “Westworld”, a nova aposta da HBO, é quase uma terra sem lei: visitantes pagam quantias astronômicas para poder entrar em mundo de velho oeste e, em boa parte dos casos, atirar e praticar outras formas de violência contra os androides que habitam o local, os anfitriões. A exceção é William, personagem do ator Jimmi Simpson (“House of Cards”).

Sensível e com gosto por aventura, o personagem é um dos poucos "mocinhos" da trama (pelo menos até o momento). Ele trata os anfitriões como se fossem humanos e tem um olhar crítico em relação ao parque e aos visitantes que vão lá apenas com o propósito de criar o caos, como se estivessem dentro do GTA.

A série não especifica o ano nem o local em que a história se passa, mas Simpson vê paralelos entre a trama e a vida real. “É um espelho o que está acontecendo e do que poderia acontecer conosco”, disse o ator em teleconferência com jornalistas da América Latina, na qual o UOL esteve presente.

E, para ele, possível existência de um parque do tipo em um futuro próximo estaria relacionada à ascensão de políticos de retórica conservadora como Donald Trump, candidato à presidência dos Estados Unidos. “Eu diria que [o parque] pode ser o resultado de uma presidência do Trump”, afirmou, aos risos. “Mas acho que a maior parte de nós tem um melhor uso para grandes somas de dinheiro do que apenas ir a um lugar em que possamos sair atirando nas pessoas”.

Essa relação mais amigável de William com o parque, aliás, é o que faz com que os espectadores se identifiquem com ele, na opinião de Simpson. Levado pelo cunhado Logan, o rapaz não está lá com uma missão a ser cumprida, diferentemente de outros visitantes. “Nossas vidas não são sobre fazer escolhas e fazer o que queremos. Para a maior parte de nós, é ‘Certo, isso é o que sou. Como eu me viro?’. E isso é um bem para a história, porque nos permite ver como seríamos nesse meio. Ele está aberto a tudo, e acho que por causa disso, ele está absorvendo, vendo tudo, enquanto a maioria dos humanos estão acabando com o parque”.

Teorias e mistérios

Ed Harris em cena da série "Westworld", da HBO - Reprodução/EW.com - Reprodução/EW.com
Seria William a versão jovem do Homem de Preto?
Imagem: Reprodução/EW.com

Cheia de mistérios, “Westworld” – que foi criada por Jonathan Nolan e Lisa Joy, mas tem entre seus produtores JJ Abrams, de “Lost” – tornou-se um campo fértil para teorias de fãs, bem debatidas nas redes sociais. E a mais popular delas gira justamente em torno de William: segundo fãs, ele e o Homem de Preto (Ed Harris) são, na verdade, a mesma pessoa, e as cenas dos dois se passam em épocas diferentes.

Questionado sobre a teoria, Simpson desconversou. “Acho que isso é lisonjeiro, porque ele é um personagem durão. Mas eu vi muitas das teorias, e elas me lembram de nós, atores, quando recebíamos os roteiros e especulávamos sobre o que estava acontecendo. E às vezes estávamos certos, mas na maioria das vezes estávamos errados. Vocês vão ter que esperar como nós esperamos”.

Diferentemente de outras produções, em que os atores recebem os roteiros de forma seguida, na série da HBO eles eram enviados episódio por episódio, pouco antes das gravações. “Não saber o futuro tornou tudo muito mais real”, avaliou o ator. “Desde o início, a criação do personagem tinha a ver com o que você lia, informações de Lisa Joy e Jonathan Nolan, e o que estava acontecendo na cena. Eu gostei de não saber o futuro do personagem, porque nós estávamos todos no escuro, e tudo o que você pode fazer é viver aquele momento”.

Para quem está tendo trabalho para acompanhar os novos mistérios e pistas que a série tem dado, o ator prometeu que nada é gratuito. “Eles [os criadores] estão oferecendo informações e estímulos, mas nada é só pela experiência. Tudo está indo para algum lugar”.

Questionado sobre a alcunha de “a nova Game of Thrones” que caiu sob “Westworld”, apontada na imprensa como uma possível sucessora do hit da HBO, que deve acabar em 2018, Simpson afirmou que não houve pressão por conta das comparações. “Ninguém estava esperando que nós superássemos ‘Game of Thrones’. Nós sabíamos que o material era espetacular, então trabalhamos mais do que trabalhamos há muito tempo. Ter toda essa dedicação e compromisso se traduzindo em algo ao qual as pessoas estão respondendo parece um bônus acima da experiência que já foi tão recompensadora”.