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Entre sexo e poder, "Secretária do Presidente" critica políticos do Brasil

Divulgação/Multishow
Monique Alfradique protagoniza "A Secretária do Presidente", nova série do Multishow Imagem: Divulgação/Multishow

Natália Guaratto

Do UOL, em São Paulo

15/11/2016 07h00

Cada vez mais absurda e comparada à ficção, a política brasileira é o pano de fundo para a série “A Secretária do Presidente”, coprodução da Mixer Filmes com o Multishow, que estreia nesta terça-feira (15), às 23h15.

Em 15 episódios, a atração vai mostrar a saga de Ilde (Monique Alfradique), uma jovem do interior do Rio de Janeiro, que se muda para Brasília para perseguir o sonho de virar assistente do Presidente da República.

Escrita por Emílio Boechat (“Os Dez Mandamentos”) e dirigida por Júlia Jordão (“O Negócio”), a série mostra os bastidores do baixo escalão do poder e parodia escândalos políticos reais como o caso dos dólares na cueca de 2005, em que o chefe de gabinete do então deputado José Guimarães (PT-CE) foi apreendido tentando embarcar no Aeroporto de Congonhas com US$ 100 mil escondidos nas roupas íntimas.

“No processo de criação, a gente achava que escrevia coisas que eram pura invenção, mas aí pesquisávamos e descobríamos que já tinham acontecido. Ficamos muito impressionados como os políticos brasileiros são criativos. Eles conseguem superar a gente [roteiristas]”, conta Boechat em entrevista ao UOL.

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Ambiciosa, Ilde (Monique Alfradique) faz (quase) tudo para se dar bem em Brasília Imagem: Divulgação/Multishow
Diretora do projeto, Jordão chegou a questionar algumas situações retratadas em “A Secretária do Presidente”, alegando que os espectadores não iriam acreditar. “Em um dos episódios, existe uma lei que os deputados querem passar sobre a vestimenta das mulheres na Câmara. Eu falei: ‘Gente, eu não consigo acreditar na premissa desse episódio’. Na minha cabeça, jamais se perderia tanto tempo na Câmara com algo desse tipo e foi aí que me falaram que a história era inspirada em um fato real, inclusive foi a filha do Roberto Jefferson [a atual deputada federal e ex-vereadora pelo Rio de Janeiro Cristiane Brasil] que quis proibir a minissaia no Congresso”, conta.

Apesar de não serem inspirados em políticos reais, os personagens da série guardam semelhanças com figuras conhecidas nacionalmente. É o caso do deputado Percival Peçanha (Fábio Herford), líder de uma igreja. “A gente fez questão de que a igreja fosse uma coisa absurda. Não tem nenhuma fé. É uma igreja Protestante, mas tem coisas da Católica, ele faz o sinal da cruz, por exemplo, mas no fundo, ele é um embusteiro, né? É quase uma Cientologia”, explica Boechat.

A história da protagonista também é em parte inspirada por uma personalidade real: a ex-chefe do Gabinete da Presidência da República Rosemary Noronha, acusada de formação de quadrilha, tráfico de influência e corrupção ativa na Operação Porto Seguro conduzida pela Polícia Federal em 2012.

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Brasília é o pano de fundo para a história de "A Secretária do Presidente", protagonizada por Monique Alfradique Imagem: Divulgação/Multishow
Estereótipo da secretária

Outra questão central da série é a sexualidade da protagonista. Apesar da criação rígida e religiosa, Ilde considera que as relações sexuais são necessidades básicas tais como dormir, comer e escovar os dentes. Só no primeiro episódio ela se relaciona com dois homens diferentes. Por outro lado, recusa uma proposta para tirar a roupa durante uma entrevista de emprego.

“Ela é uma mulher que gosta de sexo, mas não quer subir na carreira por isso”, diz Jordão, garantindo que a série se preocupou em não reforçar o estereótipo de “secretária de filme pornô”. “Até por isso criamos a Adélia (Giulia Nadruz), uma garota de programa que representa essas mulheres golpistas, que existem também. Ela diz: ‘Secretária do Presidente? Isso é coisa de pobre, eu quero ser a mulher do Presidente’. A Ilde não usa o sexo para conseguir o que ela quer”, completa Boechat.

O elenco de “Secretária do Presidente” tem ainda Leona Cavali na pele de Mirtes, a mãe evangélica fervorosa de Ilde, que gosta de chamar Brasília de “a Sodoma e Gomorra” brasileira. Patricya Travassos vive Madame Cleice, cafetina e fornecedora oficial de garotas de programa para os governantes. Já Bento Ribeiro é o jornalista Daniel, que vê na história de Ilde e Mirtes um furo de reportagem que pode mudar sua carreira.

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