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Feminista antes do novo feminismo, "Gilmore Girls" volta intacta em carisma

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Los Angeles

25/11/2016 07h00

É só saudosismo que sustenta a volta de certos seriados? Em alguns casos sim, mas definitivamente este não é o caso de “Gilmore Girls”, que volta ao ar na Netflix nesta sexta-feira (25).

Encerrada abruptamente nove anos atrás, a série ganha quatro episódios inéditos de uma hora e meia e vem com um novo título: “Gilmore Girls - Um Ano para Recordar”. Além do objetivo declarado de se “dar um fecho” à saga de Lorelai Gilmore (Lauren Graham) e Rory Gilmore (Alexis Bledel), essas sequências também funcionam como um teste de audiência para ver se a série ainda tem apelo.

Se der certo, como já ocorreu com “Fuller House”, os fãs podem esperar uma nova temporada — embora a Netflix não diga nem que sim nem que não.

Mas o que fez “Gilmore Girls” tão famosa durante o tempo em que foi exibida foi algo que está muito em voga hoje em dia. As protagonistas da série eram feministas antes de o assunto voltar a ser tendência na TV e no mundo.

A reportagem do UOL levou a questão a suas protagonistas durante um encontro com jornalistas em Beverly Hills, em julho deste ano.

Alexis Bledel, a Rory, concordou com a afirmação. “Era uma série feminista mesmo antes de isso ser um tópico forte como é hoje. Porque mostrava um relacionamento entre mãe e filha cheio de amor. Você não via isso naquele tempo. A maioria das relações entre personagens femininos era competitiva. Nem era centrada no casal homem e mulher. Nós duas éramos, de certa forma, o casal.”

De fato, Lorelai tinha um par romântico, Luke Danes (Scott Patterson), com quem nunca quis oficializar uma união. No último episódio da série, inclusive, essa é uma questão que fica em aberto. Afinal, eles ficam juntos? Saberemos na nova temporada.

Lauren Graham, a Lorelai, diz que o fato de sua personagem ser um modelo de mãe solteira independente pode ter contribuído com essa visão. “Especialmente porque ela não dava muita atenção a isso.”

“Lorelai naquela época já era considerada progressiva em termos de como ela retratava o papel da mãe solteira na TV. Ela trabalhava, era mãe, mas essas eram apenas duas de suas características. E outra coisa: ela não estava nem um pouco preocupada com quem ela terminaria, se ela teria um par romântico. Talvez por isso foi visto como um programa feminista.”

Outro aspecto importante destacado por Scott Peterson é o fato de a série ter sido sempre uma narrativa leve. Sem violência, tensão ou conflitos que pudessem deixar os telespectadores estressados. Quase que uma novela do Manoel Carlos, mas sem tiroteios e muito mais ágil.

“Eu acho que as pessoas assistiam à série porque estavam em busca de um refúgio. Soldados americanos no Iraque assistiam, por exemplo. E faziam isso porque sabiam que nada de ruim ia acontecer. Os personagens eram muito divertidos, o roteiro muito inteligente, cheios de referências pop e uma narrativa ágil.”

Os novos episódios voltam exatamente nove anos após o último ter ido ao ar e são divididos entre as quatro estações do tal ano para recordar. E ainda que a série não viva só do saudosismo, os nostálgicos também não terão do que reclamar: as personagens, embora mais maduras e tendo que lidar com as novidades do mundo e algumas perdas, continuam intactas em seu carisma. Mesmo que você comece a assistir à série só agora, é impossível não gostar de Lorelai, Rory e Luke.

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