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Filha de Ziraldo vive na casa de "O Mundo da Lua": "Fãs ainda tiram fotos"

Reinaldo Canato/ UOL
A casa do "Mundo da Lua" tem um pau-brasil em frente a fachada, que agora está parcialmente escondida pelo muro Imagem: Reinaldo Canato/ UOL

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

21/12/2016 07h00

“Alô, alô, planeta Terra chamando...”. Há vinte e cinco anos, o menino Lucas Silva e Silva (Luciano Amaral) ganhava do avô, seu Orlando (Gianfrancesco Guarnieri), o gravador que faria tantas crianças embarcarem nas histórias de seu diário de bordo narradas nos episódios de “O Mundo da Lua”.  A casa onde viviam personagens marcantes, como a irmã Juliana (Mayana Blum), a empregada Rosa (Anna D’ Lira), a mãe Carolina (Mira Haar) e o pai Rogério (Antônio Fagundes), existe até hoje e fica em Alto de Pinheiros, bairro da região oeste de São Paulo.

A residência dos Silva e Silva, na realidade, foi reproduzida em estúdio pela TV Cultura, e apenas a fachada da casa real era usada na abertura do programa. A reportagem do UOL foi atrás da locação que serviu de cenário e descobriu que há quase 20 anos, quem vive lá com a família, é a diretora de cinema e publicidade Fabrizia Pinto, filha do cartunista Ziraldo e que co-dirigiu o filme “Menino Maluquinho 2” com Fernando Meirelles.

Nascida no Rio de Janeiro, ela procurava por um lugar para viver que tivesse uma ampla área externa, com muito verde, e que ao mesmo tempo fosse bem localizada na capital. Foi na casa do “Mundo da Lua” que a diretora encontrou seu cantinho ideal. "Eu gosto dessa ideia de ser dona de muito céu... Você está no meio da Vila Madalena [bairro boêmio na região], mas parece que está fora de São Paulo. Talvez seja o único jeito de uma carioca tolerar São Paulo. É um pequeno paraíso", brinca.

O famoso pau brasil plantado na calçada, que inclusive foi tema de um dos episódios da série, também resiste ao tempo. A árvore, tombada como patrimônio ambiental em 1989, foi fundamental para que a filha do cartunista resolvesse se mudar para o endereço. "É a razão pela qual eu moro lá. No dia em que fui visitar a casa para comprá-la, na hora que saí, um passarinho que estava no pau brasil fez cocô no meu ombro. Foi aí que eu decidi comprar a casa. Dizem que dá sorte, né?", recorda.

Fabrizia tem consciência do apelo nostálgico de sua residência, mas admite que esse não é o sentimento que a moveu a comprar o imóvel: "Eu fiquei muito tempo fora do Brasil, então não tinha visto o 'Mundo da Lua'. Só fui ver [o programa] depois por ter a casa. Tenho um absoluto apego afetivo com a casa. Como estou nessa área, faço publicidade, série de TV e cinema, acho o máximo que a minha casa foi cenário de algo tão importante. Mas não fez parte de algo que me formou como pessoa."

Reprodução/TV Cultura
Elenco da série "Mundo da Lua", da TV Cultura Imagem: Reprodução/TV Cultura
 

Relação sentimental
A casa de dois andares, paredes brancas e portão de ferro passou por modificações após ser comprada por Fabrizia Pinto. O seu interior, ela afirma, continua muito parecido à réplica feita pela TV Cultura.

“Eu mexi bastante nela, mas ainda tem muito do que tinha na série. A escada, as janelas, a porta de entrada... São vários elementos que continuam exatamente idênticos. Não fiz muita coisa que tenha destruído a personalidade da casa. Ela era toda branca e eu descasquei [as paredes, ficando os tijolos aparentes]. Essa é a maior das mudanças. Também tirei o portão de ferro e fiz um muro. Antes era possível ver a casa toda da rua", diz ela, que fez a alteração a fim de ganhar mais privacidade. "Também mudei a cozinha, fiz uma varanda em cima e um quartinho nos fundos. Mas procurei manter a essência da casa", explica.

A diretora diz que, mesmo alterando a fachada da residência, entusiastas do programa, que ainda hoje pode ser visto em reprises, reconhecem o local sem muita dificuldade. "Mais do que bater na porta, as pessoas tiram fotos. Eu vejo elas passarem e comentarem. Elas têm uma relação sentimental com essa casa, que virou um marco da cidade."

Reprodução/TV Cultura
Casa do programa "Mundo da Lua" fica em Alto de Pinheiros, região oeste de São Paulo Imagem: Reprodução/TV Cultura
Nem todo mundo, ela lamenta, tem a mesma consideração pelo lugar que era cenário dos problemas do cotidiano da família Silva e Silva. Fabrizia conta que chegou a fazer filmagens de comerciais de TV na casa, mas a reclamação de um vizinho a impossibilita de voltar a transformá-la em set.

"É uma casa boa para locação de filmagens, mas um dos vizinhos criou um bafafá gigante e hoje em dia para eu conseguir filmar na minha casa é um inferno. Ele criou uma situação que eu tenho que pagar multa [se quiser filmar]", conta. "Certa vez falei para ele: 'Enquanto você fizer isso, não pode assistir TV. Você acha que todos os filmes, novelas e histórias contadas são feitas como? É uma pessoa que não entende como isso é importante. E que não tem relação afetiva com essa locação. Não foi uma criança que assistiu à série e foi feliz, né?"

Casa de vovó
A casa que ficou conhecida no “Mundo da Lua” foi descoberta por uma antiga produtora do programa, que saiu em busca pelas ruas da cidade por uma locação que preenchesse os devidos pré-requisitos. Os pilotos da série, aliás, foram feitos em um apartamento até que a residência oficial dos Silva e Silva fosse encontrada

"Queríamos uma casa antiga, com cara de classe média, que parecesse a casa da vovó com aquelas varandinhas na frente. Por outro lado, precisávamos de um lugar tranquilo e sabíamos que poderíamos encontrar no Alto de Pinheiros, que não tem aquela movimentação da Vila Madalena", diz Malu Oliveira, que era assistente de direção. Depois de fazer fotos de algumas casas e escolher o cenário ideal para a série, os antigos proprietários foram localizados – mas, naquele momento, o imóvel estava alugado e foi preciso que o inquilino autorizasse ceder o local para o programa. O combinado era que só gravariam cenas na parte externa.

“Às vezes passo lá em frente para ver como que está a árvore. Gosto porque isso tudo é história. São as memórias da gente, as lembranças da nossa vida”

Malu Ferreira, antiga moradora da casa que serviu de cenário para o "Mundo da Lua"

A casa famosa que marcou uma geração de telespectadores foi construída nos anos 40 por um engenheiro químico de Franca, interior de São Paulo, que já morava na capital e havia acabado de se casar. “O meu avô deu esse dinheiro para que ele construísse a casa. Quando que meu pai faleceu, em 1996, a gente vendeu a casa dois anos depois porque era muito grande e custosa para ser mantida. Eu também cheguei a morar lá com a minha mãe e meu filho”, conta a aposentada Malu Ferreira, ex-funcionária da Cinemateca de São Paulo e, coincidentemente, tem o mesmo nome da produtora que achou a casa para o “Mundo da Lua”.

De vez em quando, ela gosta de passar em frente à antiga casa que faz parte de sua história. O pau brasil faz parte das boas e inesquecíveis memórias: "É uma árvore que foi plantada pelos meus pais. A minha mãe começou a fazer paisagismo e meu pai entendia das propriedades da terra e até deixou uma receita de como plantar o pau brasil, já que e uma árvore de clima quente. Ele fez uma preparação do solo para ela vingar e deu supercerto porque ela ficou enorme".

“Às vezes passo lá em frente para ver como está a árvore. Gosto porque isso tudo é história. São as memórias da gente, as lembranças da nossa vida”, conta.

Divulgação
Lucas Silva e Silva (Luciano Amaral) era o garoto sonhador do "Mundo da Lua" Imagem: Divulgação
A aposentada, que estava na casa quando aconteceu a última filmagem na parte externa, em 1992, diz sentir orgulho por saber que o imóvel fez parte, de alguma forma, da vida de tantos brasileiros. “A gente se sentiu lisonjeado por terem escolhido essa casa. Lembro que quando morava lá muitas escolas no bairro faziam passeios para mostrar a árvore. Batiam muito na porta e queriam saber se ali tinha sido realmente o ‘Mundo da Lua’. Foi emocionante a valorização de uma produção brasileira.”

O programa “Mundo da Lua” teve 52 episódios, que foram exibidos originalmente entre 1991 e 1992. A assistente de direção Malu Oliveira acredita que foi tão marcante, e continua atual, porque trazia uma família com problemas reais. “Os sonhos do menino são parecidos com os desejos das crianças de hoje em dia. Era uma família muito parecida com as famílias em geral, com todas aquelas confusões. A série também foi muito feliz na escolha dos temas dos episódios, que eram comuns às crianças. Os problemas que acontecem ali, também acontecem em todas as casas."

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