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Amigas e rivais: "Feud - Bette e Joan" reconta treta de divas de Hollywood

Divulgação / Fox
Jessica Lange e Susan Sarandon vivem as veteranas atrizes, que atuaram no premiado "O que terá acontecido a Baby Jane?" Imagem: Divulgação / Fox

James Cimino

Colaboração para o UOL, em Los Angeles

“Se quisermos papéis temos que nos ajudar, Bette”, diz a atriz Joan Crawford ao convidar Bette Davis, sua notória rival em Hollywood, para contracenar com ela no clássico do suspense “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?” em 1962.

A cena, reproduzida na primeira temporada da série “Feud - Bette e Joan”, que estreia no Brasil neste domingo, às 22h, no canal pago Fox Premium, é um retrato de um problema que hoje, 55 anos depois da estreia do longa, ainda se vê na indústria do entretenimento: o sexismo e a falta de oportunidade de trabalho para as mulheres.

Na década de 1960, Bette Davis (Susan Sarandon) e Joan Crawford, (Jessica Lange) gigantes da telona nos anos 1930 e 1940, encaravam a ausência de ofertas de papéis por serem consideradas “velhas demais”.

Na época, completar 40 anos era uma espécie de aposentadoria compulsória para as atrizes. Por isso, o diretor Robert Aldrich (Alfred Molina), ele mesmo um diretor de filmes de segunda categoria que via na história de Baby Jane uma possibilidade de se tornar respeitável, encarou recusas de todos os executivos de Hollywood ao projeto.

Susan Sarandon, que interpreta Bette Davis na série, sabe que o assunto continua atual. "Conforme a gente sobrevive neste negócio, as pessoas vão sumindo. Muitas mulheres não têm mais a sorte de estar trabalhando como eu e Jessica [Lange]", diz a atriz.

Em um diálogo exibido na série entre ele o executivo da Warner Brothers Jack Warner (Stanley Tucci), o dono do estúdio tenta justificar seu não à distribuição do filme com um insulto bastante revelador do papel das mulheres no cinema naquela época: “Ninguém pagaria pra ver essas duas velhas! Você comeria essas duas?”

Após ser convencido a botar o filme nas salas de cinema porque seria pago antes, Warner aproveitou as fofocas de bastidores como ferramenta para promover seu filme. E mais: incentivou Aldrich a alimentar a página da colunista Hedda Hopper (Judy Davis) com críticas que ouvia de Bette a Joan e vice-versa. O famoso leva e traz.

Funcionou. O filme estreou em 400 salas, foi sucesso de público e recebeu cinco indicações ao Oscar, inclusive de melhor atriz para Bette Davis. Joan Crawford, que foi quem teve a ideia do filme, não foi indicada. E é nessa parte que a briga fica mais interessante.

A treta

“Feud”, um título que em português corrente poderia ser traduzido como “treta”, mostra ainda que a rivalidade entre Davis e Crawford também foi obra de Jack Warner. Quando Bette Davis era sua contratada e estrelava um filme indicado ao Oscar atrás do outro, ele contratou Joan Crawford. Isso porque a intérprete de Baby Jane se recusava constantemente a fazer filmes que ela considerava ruins. Tudo o que Bette não queria, Jack passava para Joan fazer.

Mas Bette Davis, que foi a primeira mulher a ser presidente da Academia, não era de levar desaforo para casa e processou Warner, o que levou a uma quebra de contrato que mudaria todo o sistema de como os estúdios dispunham dos atores.

O episódio, no entanto, fez com ela pegasse birra de Joan, a quem considerava uma atriz medíocre, que se segurava apenas pela aparência. Bette era o oposto disso. Nunca foi considerada bonita e sempre disse que sua preocupação maior era o trabalho. Não se importava em ficar horrenda se o papel exigisse, como em “Baby Jane”, coisa que Joan e a maiorias das atrizes de Hollywood não fazia.

Verdade ou boato?

Em “O Que Terá Acontecido a Baby Jane?”, ficção e realidade se misturaram. As duas interpretam atrizes decadentes de Hollywood que são irmãs e vivem na mesma casa. Blanche (Crawford) é paralítica e depende dos cuidados de Jane (Davis), que é alcoólatra e está ficando perturbada mentalmente.

Embora as duas, em entrevistas posteriores, tenham dito que estavam se dando muito bem nas filmagens, os bastidores do filme foram explosivos. Em uma cena em que Jane agride Blanche, comenta-se que Bette chutou Joan na cabeça de propósito. Em outra cena em que Jane arrasta Blanche, Joan teria jogado todo o peso de seu corpo para machucar as costas de Bette.

Não é de se espantar que o Oscar de 1963 tenha sido usado como o palco perfeito para uma vingança — o capítulo 5 de “Feud” acontece durante a cerimônia. Depois de promover um boicote a Bette Davis, Joan Crawford combinou com a amiga Anne Bancroft, também indicada, que, caso ela ganhasse, gostaria de subir ao palco para receber o prêmio em seu lugar. Quando o prêmio foi anunciado, Joan teria levantado e dito para Bette: “Com licença, mas eu tenho um Oscar para receber.”

"Eu nunca me confrontei com ninguém como essas duas, mas, claro, esse lance de ciúme e rivalidade todos nós temos, não temos? É a natureza humana. Mas, no caso delas, elas foram manipuladas para alcançar um objetivo", opina Jessica Lange, que interpreta Joan Crawford.

Se tudo isso é verdade ou boato plantado? Criador da série e um dos maiores produtores da TV americana da atualidade, Ryan Murphy (da premiada “O Povo Contra O.J. Simpson: American Crime Story”) disse que boa parte do roteiro foi baseado em uma entrevista de quatro horas que fez com Bette Davis um mês antes de sua morte, em 1989.

Na época, ele pouco publicou do material porque a atriz contou muita coisa em off. Mas o produtor fez questão de dizer que a série não é para botar mais água nesta fervura: “Quero mostrar como a velhice foi cruel para elas em Hollywood, como acabaram fazendo filmes tão inferiores a seu talento depois de ‘Baby Jane’. E como elas mereciam muito mais.”

Feud - Bette e Joan
Quando: estreia 12 de março, às 22h
Onde: Fox Premium

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