Televisão

Rafael Cortez critica onda conservadora no humor: "Hoje, CQC seria careta"

Globo/Estevam Avellar
Rafael Cortez: "Só tem um tipo de sacanagem que você pode fazer no humor que é a autosacanagem" Imagem: Globo/Estevam Avellar

Felipe Pinheiro

Do UOL, em São Paulo

04/05/2017 04h00

Rafael Cortez, que começou sua carreira na televisão no "Custe o Que Custar", na Band, diz sentir falta do programa que o tornou conhecido há quase dez anos. Em tempos de grande ruído pelas investigações da Operação Lava Jato não faltaria assunto para o "CQC, que tinha como um de seus pilares o debate político. Mas o apresentador e humorista é cético quanto a um eventual retorno do programa que tinha na irreverência sua marca.

"Faz muita falta. Mas eu acho impossível um programa como aquele voltar a existir no Brasil. Às vezes me pego assistindo a algumas coisas que eu fiz, muitas matérias, e vejo que [o programa] não funcionaria na TV aberta de hoje", diz.

O apresentador e humorista vê uma mudança grande na sociedade e com ela uma "onda conservadora" que inevitavelmente, ele acredita, afetaria profundamente o DNA de um programa que tocava em assuntos sérios com sarcasmo.

"A sociedade brasileira está muito mais conservadora do que nove anos atrás. Muitas matérias, cutucadas e até muitas piadas não poderiam mais ser feitas, pois hoje ganhariam o estereótipo de bullying. Do 'isso é machismo', 'isso é feminismo', 'isso é homofobia'... São todos os tipos de rótulo. Está muito difícil fazer humor", afirma. "O 'CQC' pode ser refeito, e eu torço para que isso aconteça porque dá chance para muita gente nova, mas ele teria que ser adequado a um novo Brasil. Provavelmente seria um programa mais leve, menos contundente", completa.

Uma releitura do programa, então, seria uma versão careta de si mesmo? "Infelizmente. Por conta do contexto, daria uma encaretada", acredita. Cortez, que teve um quadro na última edição do "Big Brother Brasil" e pode ser visto em matérias do "Vídeo Show", na Globo, faz uma autocrítica e diz como precisou se reinventar para continuar existindo nos palcos de stand up e mesmo na televisão.

Já percebeu que em todas as matérias eu sou um bobo alegre? Eu faço autobullying"

"Só tem um tipo de sacanagem que você pode fazer no humor que é a autosacanagem. E é o meu caminho. Já percebeu que em todas as matérias eu sou um bobo alegre? Eu faço autobullying. Quem vai se ofender com isso? O caminho que eu escolhi é de sobrevida. E funciona. Quando faço show de stand up, a maior parte das piadas é comigo mesmo. E eu tenho um ego muito bem resolvido. Tem uma hora que a plateia relaxa e você até soltar uma piada com alguém, mas não pode subir no palco e já zoar o careca. Primeiro você tem que falar, 'eu tenho um implante capilar'. Em algum momento, se perceber que o cara relaxou, você aponta para o careca e zoa ele. Fora isso não dá", declara.

"BBB": O empoderamento dos anônimos

Paulo Belote/Divulgação/TV Globo
Emilly e Marcos, participantes do "BBB17" Imagem: Paulo Belote/Divulgação/TV Globo
 Rafael Cortez diz que desde seu início na televisão se vê como um jogador, que muda de posição conforme o jogo. Neste ano, além do quadro de humor do "BBB17", ele comandou um programa na web em que debatia os acontecimentos do reality show.

O apresentador afirma ser um telespectador ocasional do "BBB" -- quando estava na geladeira da Record, por exemplo, acompanhava o programa porque lhe sobrava tempo. A experiência de trabalhar com o reality fez Cortez sentir em suas próprias redes sociais o furor dos haters. Para ele, o reality mais amado e odiado do Brasil causa tanta comoção porque é feito por pessoas totalmente desconhecidas.

"O BBB é um caso clássico de empoderamento dos anônimos. É um dos raros 'cases', especialmente da TV aberta, de visualização do anônimo para o anônimo. Por isso as pessoas têm uma fixação com 'BBB'. A gente tem ideia de glamourização de achar que quem está na televisão é famoso. E de repente o 'BBB' mostra pessoas como nossos irmãos, tios, pais... As pessoas piram porque são pessoas que até então não eram ninguém e passam a ser celebridades, que gozam de uma vida pública por um tempo", observa ele, que acredita ter aprendido a lidar com os comentaristas de internet desde os anos de "histeria coletiva" provocada pelas reportagens do "CQC".

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