Televisão

Palhaço, bailarino, jornalista: quem são os "Pablos" do "Qual É a Música"?

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

10/07/2017 04h00

"Pablo, qual é a música?" é a frase que marcou a gincana musical de Silvio Santos. O programa "Qual É a Música" estreou nos anos 70, mas foi na década seguinte que se eternizou com uma figura que até hoje está no imaginário popular: Pablo, o dublador com desenho no rosto que fazia caras e bocas ao interpretar as canções do "Leilão das Notas Musicais".

O dublador extravagante marcou a atração e provocou um "boom" de Pablos no Brasil. Mais de 20 mil meninos (e até meninas!) ganharam este nome nos anos 80, quatro vezes mais do que na década anterior.

O personagem fez tanto sucesso que a gincana do SBT teve mais quatro dubladores confundidos com o Pablo original. Carlos Cesare, Aníbal, Felipeh Campos e Alberto Goya pintaram a cara e fingiram cantar em diferentes fases do programa até a última edição, em 2008.

Cada dublador seguiu rumos diferentes após a atração. O primeiro Pablo, que se chama Augusto, voltou para o país natal, Espanha, e faz shows pela Europa. Seu substituto, Carlos Cesare, é palhaço e professor de teatro no interior de São Paulo. Felipeh Campos continua na mídia e trabalha com Sonia Abrão. Alberto Goya, o último "Pablo", atua como bailarino de musicais e programas de TV.

Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/pablosbt
Augusto Rodriguez como Pablo no "Qual É a Música" e atualmente Imagem: Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/pablosbt

Pablo não volta ao Brasil por medo

Augusto Rodriguez, o primeiro Pablo, foi dado como morto e portador do vírus HIV, mas superou os boatos e está muito vivo. Atualmente, faz shows em boates e cruzeiros pela Europa e costuma publicar fotos de suas viagens nas redes sociais.

Augusto adotou o nome artístico "Pablo" e seu perfil no Instagram se chama "pablosbt", prova de que sabe o tamanho da fama no Brasil e o quanto sua vida mudou com o "Qual É a Música".

Embora tenha carinho e admiração pelo Brasil (chegou a vir em 2012 e reencontrou Silvio Santos), o espanhol de 61 anos não pensa em retornar ao país onde ganhou popularidade por medo.

"Voltei em 2012 e 2013, gravei programas, mas uma pena ter muita violência e falta de segurança. Amo o Brasil, mas não dá mais", lamenta Pablo.

Montagem/Reprodução/SBT/Pedro Palma
Carlos Cesare no "Qual É a Música" e atualmente Imagem: Montagem/Reprodução/SBT/Pedro Palma

Substituto de Pablo é ator e palhaço

Pablo deixou o "Qual É a Música" em 1986. Para substitui-lo, Silvio Santos convidou um rapaz de 20 anos que havia ganhado um prêmio no "Show de Calouros". Carlos Cesare trabalhou no programa durante quatro anos. "Ele gostou muito depois que descobriu que nasci no mesmo dia que ele, 12 de dezembro", relembra.

Hoje com 51 anos, Cesare admite que dublar era "frustrante", porque queria cantar e atuar. Em uma de suas participações mais famosas, já como cantor, Silvio tentou formar um casal entre ele e Eliana, então integrante do grupo A Patotinha. "Não entrei no jogo dele", recorda o ator, que anos depois trabalhou com a loira na Record.

Depois do "Qual É a Música", Carlos Cesare foi convidado para o júri de programas do SBT, mas deixou a TV e ganhou a vida fazendo apresentações em festas infantis. Também trabalhou em peças com Sergio Mamberti e Domingos Montagner. Ele reapareceu na TV no "Se Vira nos 30", quadro do "Domingão do Faustão".

De volta à cidade natal, São José dos Campos (interior de São Paulo), Cesare hoje é professor de teatro, ator e palhaço em espetáculos de seu grupo. A fama, porém, ainda o persegue. "É incrível, aqui na cidade ainda sou o 'menino do Silvio Santos', conta.

Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/felipehcampos
Felipeh Campos no "Qual É a Música" e atualmente Imagem: Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/felipehcampos

Felipeh Campos: "Não me chamem de Pablo!"

Um concurso no "Programa do Ratinho" para escolher o substituto de Pablo marcou o retorno do "Qual É a Música" ao SBT, em 1999, após oito anos fora do ar. Felipeh Campos foi escolhido entre mais de 700 participantes e ganhou fama como dublador da atração, desta vez com o formato comprado dos Estados Unidos ("Name That Tune").

Felipeh é grato ao "Qual É a Música" por seu primeiro trabalho fixo na TV. Foram quatro anos dublando no "Leilão das Notas Musicais" ao lado de Ellen Rocche, também revelada no programa. Ele só detesta quando é chamado de "Pablo".

"Silvio nunca me chamou de 'Pablo'. As pessoas tendem a depreciar esse trabalho que foi digno. Foi a melhor época da minha vida em termos de trabalho. Além de ser com o maior comunicador do país, era um trabalho inocente. Foi o que pagou minha faculdade de Jornalismo", relembra.

Desde sua saída do "Qual É a Música", Felipeh não sai da mídia. Em 2011, ele "tirou do armário" Agnaldo Timóteo no "Superpop". O jornalista também participou do reality show "A Fazenda 7", em 2014, e atualmente trabalha na rádio Mundial e no programa "A Tarde É Sua", com Sonia Abrão, na RedeTV!.

Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/alberto_goya
Alberto Goya no "Qual É a Música" e atualmente Imagem: Montagem/Reprodução/SBT/Instagram/alberto_goya

O "Pablo bailarino" e o "Pablo desaparecido"

"Qual É a Música" teve ainda mais dois dubladores. Alberto Goya virou "Pablo" na última fase do programa, entre 2007 e 2008. Ele dividiu o "Leilão das Notas Musicais" com Patrícia Salvador, então queridinha de Silvio.

O UOL tentou entrar em contato com Alberto, que também está fora do Brasil. Hoje, ele trabalha como ator e bailarino e bailarino em musicais e na TV. Chegou a beijar Claudia Raia no espetáculo em homenagem a ela e participou do "Domingão do Faustão", "Programa da Sabrina" e "Máquina da Fama".

Reprodução/Blog O Baú do Silvio
Aníbal foi dublador do "Qual É a Música" em 1991 Imagem: Reprodução/Blog O Baú do Silvio
Dos cinco "Pablos" do "Qual É a Música", um está "desaparecido", pelo menos na internet. Aníbal substituiu Carlos Cesare e foi dublador da gincana de Silvio em 1991, último ano da atração antes de sair do ar. O único registro do profissional está em um blog de um fã de Silvio Santos. Por onde você anda, Aníbal?

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