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Violentada em série da Globo, atriz já defendeu mulheres de assédio na rua

Cesar Alves/TV Globo
Lorena Comparato (Dora) e Hermila Guedes (Celeste) em "Cidade Proibida", série da Globo Imagem: Cesar Alves/TV Globo

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

15/10/2017 04h00

Depois de protagonizar um romance lésbico em "Rock Story", Lorena Comparato voltará no tempo para viver um drama na TV. A atriz de 27 anos interpreta Dora na série "Cidade Proibida", ambientada na década de 1950, e presenciará o pai agredindo a mãe sem poder reagir, porque é cadeirante.

Lorena aparecerá no capítulo "Celeste", nome da mãe da cadeirante Dora, papel de Hermila Guedes. O pai agressor, interpretado por Otávio Muller, também provocou o acidente que fez Dora perder os movimentos das pernas.

"Foi uma agressividade do pai, uma briga dentro do carro, ele capota e ela fica cadeirante. Ele não necessariamente bate nela, ele bate na mulher mesmo. Assisto ao meu pai bater na mãe há anos. É um conflito bem tenso e, infelizmente, realidade em muitas partes do Brasil", afirma Lorena ao UOL.

Diferentemente da personagem, Lorena parte para cima quando vê mulheres sendo assediadas. Ela revela que já tirou satisfações com homens agressores na rua, mas sabe que reagir a flagrantes de violência e abuso é arriscado.

"Eu já tive alguns episódios de ver homens maltratando mulheres na rua e eu não consigo parar. Eu vou e falo: 'Oi, tá maluco?'. Eu me meto, é perigoso. Eu sou louca, sou baixinha, pequenininha, mas sobe um sangue na minha cabeça que eu não consigo parar", admite.

Cesar Alves/TV Globo
Lorena Comparato como a cadeirante Dora em "Cidade Proibida" Imagem: Cesar Alves/TV Globo
Perrengues como cadeirante

Para interpretar Dora, Lorena Comparato não precisou de aulas particulares para ser cadeirante porque ela precisou usar cadeira de rodas na adolescência, porém a atriz teve dificuldades durante as gravações para controlar o equipamento antigo.

"Aos 14 anos, eu tive um problema no joelho, minha patela saiu do lugar e fiquei na cadeira de rodas durante um mês. Sempre valorizei e tive essa consciência da necessidade de ter rampas na cidade toda. Não tive preparação com ninguém, pedi para a Globo enviar a cadeira na minha casa. Passei uns dias com ela no meu prédio, e é antiga, dos anos 50 mesmo, tem umas travas nas rodas que não são tão boas quanto as de hoje em dia. A manipulação dela era bem difícil. Em cena, foi realmente um desafio, porque a cadeira dava umas travadas", reclama.

Paralelamente à TV (além da Globo, haverá mais lançamentos na TV paga e outras plataformas que a atriz ainda não pode revelar), Lorena Comparato está em cartaz com duas peças: "Não Tô Entendendo Nada", que conta a história do Brasil usando linguagem corporal, e "Agosto", ambas no Rio de Janeiro.

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