Televisão

Ator e taxista: saiba como estão os canhoneiros das "Olimpíadas do Faustão"

Paulo Pacheco

Do UOL, em São Paulo

09/11/2017 04h00

Você se lembra da "Ponte do Rio que Cai"? Se você tem mais de 25 anos, certamente já viu a prova mais famosa das "Olimpíadas do Faustão", quadro exibido durante quase dez anos no "Domingão". Na gincana, os participantes tentavam atravessar uma ponte de madeira e eram alvos dos canhoneiros, "carrascos" que derrubavam os competidores com boladas disparadas de canhões, para alegria de Faustão.

Dois atiradores ganharam destaque na atração, exibida entre 1989 e 1998: Márcio Vieira Souto e Miguel Teixeira de Andrade. O primeiro está no elenco de um dos principais programas da Globo. O segundo também é ator, mas precisou virar taxista para pagar as contas.

Inspirado nos game shows japoneses, "Olimpíadas do Faustão" teve mais de 1.500 edições, com dezenas de quadros. Posteriormente, Fausto Silva apresentou quadros semelhantes, como "Faustolândia" e "Maratoma", mas nenhum teve o mesmo sucesso da "Ponte do Rio que Cai" -- piada com o filme "A Ponte do Rio Kwai" (1957).

Montagem/Reprodução/TV Globo/Arquivo pessoal
Miguel Andrade como canhoneiro de Faustão, em 1990, e atualmente, como taxista Imagem: Montagem/Reprodução/TV Globo/Arquivo pessoal

Miguel Andrade: o canhoneiro taxista

Se você estiver no Rio de Janeiro e pedir um táxi, poderá ser guiado por um canhoneiro do Faustão. Miguel Andrade, de 57 anos, foi um dos primeiros atiradores famosos das "Olimpíadas", a partir de novembro de 1989. Descoberto em um karaokê, ele participou do quadro "Controle Remoto" e virou animador de plateia, até ser "promovido" na "Ponte do Rio que Cai".

"O diretor das 'Olimpíadas', Mauricio Nunes, me viu e disse que precisava de alguém que tivesse jogo de cintura para o 'Fliper-lama', mas o quadro ficou pouco tempo no ar e me colocaram de canhoneiro", relembra Miguel, que ficou três anos no ar com o canhoneiro bigodudo e gordinho --tinha até nome artístico, Mister Fat ("Senhor Gordo" em inglês).

Após deixar o programa, tirou registro de ator e participou de dezenas de novelas e séries da Globo, como "O Profeta", "Cobras & Lagartos", "Duas Caras" e "A Grande Família". A ponta mais recente foi em "Supermax", exibida pela Globo em 2016. Mas a situação econômica apertou e o ator decidiu tentar a sorte como taxista.

"Comecei há 50 dias. Tenho que pagar as contas, né? Estou pagando as diárias da empresa e está difícil sobrar alguma coisa, mas devagarinho vamos indo", afirma, esperançoso.

Há 25 anos, ele também vende cosméticos para complementar a renda, mas ainda é reconhecido como canhoneiro: "Até hoje tem gente que me encontra na rua e diz: 'Pô, você deu bolada na minha mãe!'".

Montagem/Reprodução/João Miguel Júnior/TV Globo
Márcio Vito como canhoneiro de Faustão, em 1993, e imitando Pablo Escobar no "Tá no Ar" Imagem: Montagem/Reprodução/João Miguel Júnior/TV Globo

Márcio Vito: o canhoneiro humorista

Quase todos os telespectadores conhecem Márcio Vieira Souto pelo nome artístico, Márcio Vito. Ele faz parte do elenco do "Tá no Ar", que estreará sua quinta temporada em janeiro de 2018. Entretanto, poucos sabem que o primeiro papel de destaque do ator na TV foi o de canhoneiro do Faustão, com 18 anos.

Durante quatro temporadas, Vito se fantasiou com narigão e barba grisalha para atirar bolas nos competidores da "Ponte do Rio que Cai". Ator de teatro, ele fazia figuração na Globo e também era assistente de produção na extinta Manchete e precisou se disfarçar para não ser reconhecido pela outra emissora.

"Eu estava assistindo a uma gravação e, na minha maluquice de moleque e do lado do [diretor] Mauricio [Nunes], falei: 'Se quiser, eu faço!'. Mas eu tinha que me maquiar porque eu trabalhava em outra emissora. Eu gostava mesmo de fazer, me orgulho muito", relembra.

Depois das "Olimpíadas", Márcio Vito seguiu a carreira de ator no teatro, no cinema e na TV. Atualmente com 45 anos, ele integrou o elenco da novela das seis "Novo Mundo", encerrada em setembro, e começará a gravar quinta temporada do "Tá no Ar".

Hematomas e "nazismo": bastidores da "Ponte do Rio que Cai"

Mauricio Nunes/Arquivo pessoal
Márcio Vito nos bastidores das "Olimpíadas do Faustão" Imagem: Mauricio Nunes/Arquivo pessoal
As "Olimpíadas do Faustão" começaram quando o diretor do "Domingão", Mauricio Nunes, assistiu aos games japoneses e sugeriu para a Globo comprar o formato. Atualmente envolvido em projetos na internet, ele explica como funcionava os canhões e as bolas dente de leite usadas como "bombas".

"O canhão tinha quatro pneus de lambreta, dois de cada lado, que giravam a bola. Às vezes saía forte, às vezes fraco. Não tinha como controlar. As pessoas ficavam de boca aberta e machucava. Usávamos capacete normal, depois de futebol americano. Para a gente aproveitar uma bolada, passavam 15 antes", conta o diretor.

"O canhão era violento. A bola entrava espremida ali no meio e saía uma pancada bem forte. Não era cenográfico", ressalta Miguel Andrade. Por causa disso, apesar da preocupação com a segurança, acidentes eram comuns durante as gravações.

"Eu me lembro de uma menina que tinha sido levada pelas amigas para a despedida de solteiro, mas não sabíamos. Um tempo depois, o noivo chegou p... da vida, reclamando que ela estava roxa no casamento", recorda Márcio Vito.

Outra polêmica da "Ponte do Rio que Cai" foi a presença de um canhoneiro "nazista". Miguel Andrade chegou a usar bigode à la Adolf Hitler e uniforme militar com suástica, símbolo nazista, enquanto atirava bolas nos participantes.

"Era o Hitler mesmo, tinha suástica no capacete e tudo. Alemães perguntaram para o Faustão por que o canhoneiro era estereótipo do Hitler, mas ele falou que o bigode era do Charlie Chaplin e o capacete era dos Aliados. Tiraram a suástica, depois me descaracterizaram. Perdi o interesse e saí", revela.

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