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Tragédia de "Treze Dias Longe do Sol" discute ética e corrupção, diz elenco

Ramón Vasconcelos/TV Globo
Marion (Carolina Dieckmann) e Saulo (Selton Mello) na minissérie "Treze Dias Longe do Sol" Imagem: Ramón Vasconcelos/TV Globo

Giselle de Almeida

Do UOL, no Rio

08/01/2018 04h00

Enquanto as vítimas do desabamento do Centro Médico Dr. Augusto Rupp lutam para sobreviver, os responsáveis pela obra fazem o que está ao seu alcance para se livrar das consequências do acidente. É assim, numa situação limite, que se encontram os personagens da minissérie "Treze Dias Longe do Sol", que estreia nesta segunda-feira (8), na Globo - uma história, que, segundo o elenco, debate questões como ética e corrupção em caso que lembra muito situações da vida real.

Isso porque gente poderosa como a diretora financeira da Baretti Engenharia, Gilda (Débora Bloch), usa todos os recursos possíveis para não ser incriminada pelo desabamento.

"Ela é prepotente e tem uma ética duvidosa. Não imaginou que isso pudesse acontecer, mas isso não impede de agir a seu favor. A gente conhece histórias assim. No Rio de Janeiro, já tivemos prédios que desabaram, e os responsáveis não foram punidos, as pessoas não recuperaram suas casas. A minissérie mostra um pouco sobre a nossa maneira de funcionar", analisa a atriz.

Camila Márdila, que dá vida a Yasmin, uma das sobreviventes, diz que a produção discute temas importantes. "Fala de corrupção, desvio de dinheiro, de como a mídia retrata isso, a repercussão na vida de cada um", afirma.
 

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A roteirista Elena Soárez diz que a proposta da produção era colocar "um grupo de atores excepcionais numa situação limite". "A gente se olha naquela história, onde as pessoas se revelam. Temos um protagonista humano, imperdoável e adorável", afirma.
 
A autora se refere ao engenheiro responsável pela obra, Saulo Garcez (Selton Mello), e também uma das vítimas. Ele se encontra entre os soterrados com a queda da estrutura, ao lado da médica Marion (Carolina Dieckmann), um amor do passado que ele reencontra bem no meio da tragédia.
 
"É nessas condições que a gente vê o bem e o mal de cada um", explica o diretor Luciano Moura.
 
Reinaldo Marques/TV Globo
Marco Antônio (Fabrício Boliveira) na minissérie "Treze Dias Longe do Sol" Imagem: Reinaldo Marques/TV Globo

Se os poderosos tentam se livrar da responsabilidade, o bombeiro Marco Antônio (Fabrício Boliveira), líder da equipe de resgate, só pensa em retirar o grupo de funcionários e visitantes com vida dos escombros.

"Para ele, é indiferente se quem está ali é o cara que construiu o prédio ou o que o planejou. Ele quer salvar pessoas. Fiquei emocionado com a seriedade do trabalho dos bombeiros, dá orgulho de ver", afirma o ator, que teve o auxílio de profissionais na fase de preparação. 

Camila Márdila recorda que os dias de filmagens, num estúdio em São Paulo, foram cansativos, especialmente para os intérpretes dos sobreviventes, que passavam horas debaixo de muita poeira e escombros cenográficos. 

"Só de entrar no set, a gente se sentia naquela situação. Saíamos exaustos, como se estivéssemos naquela situação todo o dia. Dá muita angústia, uma aflição, uma claustrofobia... É difícil e bem desgastante", recorda ela, cuja personagem está grávida de nove meses e vai ao encontro do pai, Jesuíno (Antônio Fábio), mestre de obras da construção, para tentar uma reaproximação.