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Assediada em "Malhação", atriz diz ter recebido mais de mil relatos

Reprodução/TV Globo
Talita Younan viveu K1 em "Malhação" Imagem: Reprodução/TV Globo

Guilherme Machado

Do UOL, em São Paulo

05/03/2018 04h00

Gravidez na adolescência, alcoolismo, racismo, homofobia, corrupção. “Malhação – Viva a Diferença” encerra nesta segunda (05) a temporada sem deixar quase nenhum tema delicado para trás, seja na ficção ou no noticiário. Intérprete da vilã K1, vítima de assédio pelo padrasto, Talita Younan conta que, mais que gravar as difíceis cenas, foi conviver com vítimas reais.

“Recebi mais de 1 mil mensagens, de meninas que diziam: ‘Sou assediada pelo meu pai’, ‘sou assediada pelo meu avô, pelo meu padrasto’. São histórias absurdas que você não tem noção que exista. A gente não imagina que é tão normal, todo dia e toda hora”, conta atriz estreante, que diz ter se emocionado com muitas das cartas.

Na história, K1 começou como a antagonista que praticava bullying com os colegas, mas acabou quase abusada pelo parente e ainda teve de enfrentar a rejeição da mãe após denunciar o caso à polícia –e recebendo a solidariedade dos amigos que ela própria maltratava.

“Fazer a história do assédio foi difícil para todos nós, até para a equipe. Era um set diferenciado, delicado, as pessoas falavam mais baixo. A gente teve muito cuidado, muita paciência para gravar as cenas que a gente sabia que iam tocar muita gente. Eu fiquei com muito medo”, admite a atriz. “Foi a minha semana mais difícil na novela, comecei a me envolver com essas meninas”.

Reprodução/TV Globo
Na trama, K1 foi assediada pelo padrasto Imagem: Reprodução/TV Globo
Estreante na TV, a atriz de 25 anos diz que nunca sofreu nada parecido com o que leu nos relatos, mas afirma que já sentiu outras formas de assédio. “Assediada a gente é o tempo todo, não adianta falar que não. A gente é assediada na rua, [chamada de] ‘gata’, ‘gostosa’. Em balada, pegam no nosso braço. Ainda existe muito disso. Então assediada eu já fui, mas nunca passou disso”, relata.

Assim como aconteceu à personagem, Talita também diz apoiar as denúncias, num momento em que o meio artístico debate os diversos casos de assédio na televisão e no cinema. “Acho que esse é o momento, e por isso acho tão importante o que a K1 viveu. A gente que se unir, como está acontecendo, todas as mulheres se unindo, e falando, gritando. A gente não tem que guardar isso não, tem que denunciar”.

"Jovens vivem o tempo todo"

Por conta de suas abordagens, a atual temporada de “Malhação”, ao mesmo tempo que angariou muitos fãs, provocou grandes discussões nas redes sociais, figurando muitas vezes entre os assuntos mais comentados do Twitter.

Divulgação / TV Globo
Talita Younan não pensa em parar de trabalhar tão cedo Imagem: Divulgação / TV Globo
Talita fala sobre a importância dos temas e vê como um dos motivos para o sucesso de “Viva a Diferença”.

“A gente [o elenco] está muito feliz de poder ter falado de tanta coisa. Bullying, racismo, homossexualidade, alcoolismo. Muitos assuntos muito fortes e muito importantes, que a gente precisava falar. A ‘Malhação’ mudou muito também porque a gente está falando de coisas que os jovens estão vivendo hoje em dia. Os jovens também estão mais maduros, evoluindo com o tempo. São assuntos que eles vivem o tempo todo. Em qualquer classe, qualquer lugar. O Cao [Hamburguer, autor] conseguiu atingir muita gente de uma forma muito inteligente, peculiar, delicada”, argumenta ela.

Com o “coração apertado” com o fim da temporada, a atriz lamenta se despedir da K1, mas espera não parar de trabalhar. “Querendo ou não é a morte de alguém, a morte da K1, que nunca mais vai existir. Mas acho que faz parte. A gente está muito feliz, realizados”, conclui.

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